Doença de Cushing

1) Como se manifesta?
Os sintomas e sinais apresentados resultam do excesso de produção de cortisol pela suprarrenal por acção de uma hormona chamada ACTH. Esta é produzida pela hipófise, glândula que se situa na base do cérebro, atrás do nariz. Quando surge um adenoma (tumor benigno) nesta glândula, a produção de ACTH aumenta e podem surgir alterações físicas e psíquicas daí decorrentes.

Fisicamente, os sinais mais habituais são o aumento da gordura a nível do tronco, mantendo-se os braços e pernas magros e o arredondamento da face que também se torna mais vermelha. Podem aparecer nódoas negras com pequenos traumatismos e estrias de cor vermelha no abdómen. Muitas vezes os músculos ficam mais fracos e torna-se difícil levantar de assentos baixos e subir escadas.

Os ossos também descalcificam mais rapidamente. A mulher geralmente apresenta um aumento do pêlo e os seus períodos menstruais diminuem ou desaparecem. O homem queixa-se frequentemente de diminuição do desejo sexual e da potência. A diabetes e a hipertensão podem também ocorrer. Em quase metade dos doentes surgem alterações do humor e do sono, irritabilidade e por vezes depressão.

2) Como se diagnostica?
a) Análises
Para se demonstrar a presença da doença é necessário fazer análises à urina e ao sangue. Será necessário obter colheitas de urina de 24 horas. Relativamente às análises sanguíneas, poderá ter que fazer várias colheitas, algumas precedidas da toma de um medicamento. Em algumas situações poderá ser necessário um curto internamento para tornar mais fácil a execução de provas importantes para um diagnóstico mais preciso.

b) Imagens
Actualmente a Ressonância Magnética é o exame mais indicado para a investigação da doença de Cushing dado detectar a maior parte dos adenomas que são habitualmente pequenos.

3) Como se trata?
O tratamento passa quase sempre pela cirurgia. Esta é hoje realizada através de um pequeno corte na base do nariz e chama-se cirurgia transesfenoidal, sendo feita sob anestesia geral. Assim, o cirurgião chega à hipófise sem ter que mexer no cérebro. Após a cirurgia, vai sentir-se progressivamente melhor, com mais energia e as modificações que tinham ocorrido no seu corpo vão regredir, ainda que possa levar meses a anos. Também depois da cirurgia, terá que fazer várias análises hormonais para se ter a certeza de que ficou curado.

Precisará provavelmente de ficar a tomar temporária ou definitivamente uma hormona chamada hidrocortisona, que é um outro nome do cortisol. O seu médico explicar-lhe-á como a tomar diariamente e as situações em que terá que modificar a dose. No caso de não ficar curado, poderá ter que fazer outros tratamentos mas nesse caso, mais uma vez, o seu médico lhe explicará os procedimentos e o esclarecerá nas suas dúvidas.