Doenças da tiróide no idoso

Os problemas da tiróide são frequentes em pessoas com idade superior a 60 anos. Neste grupo etário podem ter uma apresentação e evolução particulares. Por esse motivo são, por vezes, de difícil diagnóstico.

Hipertiroidismo

É comum nos doentes idosos. Na maior parte dos casos os sintomas são típicos: nervosismo, palpitações, hipersudorese, tremor e perda de peso. Noutras situações os sintomas de hipertiroidismo podem ser escassos. Pode estar ausente o nervosismo, intolerância ao calor, aumento do apetite e o bócio (aumento do volume da tiróide). O metabolismo aumentado associado à perda do apetite condiciona uma perda de peso marcada, sendo frequente a suspeita clínica de depressão ou neoplasia antes do diagnóstico correcto. Nos doentes idosos a apatia e a falta de forças são sintomas frequentes.

As análises ao sangue revelam um aumentam da concentração das hormonas tiroideias e níveis baixos de TSH.

Nos doentes idosos a coexistência de outros problemas médicos pode levar a determinada particularidade no tratamento. Devido à segurança e simplicidade de administração o tratamento de eleição é quase sempre o iodo radioactivo. Em doentes idosos particularmente com doença cardíaca subjacente – angina de peito ou arritmias cardíacas – está frequentemente indicada a administração de antitiroideus de síntese antes do tratamento com iodo radioactivo. Do mesmo modo o uso de um medicamento b-bloqueador impede algumas da acções das hormonas tiroideias no organismo diminuindo a gravidade dos sintomas.

Em algumas situações, pode ser preferível o tratamento inicial com antitiroideus de síntese – propiltiouracilo e metimazol.

Geralmente o tratamento apenas é eficaz enquanto é administrado, sendo a recaída frequente após a suspensão. Devido a este facto, e também pela possibilidade de certos efeitos secundários graves (diminuição dos glóbulos brancos), estes medicamentos são menos utilizados.

Raramente a cirurgia é indicada no tratamento do hipertiroidismo. Pode ser necessária no caso de um aumento marcado da tiróide com sintomas compressivos – dificuldade na deglutição ou na respiração.

Hipotiroidismo

O sinal mais precoce é um aumento da TSH. O hipotiroidismo é frequente nos indivíduos idosos. Grandes estudos populacionais demonstram que uma em cada dez mulheres com mais de 65 anos tem um valor de TSH elevado. A grande maioria não tem qualquer sintoma, no entanto pode ser o início de uma falência da tiróide. É fundamental o seguimento regular destas situações.

Os sintomas de hipotiroidismo podem ser semelhantes ao processo de envelhecimento, daí, por vezes, a dificuldade de diagnóstico. É uma situação que se instala muito lentamente, passando despercebida. É frequente o doente consultar vários médicos antes do diagnóstico correcto. Os sintomas mais frequentes são: falta de forças, lentificação, voz rouca, pele seca, aumento de peso, intolerância ao frio, surdez, cãibras, formigueiros, desequilíbrio na marcha, anemia, obstipação…

O diagnóstico de hipotiroidismo pode ser difícil com base apenas no exame físico. Determinadas características nos doentes ou seus familiares directos podem sugerir o diagnóstico. A presença de diabetes juvenil, artrite reumatóide, anemia perniciosa, manchas brancas na pele (vitíligo) e peladas no cabelo aumenta a probabilidade de uma deficiência da tiróide.

As análises ao sangue revelam um aumento da concentração de TSH, com as hormonas tiroideias – T3 e T4 baixas. Pode haver apenas um aumento da TSH com T3 e T4 normais.

Frequentemente são detectados anticorpos dirigidos contra componentes da tiróide.

A presença de T3 e/ou T4 diminuídas com TSH elevada requer tratamento.

Desconhece-se se um aumento isolado da TSH necessita de terapêutica.

O tratamento deve ser iniciado com doses baixas com um aumento gradual até à normalização da TSH. Num doente com doença cardíaca, pode ser necessário começar o tratamento com doses muito pequenas e aumentar muito lentamente. O hipotiroidismo quando é diagnosticado frequentemente já tem muitos meses ou anos de evolução, de modo que o organismo já está adaptado, sendo todo o seu funcionamento lentificado. Se a substituição se efectua com doses demasiado elevadas, pode levar a uma sobrecarga excessiva para o organismo e sobretudo para o coração.

É fundamental o seguimento regular do doente.