Grupo de Estudos das Disfunções Endócrinas no Cancro

APRESENTAÇÃO

A incidência da doença oncológica tem vindo, progressivamente, a aumentar devido à deteção precoce e também às novas metodologias da investigação clínica. Por outro lado, as diversas terapêuticas disponíveis e as medidas de apoio ao doente, tomadas pelo mundo civilizado, têm contribuído para atingir atualmente, de forma global, uma sobrevivência de 78%.

Nesta evolução há também cada vez mais o aparecimento – ao longo da vida – de sequelas das doenças e respetivos tratamentos. Assim, patologia hipotalâmica, hipofisária, tiroideia, suprarrenal, pancreática, gonadal, óssea, lipídica, obesidade, síndroma metabólico, etc. vão aparecendo de uma forma progressiva vários anos após o terminar das intervenções terapêuticas.

Qualquer cirurgia, tratamento de radioterapia e quimioterapia pode constituir-se como agente curativo mas, também, agente destrutivo.

Neste grupo de pacientes, quanto maior é o tempo de sobrevivência, maior é o risco de apresentarem disfunções. Na sua abordagem é necessário considerar a idade do paciente e decidir qual a patologia a tratar em primeira linha de forma a não prejudicar objetivos futuros, maiores. Os pacientes que tiveram a doença oncológica em criança são aqueles que mais desafios apresentam. A gestão diagnóstica/terapêutica requer treino e muita atenção.

Sabe-se que, em média, os sobreviventes apresentam pelo menos uma patologia endócrina no final de cinco anos. Esta percentagem só é ultrapassada pela patologia psicológica secundária ao aparecimento da doença oncológica.

É necessário, portanto, reabilitar endocrinologicamente estes doentes de forma a poderem ter uma vida com qualidade. Quando a detecção não é feita atempadamente, não é incomum que o falecimento ocorra devido à subsequente doença endócrina. A sua vigilância assenta numa racional análise de risco, sendo avaliados por um protocolo muito individualizado.

Existem, em Lisboa, duas unidades funcionais que se dedicam à vigilância e tratamento destes doentes. São elas, a pioneira, no Instituto Português de Oncologia de Francisco Gentil, desde o ano 2000 e a segunda, nascida recentemente, no Hospital dos Lusíadas.

É ambição do Grupo de Estudos, através dos seus membros, já disseminados por todo o país conseguir que novas unidades surjam de forma a dar resposta aos milhares de sobreviventes oncológicos existentes no nosso território.

Coordenador

Joana Oliveira

Secretários

Sara Donato
Maria Joana Santos

2019