Presidente

Mensagem Presidente SPEDM

Presidente

João Jácome de Castro

Queridos Colegas e Amigos,

De novo a mandar-vos um abraço por ocasião de mais um número da nossa newsletter “Endocrinologista”.

Um número que para além de procurar continuar a despertar o vosso interesse cumpre uma missão fundamental: homenagear os mais antigos e alguns daqueles que muito contribuíram para a endocrinologia portuguesa aqui e além fronteiras.

Acredito que contribuir para conhecer melhor e respeitar aqueles que vieram antes de nós é mais uma missão da nossa sociedade e que esta direcção assume com gosto.

E também vos trazemos novidades sobre a nova imagem da SPEDM e sobre o plano de divulgação da endocrinologia nacional. Nos dias que correm é essencial comunicar: quem somos, onde estamos, o que fazemos… e por isso o investimento da direcção na página da sociedade e nas redes sociais.

História (e histórias), apontamentos culturais, a já habitual fotografia dos serviços e espaço para os internos procuram tornar a leitura agradável e estimular o espírito de partilha que consideramos ser muito importante na vida da nossa sociedade.

Finalmente…abrir-vos o apetite para o Congresso de Endocrinologia que este ano volta a ser presencial e terá lugar de 3 a 6 de Fevereiro no Algarve.

Um grande Abraço e até breve em Vilamoura!

Mensagem
Equipa Editorial

Raquel Carvalho, Editora Representante da Direção da SPEDM

Equipa

Decanos da Endocrinologia

Alguém disse “um povo sem memória é um povo sem futuro”. Talvez possamos adaptar: “uma Sociedade sem memória é uma Sociedade sem futuro”.

Em qualquer área da nossa vida a memória, a transmissão de saberes e o respeito por quem abriu caminho é nada menos que fundamental. O estudo formal aliado à prática clínica é basilar no crescimento profissional de um médico. Mas quantas vezes moldamos o nosso conhecimento e a nossa atitude num caso clínico depois da discussão com colegas? Quantas vezes, para entendermos o conhecimento científico atual, temos que o enquadrar no conhecimento passado e que privilégio é poder fazê-lo apoiado naqueles que sendo portadores do conhecimento mais antigo, o transportam e o integram no conhecimento de hoje? O inverso é também verdadeiro: o entusiasmo, a ambição e a sede de saber dos mais novos são combustível para o avanço.

A diversidade de sócios de uma Sociedade científica é uma mais-valia inestimável. Devemos valorizá-la e enaltecê-la.

Na primeira newsletter de 2022, temos o privilégio de ter seis embaixadores da endocrinologia portuguesa que generosamente acederam a partilhar as suas vivências profissionais e pessoais connosco. Quisemos conhecer os seus percursos académicos, o início da especialidade, a progressão na carreira e os momentos mais marcantes. E porque nem só de ciência se faz o Médico, desafiámo-los a partilharem memórias de vida, interesses e até pequenos prazeres ou hábitos, porventura inconfessados até hoje aos seus pares endocrinologistas. 

É nestes “quês” que o ser humano (e o endocrinologista, neste caso) se revela e é por isso que achamos que a leitura desta Newsletter, além de potencialmente inspiradora, pode ser um surpreendente deleite.

Equipa Editorial

Da esquerda para a direita, de cima para baixo:

Editora-Chefe: Maria Joana Santos, Hospital de Braga

Editora Representante da Direção da SPEDM: Raquel Carvalho, Hospital CUF Tejo

Editora Sénior: Isabel do Carmo, Faculdade de Medicina de Lisboa

Editora Clínica: Raquel Martins, Instituto Português de Oncologia de Coimbra Francisco Gentil, Faculdade de Medicina da Universidade do Porto

Editora Investigadora: Paula Soares, Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, I3S - Instituto de Investigação e Inovação em Saúde, Ipatimup - Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto.

Editora RPEDM: Paula Freitas, Centro Hospitalar e Universitário de São João, Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, I3S - Instituto de Investigação e Inovação em Saúde

Editora Interna Endocrinologia: Juliana Marques-Sá, Interna de Formação Especializada, Hospital de Braga

Iniciativas SPEDM

CRIAÇÃO DE UMA NOVA IDENTIDADE
A SPEDM atualizou o seu logotipo e criou toda uma nova imagem de modo a ser mais apelativa e moderna.
CRIAÇÃO DE NOVAS PLATAFORMAS NAS REDES SOCIAIS
A SPEDM decidiu marcar presença em novas redes sociais, de forma a comunicar ativamente com os seus sócios e com a população geral. Para além do facebook e instagram, a SPEDM já está no twitter e no LinkedIn.

Sugestões de Leitura

1_Síndrome amenorreia-galactorreia.

Ruas A. Síndrome amenorreia-galactorreia. Acta Gynaecol. et Obstet. Hispano-Lusitana. 1964;XIII(1):33-41.


Este artigo faz uma revisão da literatura mundial sobre dois síndromes associados a amenorreia e galactorreia, síndrome de Chiari-Frommel e síndrome de Forbes-Albright (ou de Argonz-Del Castillo), durante muitos anos considerados com limites bem precisos. O autor revê os mecanismos de lactação normal, descreve a frequência dos dois síndromes, a sintomatologia e a etiologia referida nos casos descritos. Nota que a sintomatologia e circunstâncias de aparição dos dois síndromes é sobreponível, concluindo que os quadros clínicos não são entidades anátomo-clínicas. Assim, o autor admite mesmo que o síndrome de Chiari-Frommel e o síndrome de Forbes-Albright são a mesma coisa.

Sugestão 1
Manuel Almeida Ruas

2_Biologically active androgens and oestradiol in men with chronic liver disease.

Galvão-Teles A, Burke CW, Anderson DC, Marshall JC, Corker CS, Bown RL, Clark ML. Biologically active androgens and oestradiol in men with chronic liver disease. Lancet. 1973 Jan 27;1(7796):173-7.


Os autores estudaram 25 homens (comparando-os com controlos) com doença hepática crónica. Documentaram nestes doentes: diminuição dos níveis dos 17β-hidroxiandrogénios (17-OHA), sobretudo a testosterona (mais marcada nos com cirrose de etiologia alcoólica); diminuição dos níveis de albumina; níveis normais de estradiol livre; níveis elevados de SHBG e LH. Sugerem que nos homens com doença hepática crónica, a produção aumentada de SHBG resulta em diminuição dos níveis de 17-OHA livres, com consequente elevação da LH. A combinação de valores normais de estradiol livre e valores reduzidos de androgénios livres, leva a ginecomastia a evidência clínica de hipogonadismo. A maior redução de 17-OHA livres na cirrose alcoólica pode ser responsável pela maior frequência de ginecomastia e hipogonadismo nesta forma de doença hepática.

Sugestão 2
Alberto Galvão-Teles

3_Prolactin, psychological stress and environment: Adaptation and maladaptation.

Sobrinho LG. Prolactin, psychological stress and environment: Adaptation and maladaptation. Pituitary. 2003;6(1):35-9.


“Propomos que a prolactina é um componente de uma sub-rotina biológica, adaptativa para o desempenho maternal. Chamamos-lhe sub-rotina materna. Esta promove: 1) Acumulação de gordura para enfrentar as despesas extraordinárias da gravidez e aleitamento; 2) Produção de leite; 3) Comportamento maternal. A activação da sub-rotina materna ocorre, durante a gravidez, por acção das hormonas da placenta. No entanto, pode ocorrer fora da gravidez como na pseudo-gravidez, amamentação vicariante, ganho rápido de peso, galactorreia psicogénica ou deprivação paterna precoce. Neste trabalho são apresentadas evidências a favor de um papel da prolactina nestas situações bem como são discutidos os mecanismos hipoteticamente envolvidos.”

Sugestão 3
Luís Gonçalves Sobrinho

4_Pitfalls of HbA1c in the diagnosis of Diabetes.

Bergman M, Abdul-Ghani M, Neves JS, Monteiro MP, Medina JL, Dorcely B, Buysschaert M. Pitfalls of HbA1c in the diagnosis of Diabetes. J Clin Endocrinol Metab. 2020 Aug 1;105(8):2803-11.


Os autores apresentam dois casos clínicos que advertem para possíveis erros na interpretação da HbA1c. O primeiro caso ilustra uma situação de sobrediagnóstico num homem afro-americano de idade avançada, em que os valores de HbA1c foram discordantes com os valores obtidos na prova de tolerância à glicose oral, sobrestimando a disglicemia. O segundo caso descreve uma situação de subdiagnóstico num doente com HIV, com HbA1c normal, mas com valores diagnósticos de diabetes na prova de tolerância à glicose oral. Os autores sugerem um paradigma sobre situações em que é essencial realizar uma prova de tolerância à glicose oral, para evitar situações inadvertidas de tratamento inadequado.

Sugestão 4
José Luiz Medina

5_Iodine intake in Portuguese pregnant women: results of a countrywide study.

Limbert E, Prazeres S, São Pedro M, Madureira D, Miranda A, Ribeiro M, Jacome de Castro J, Carrilho F, Oliveira M J, Reguengo H, Borges F, Thyroid Study Group of the Portuguese Endocrine Society. Iodine intake in Portuguese pregnant women: results of a countrywide study. Eur J Endocrinol. 2010 Oct;163(4):631-5.


Este estudo de âmbito nacional pretendeu avaliar o aporte iodado em mulheres grávidas, de modo a propor medidas apropriadas às Autoridades de Saúde. Foi avaliada a iodúria de 3631 grávidas seguidas em 17 hospitais portugueses. A percentagem de mulheres com iodúria adequada (> 150ug/l) variou entre 8,8 e 34,1 % no continente, foi de 8,2 % na Madeira e de 2,3 % nos Açores, indicando um um aporte de iodo inadequado na maioria das grávidas participantes no estudo. Considerando os potencias efeitos deletérios do suprimento inadequado de iodo durante a gravidez, os autores salientam que a sua suplementação nesta fase é fortemente recomendada.

Sugestão 5
Edward Limbert

6_Livro “Quinze Bocas para Comer & Outras Curiosidades”

Livro “Quinze Bocas para Comer & Outras Curiosidades”,

O Livro “Quinze Bocas para Comer & Outras Curiosidades”, editado em novembro de 2018 pela Just News (depósito legal: 448236/18), foi uma iniciativa da Sociedade Portuguesa para o Estudo da Obesidade, no âmbito da homenagem prestada ao Dr. José Pedro de Lima Reis. O livro é uma compilação de 54 textos, que com exceção dos últimos quatro, foram publicados na revista Noticias Magazine, entre 2009 e 2011.

Sugestão 6
José Lima Reis
Decanos

Alberto Galvão-Teles

Edward Limbert

José Luiz Medina

José Lima Reis

Luís Gonçalves Sobrinho

Manuel Almeida Ruas

Alberto Galvão-Teles

Sócio da SPEDM desde 1965

Capa 1

Esperem, senhores, lhes direi em duas palavras quem sou, o que faço e como vivo. Quereis?
Quem sou – sou um médico, um académico
O que faço – ensino, trato, investigo
E como vivo – vivo
(parafraseando Rodolfo em La Bohéme de Giacomo  Puccini)

Alberto Galvão-Teles nasceu em Lisboa há 85 anos. É casado, tem 2 filhos, 2 netos e 1 bisneto. Em criança, gostava de jogar futebol e ténis de mesa, tendo sido campeão nacional de infantis nesta modalidade. Na infância, sonhava ser “Homem de Letras”, mas foi para Medicina porque se apaixonou por esta ciência e “Podia continuar um Homem de Letras”. Licenciou-se pela Faculdade de Medicina de Lisboa em 1961. Entre Agosto de 1965 e Agosto de 1967, foi mobilizado para o Ultramar, tendo prestado serviço como médico no norte de Angola. Inicialmente inclinado para Psiquiatria, apaixonou-se pela Endocrinologia e terminou a especialidade em 1971, no Hospital de Santa Maria. Estagiou no Hammersmith Hospital, em Londres, com CW Burke, DC Anderson e JC Marshal, sob a direção do Prof. R Fraser. Foi Honorary Clinical Assistant no Departamento de Endocrinologia do Hammersmith Hospital, entre 1969 e 1972. Depois de uma breve passagem pelo IPO de Lisboa (1971-1975), regressou ao Hospital de Santa Maria, onde fundou e foi diretor do Serviço de Endocrinologia. Destaca, como Mestres, o Doutor L. Silveira Botelho (Endocrinologista) e o Prof. Evaristo Ferreira (Medicina Interna). As suas áreas de especialização foram a Andrologia, a Tiroidologia e a Obesidade. Fundou e foi 1º Presidente da Sociedade Portuguesa de Andrologia (1980-1990); da Sociedade Portuguesa para o Estudo da Obesidade (1989-1997) e do Grupo Ibero-Italo-Latino Americano de Andrologia (1987-1992). Foi eleito Fellow do Royal College of Physycians of Edimburgh (1982) e membro titular da Academia Portuguesa de Medicina (1999). Foi presidente da SPEDM entre 1997-2000 e 2000-2003. Da sua carreira, destaca ainda a organização do XII Congresso Internacional de Endocrinologia, em Lisboa, em 2004.

O seu maior arrependimento profissional foi não ter trabalhado nos EUA, pois considera que trabalhar em Portugal é “frustrante”. Os seus maiores orgulhos profissionais são a Direção e Organização do Serviços de Endocrinologia do HSM, com a criação das consultas de Andrologia, de Obesidade e de Doenças do Comportamento Alimentar. Orgulha-se também das Sociedades Médicas de que foi fundador e da sua contribuição para a SPEDM.

Nos seus tempos livres, gosta de ouvir música clássica, ópera e estudar artes plásticas. Quando questionado sobre um talento escondido, confessa que ainda o procura. Adepto do Sporting, gosta também de conviver com os amigos, assim como de ler as obras de Freud, Fernando Pessoa, Palmeiras Bravas, William Faulkner e José Duro. No cinema, destaca “O mundo a seus pés” de Orson Wells e a “Laranja Mecânica” de Stanley Kubrick. As suas viagens mais marcantes foram a Roma e aos EUA.

Conselho aos mais novos: “A saúde do meu doente será a minha primeira preocupação” (Hipócrates). “Não há doenças, há doentes. Escolham uma superespecialização dentro da Endocrinologia”.

Edward Limbert

Sócio da SPEDM desde 1973

Capa 2

Edward Limbert nasceu em Lisboa há 81 anos, filho de pai comerciante e mãe doméstica. É casado e tem 5 filhos, 15 netos e 3 bisnetos. Se não fosse médico, teria sido advogado. Mas a Medicina era um sonho de infância e licenciou-se em 1967 na Faculdade de Medicina de Lisboa. Fez o internato geral e complementar de Medicina no Hospital de Santa Maria. A Endocrinologia esteve presente desde cedo no seu percurso profissional, tendo feito a sua tese de licenciatura sobre o LATS (long-acting thyroid stimulator) na Doença de Graves. Fez a especialidade no IPO de Lisboa, onde viria a trabalhar durante o resto da sua vida profissional e onde chegou a ser Diretor Clínico. Foi o responsável pelo tratamento de doentes com neoplasias tiroideias e hipertiroidismo com iodo radioativo no então Serviço de Isótopos a par de atividade docente como professor convidado da Faculdade de Ciências Médicas. As suas referências são o Doutor Luis Botelho, o Prof Luís Sobrinho e o Prof Andre Ermans. Foi com este último que fez um estágio em Tiroidologia na Universidade Livre de Bruxelas, em 1973. Foi a esta área da Endocrinologia que se dedicou durante toda a sua vida profissional. Em 1990, doutorou-se em Medicina pela Universidade Nova de Lisboa com a tese “Factores prognósticos nos carcinomas diferenciados da tiroideia de origem folicular”. Foi membro da Comissão Consultiva para a prevenção do Cancro da EU durante mais de uma dezena de anos e Coordenador Nacional do Iodine Global Network (IGN). Foi o impulsionador e responsável pelo estudo português de base populacional sobre o aporte de iodo nas grávidas, que levou à recomendação a suplementação com iodo na pré-concepção e gravidez em Portugal, sendo um dos trabalhos dos quais mais se orgulha.

Profissionalmente, não tem grandes arrependimentos e considera que o seu maior legado foi a formação de internos.

Os seus hobbies são a jardinagem e a música. É fã de música clássica e gosta de tocar piano. O seu filme preferido é “E tudo o vento levou”. O seu prato de eleição é bife com batatas fritas e os seus vinhos favoritos são da região do Douro. É do Sporting e o seu desporto favorito é a marcha. As viagens da sua vida foram a Índia e a Etiópia.

Conselho aos mais novos: “Estudem, pratiquem e subespecializem-se” .

José Luiz Medina

Sócio da SPEDM desde 1972

Capa 3

José Luiz Medina nasceu no Porto a 9 de Maio de 1940. Cresceu entre a Invicta e Cinfães do Douro, gostando de jogar futebol, ao peão, à carica (“sameira”) ou fazendo os próprios brinquedos. São suas referências os avós maternos (Lucinda e Zenon), a mãe e o seu tio Luiz. Foi para Medicina porque sempre quis ser médico e não se imaginava a ter outra profissão. Fez todo o seu percurso profissional no Serviço de Endocrinologia do Hospital de São João, de que foi Diretor, e na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto. No Serviço Militar, foi médico da força aérea esteve na base aérea de S. Jacinto e em Moçambique. Pelos serviços prestados, foi agraciado com 2 louvores e a medalha de prata de serviços distintos. Entrou em Medicina Interna no Serviço de Clínica Médica, onde a secção de Endocrinologia era dirigida pelo Professor Manuel Hargreaves. Apaixonou-se pela Endocrinologia e fez exame das 2 especialidades. As suas áreas de diferenciação foram a diabetes mellitus, a patologia tiroideia, as dislipidemias e a obesidade. Fez o Doutoramento com uma dissertação sobre Neuropatia autonómica no diabético. Fez estágios no Hospital Universitário da Universidade de Minnesota, no Hvidovre Hospital da Universidade de Copenhague e no Hospital da Cruz Roja, Madrid. Da sua vida profissional destaca ainda a organização do 1st Joint Meeting (SPEDM/Mayo Clinic), com a colaboração do Professor Hussein Gharib. Os seus Mestres são os Professores Manuel Hargreaves, Sobrinho Simões, Daniel Serrão, Walter Oswald e Almeida Ruas. Foi Presidente da SPEDM entre 2003 e 2008 e atualmente é Presidente da Associação Luso-Galaica de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo e integra a Comissão Executiva das comemorações dos 100 anos da descoberta da insulina.

Não se arrepende de nada na sua carreira profissional e sente-se orgulhoso pelos êxitos dos endocrinologistas que se formaram e se formam no Serviço do qual foi diretor, mas afirma que a sua mulher, os 5 filhos e as 3 netas são o seu maior orgulho.

Para além da Medicina, interessa-se por pintura, leitura e música. Gosta de brincar com a netas e viajar com a família toda. Os seus desportos favoritos são o futebol (para ver) e o golf (para praticar “sem qualquer talento”). É fã de todos os pratos da cozinha portuguesa e de todos os vinhos da garrafeira nacional, mas “em pouca quantidade no copo”. Como filmes preferidos, destaca “Dr. Jivago” e “Casablanca”. Nos livros, prefere os autores clássicos portugueses, “Corpos e almas” de Maxence van der Meersch e a Bíblia. Gosta de música clássica e refere como viagens marcantes o Japão, os EUA e a Austrália.

Conselho aos mais novos: “estudem muito, trabalhem sempre e tratem muito bem os vossos doentes, como gostariam de ser tratados quando um dia ficarem doentes”.

José Lima Reis

Sócio da SPEDM desde 1978

Capa 4

José Lima Reis nasceu em Barcelos há 79 anos. É casado, tem 2 filhas e 5 netos. É filho de pai médico (Estomatologista) e mãe pintora, escritora e dona de casa. Na infância, gostava de jogar à bola e sonhava ser médico e escritor. Foi para Medicina porque gostava e não faz ideia de que outra profissão poderia ter tido. O Serviço militar deu-lhe oportunidade de conhecer África. Fez a sua especialização em Endocrinologia, no Porto, por influência do Dr. Emílio Peres, com quem cofundou a Faculdade de Nutrição da Universidade do Porto. O seu outro mestre foi o Professor Manuel Hargreaves.

Profissionalmente, não tem arrependimentos e o seu maior orgulho é a amizade dos doentes.

Além da Medicina, o seu grande hobbie é a escrita, tendo publicado 7 livros. Além deste talento, também gosta de desenhar. O seu prato favorito é cozido à portuguesa, acompanhado por um tinto “bom” (“não sou racista”). Gosta de futebol e é adepto do Sporting. O seu livro preferido é “O médico e o monstro”. Os seus destinos de eleição são o Algarve, Moçambique e os EUA.

Luís Gonçalves Sobrinho

Sócio da SPEDM desde 1972

Capa 5

Luís Gonçalves Sobrinho, nasceu em Lisboa a 18 de Fevereiro de 1939. É casado, tem 2 filhos e 3 netos. Desde pequeno pensou ser médico, porque no ambiente familiar havia uma grande admiração pela profissão, que era muito valorizada. Se não fosse médico, teria sido engenheiro. Licenciou-se pela Faculdade de Medicina de Lisboa em 1963 e entre 1966 e 1968 fez serviço militar em Moçambique, que considera ter sido uma experiência enriquecedora. Desde cedo quis ser Endocrinologista, pois a Endocrinologia surgiu como uma área misteriosa a desbravar. Formou-se na Consulta de Endocrinologia do IPO de Lisboa e no Laboratório de Endocrinologia do Serviço de Clínica Médica do Hospital de Santa Maria. Em 1962, fez estágio em Inglaterra, em endocrinologia laboratorial. Entre 1968-1969 esteve na Yale University Medical School, tendo sido “Research Fellow” no primeiro ano e “Assistant professor of Medicine and Gynecology" no segundo ano. Nesta universidade trabalhou sob a orientação dos Profs. Nathan Kase (Ginecologia Endócrina), Philip Bondy (Endocrinologia Geral) e Jerome Grunt (Pediatria Endócrina). Fez exame de Endocrinologia em 1970, em Coimbra, tendo o então jovem Dr. Almeida Ruas participado no júri. Especializou-se em patologia tiroideia, hipófise, prolactina e regulação do metabolismo do cálcio. Foi Diretor de Serviço de Endocrinologia do I.P.O. de Lisboa entre 1996-2009. As suas referências são Luis Silveira Botelho, Manuel Neves e Castro, Nathan Kase e Eduardo Luis Cortesão. Da sua vida profissional, destaca 2 marcos: ter liderado o grupo que demonstrou, pela primeira vez, que a bromocriptina diminuía o volume dos macroprolactinomas e ter liderado o grupo que identificou a contribuição de factores psicogénicos na génese de prolactinomas. Salienta ainda descobertas sobre o papel da prolactina na génese de prolactinomas, pseudogravidez, amamentação vicariante, obesidades dinâmicas e galactorreias psicogénicas.

Arrepende-se de não ter sido capaz de retribuir o amor que recebeu de algumas pessoas, mas orgulha-se de ter deixado, nos colegas com quem conviveu, um legado de espírito crítico e de curiosidade científica sem compromissos.

O seu maior hobbie é a leitura. Experimentou o piano, a vela e o ténis, mas as suas performances foram “modestas”. Adepto do Sporting, gosta de assistir a jogos de futebol e ténis. O seu livro preferido é “The Conquest of Happiness” de Bertrand Russel. O seu filme favortio é “Derzo Usala” de Akiro Kurosawa. Apreciador de música clássica (tem um “fraquinho” por Chopin), gosta também de poemas cantados franceses (Piaf), brasileiros (Vinícius), e americanos (Bob Dylan). A sua viagem mais marcante foi um intercâmbio no Irão, onde ficou três dias alojado com uma família local, experiência “irrepetível!”. Considera que o seu talento escondido será a capacidade para distinguir o essencial do acessório.

Conselho aos mais novos: “Estejam atentos. Vocês pensam que são médicos, mas para as forças-motrizes da Sociedade vocês não passam de vendedores. Não hesitem em questionar os produtos que vos põem no mostruário – valores, conceitos, tecnologias e fármacos – por muito respeitáveis que vos pareçam, tanto os produtos como quem os promove.”

Manuel Almeida Ruas

Sócio da SPEDM desde 1965

Capa 6

Manuel Almeida Ruas nasceu a 7 de Junho de 1931 em Portalegre. É casado, tem 3 filhos e 9 netos. A juventude, dividida entre Portalegre e Leiria, foi preenchida com brincadeiras da época, na rua, como jogar ao peão, aos berlindes e jogar com bolas de trapos. Os brinquedos eram de lata e compravam-se durante as feiras. Por motivos profissionais do pai, funcionário do Ministério das Finanças, mudou-se depois para Coimbra. Licenciou-se na Faculdade de Medicina de Coimbra em 1957. Escolheu Medicina por influência do irmão médico. Durante a Guerra Colonial esteve em Moçambique entre 1966-1968, uma situação obrigatória que “prejudicou muito não só a minha vida profissional como familiar: os meus filhos eram, ainda, muito pequeninos”. Durante a Especialidade de Endocrinologia, fez estágio de 2 anos em Paris no Hospital Universitário da Pitié, com J. Decourt e Gilbert-Dreyfus. Esteve também no London Hospital com Raymond Greene e Stuart Mason. Especialista em Endocrinologia-Nutrição pela Ordem dos Médicos, desde 1972, fundou a Unidade de Endocrinologia e Doenças Metabólicas dos HUC em 1974, mais tarde Serviço, do qual foi diretor. Durante mais de 30 anos, foi professor de Endocrinologia e Diabetologia na FMUC. Foi Presidente da SPEDM entre 1985 e 1990, Presidente da SPD entre 1996 e 1997, Presidente da Sociedade Portuguesa de Andrologia, presidente do Colégio de Endocrinologia da Ordem dos Médicos e atualmente integra a Comissão Executiva das Comemorações do Centenário da Descoberta da Insulina.Da sua carreira destaca ainda a criação e presidência da “Comissão Nacional para a Normalização da Hormona do Crescimento”. As suas áreas de especialização foram a diabetologia (com enfoque na diabetes tipo 1, diabetes e gravidez e transplantes renais em diabéticos), assim como tumores hipofisários; oncologia da tiróide; estudos genéticos dos MEN2a e MEN1; alterações da puberdade e do crescimento e oftalmopatia de Graves. Recebeu a Medalha de Prata de Serviços Distintos atribuída pelo Ministério da Saúde, assim como a Medalha de Mérito da Ordem dos Médicos.

Sente-se muito satisfeito por ter criado a Endocrinologia em Coimbra e ter contribuído, em muitos campos, para a valorização da Endocrinologia Portuguesa.

Como alentejano que é, gosta muito de açorda alentejana e de enchidos de carnes de porco, assim como de bons vinhos tintos alentejanos (Tapada do Chaves) e de vinho do Porto (Tawnies envelhecidos). Amante da leitura, tem uma biblioteca com milhares de volumes, destacando autores como Júlio Diniz, Camilo, Eça, José Régio, Miguel Torga, José Saramago, Thomas Mann e Ernest Hemingway. Os desportos de que mais gosta são futebol, ténis e golf, apesar de nunca ter praticado “desporto a sério”. Apreciador de cinema e teatro, pertenceu à direção do Clube de Cinema de Coimbra e recomenda o filme “Gone with the Wind”. Gosta de música clássica e alguma moderna. As suas cidades preferidas são Paris e Berlim.

Conselho aos mais novos: “procurem ter uma boa formação em medicina interna e especialmente em cardiologia e neurologia”.

Luís

A Endocrinologia e Eu

A minha “estadia” em África
A pedido da minha amiga e colega Isabel do Carmo

José Luiz Medina

O serviço militar obrigatório começou no dia 12 de Setembro de 1966, com a entrada em Mafra, na Escola Prática de Infantaria (EPI). Um grupo de “mancebos” no qual me incluía, era constituído pelos colegas e amigos Cavadinha Gomes (cirurgia, já falecido), Ivo Campos (anestesia, já falecido), Ângelo Martins (Ortopedia) e eu. Combinámos levar um dos nossos carros, alternadamente (eram todos Fiat 600). O Fiat do Ivo deu problemas sempre que entrava de serviço (cambota partida, bloqueio de duas velocidades (viemos em terceira até ao Porto), furos). Os outros 3 carros portaram-se sempre bem e eram muito confortáveis (4 gigantes dentro de um Fiat 600!!!). Entrámos na EPI ao som de músicas marciais e começámos logo a receber peças do fardamento. No dia seguinte às 7h30, apresentação na parada. E assim por lá ficamos em instrução que nos permitisse não entrar na guerra, mas evitar a morte.

Terminada a estadia em Mafra, lá fomos nós para o Hospital da Estrela (Hospital Militar) acabar o “estágio”. Um dia, a meio de uma aula, apareceu um oficial que nos informou da necessidade de transferência de 3 formandos para a Força Aérea (FA). Feito o sorteio, aí vou eu transferido para a FA e colocado no Estado Maior, na Avenida da Liberdade, com alojamento na messe de Monsanto. Estava casado e já tinha uma filha, o que “pedia” uma transferência para o Norte. O Coronel-Médico Tender, irmão de um professor da Faculdade de Medicina do Porto, chamou-me ao seu gabinete para perguntar se eu queria ir para a Base Aérea nº7, em S. Jacinto; sempre estava mais perto do Porto. Logo no dia de chegada a S. Jacinto, fui levar ao HM do Porto um alferes-piloto que fez uma aterragem de emergência em Bragança.

Passei 4 meses na BA nº 7, no serviço de saúde cujo chefe era o capitão-médico Álvares, expoente máximo da simpatia. O diálogo do 2º dia foi este, “como o Medina é miliciano vem 2 dias/semana à Base mas se for necessário virá 3 dias. Mas por favor não faça como o seu colega anterior que matou a sogra 3 vezes para justificar a falta”. Foram uns meses deliciosos. A BA 7 era uma Base de preparação de pilotos nos aviões T6. Apenas tive que intervir uma vez por causa de uma aterragem de emergência de um T6, no lado de lá da ria de Aveiro. O procedimento habitual era a lancha da Base avançar para o meio da Ria para estar mais perto do acidente, se o avião caísse na água, o que não aconteceu.

Ao fim de 4 meses o Dr. Álvares, muito pesaroso, entrega-me um papel que dizia mais ou menos isto: “tem 10 dias para gozar porque vai para Moçambique e será colocado no Batalhão de Caçadores Páraquedistas nº 31”. E lá fui eu em avião DC6, com paragem em Guiné Bissau, Luanda, Lourenço Marques e Beira.

Bem recebido pelo comandante Coronel Argentino Urbano Seixas e pelo médico Dr. Madeira. Fazia consultas aos militares na Base e apoio médico às famílias. Na primeira ida para o norte (Cabo Delgado) fui médico de uma companhia de páraquedistas e estivemos em zona de guerra mês e meio (angololo). Fomos de fragata da Beira para Mocímboa da Praia e, depois de uma estadia de 4 dias, fomos de coluna militar escoltados por um pelotão do esquadrão de cavalaria e com protecção aérea, para Mueda “terra da Guerra”. Encontrei 2 amigos de longa data - o Afonso (mais tarde médico) e Pacheco (oficial de máquinas da Fragata). No final do tempo das operações regressámos à base em avião NordAtlas. E assim durante 2 anos, repetimos estas idas e vindas sem baixas ou com baixas.

Recordo que um dia vim a Loureço Marques trazer feridos graves. Fomos apanhados por uma tempestade tropical e julguei ser a última viagem da minha vida. As 50 pessoas a bordo ficaram a dever a vida ao comandante do NorAtlas - capitão piloto aviador Anselmo - que com a sua perícia e experiência levou-nos a bom porto. Esperavam-nos em Lourenço Marques o Dr. Branco da Força Aérea e o Dr. Serrano, cirurgião do exército (que era meu colega no Hospital São João).

Durante a minha permanência nesta Unidade fiz várias incursões e missões no Norte de Moçambique.  Aconteceram variadíssimas peripécias boas e más. Uma das piores foi a da operação Milhafre na qual tive que socorrer feridos graves, que por engano caíram na própria armadilha por eles montada. Percorri alguns quilómetros em mata cerrada e em território inimigo, acompanhado por 2 dos meus enfermeiros, até atingir o objectivo. Estabilizados os feridos, foram transportados em padiola improvisada até à picada, depois numa Berliet até à “pista” de Nangololo onde estava à nossa espera o “santo” helicóptero Allouete III que levou os feridos até Mueda e depois Nampula. Diga-se que o Allouete III das evacuações estava estacionado em Porto Amélia, a uma hora de vôo do teatro de operações.

Mais histórias haveria para contar...

Perfil

Perfil da Reunião Anual da SPEDM

Leone

No próximo mês de Fevereiro vai realizar-se a 73ª Reunião Anual da SPEDM que, desde 1980, se denomina Congresso Português de Endocrinologia.

Passou já por várias cidades como: Braga, Coimbra, Espinho, Funchal, Lisboa, Porto, Tróia, Vilamoura e até Amsterdão (em simultâneo com o Congresso Europeu em 1994).

O número de participantes tem vindo a aumentar ao longo dos anos, mas sobretudo o número de trabalhos tem vindo a crescer, sendo que nas edições mais recentes tem sido superior a 200. O ano de 2020 foi aquele em que se registou o record de participações científicas com 225 trabalhos apresentados.

Para além do intuito de dinamizar a actividade científica da Endocrinologia nacional e de proporcionar encontro entre os seus sócios, a SPEDM pugna para que o Congresso seja um momento de estreitamento de relações com colegas e Sociedades estrangeiras. Ao longo dos anos já se fizeram parcerias com várias Sociedades: com a Sociedade Espanhola de Endocrinologia e  Nutrição, com a Sociedade Belga de Endocrinologia, com a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, com a Associação Americana de Endocrinologistas Clínicos, com a Sociedade Europeia de Endocrinologia ou com a Sociedade Extemaña de Endocrinologia e Nutrição.

O Congresso e a sua estrutura têm vindo a modificar-se e a integrar novas componentes, que actualmente já não dispensamos. Por exemplo, os cursos pré-congresso tiveram início em 2010 e o fórum do Interno realizou-se pela primeira vez em 2013.

A já tradicional cerimónia de atribuição de prémios no último dia do Congresso pretende reconhecer o mérito e incentivar a excelência.

O momento mais difícil talvez tenha sido o Congresso de 2021 que, pelas circunstâncias sanitárias que todos conhecemos, teve que ser organizado sob formato virtual. A organização do Congresso de 2022, pelos mesmos motivos, também traz desafios acrescidos.

Espera-se que o Congresso da SPEDM se mantenha como ponto de encontro anual de Endocrinologistas de todo o país e que seja sempre uma efeméride científica relevante.

Espaço do Interno

Daniel Macedo, Hospital da Luz Lisboa
Mariana Lavrador, Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra

Interno 1 Interno 2

O Fórum do Interno e Jovem Endocrinologista foi criado em 2012 com o objetivo de dinamizar atividades clínicas e científicas junto dos internos e recém-especialistas, estreitando as relações entre estes e a SPEDM.

O mandato 2021/2022 conta com uma equipa renovada e motivada para continuar o excelente trabalho até então conseguido pelos colegas que nos antecederam.

Fazem parte da Comissão Executiva: Daniel Macedo (Hospital da Luz Lisboa); Sara Donato (IPO de Lisboa); Joana Simões Pereira (IPO de Lisboa). Da Comissão Regional, fazem parte Juliana Sá (Hospital de Braga) (representante da Região Norte); Mariana Lavrador (Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra) (representante da Região Centro); Sara Amaral (Centro Hospitalar Lisboa Central) (representante da Região Sul e Ilhas).

O nosso objetivo é retomar o mais brevemente possível, a proximidade entre os internos e jovens especialistas que, como sabemos, é tão desejada e profícua.

Teremos a nossa primeira atividade no Congresso Português de Endocrinologia 2022 – 73ª Reunião Anual da SPEDM. Este Fórum do Interno terá como tema principal as “Diferentes Perspetivas na Endocrinologia” e esperamos contar com as distintas presenças da Claúdia Matta-Coelho que abordará a “Endocrinologia Além-Fronteiras”, focando-se na prática clínica e académica no estrangeiro; do Hélder Simões que se debruçará sobre “Endocrinologia & Intervenção em Tiróide”, nomeadamente as novas técnicas de abordagem minimamente invasiva de nódulos da tiróide; e da Gesthimani Mintziori que irá abordar a “Endocrinologia & Medicina da Reprodução”, particularmente o papel fundamental do endocrinologista em Centros de Procriação Medicamente Assistida.

A segunda atividade desenvolvida e cuja data será revelada brevemente é o Webinar "Perguntas e Respostas sobre o Novo Exame Final de Endocrinologia e Nutrição". Será uma apresentação via Zoom, para que todos possam colocar as suas dúvidas e questões, e contará com a presença do Colégio da Especialidade e da Direção da SPEDM. 

Por fim, criámos também um endereço de e-mail, com vista a facilitar o contacto e proximidade entre todos os colegas – foruminternoendocrinologia@gmail.com.

Em caso de dúvidas e sugestões, não hesites!

Endocrinologia pelo País:
Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra

Serviço

Legenda (da frente para trás e da esquerda para a direita):
1ª fila – Luísa Barros; Leonor Gomes; Isabel Paiva; Cristina Ribeiro; Luísa Ruas
2ª fila – Ana Sofia Lopes; Mara Ventura; Miguel Melo; Patrícia Oliveira; Carla Baptista; Sandra Paiva
3ª fila – Luís Miguel Cardoso; Inês Vieira; Barbara Araújo; Cátia Araújo; Dírcea Rodrigues; Carolina Moreno; Joana Saraiva
4ª fila – Mafalda Ferreira; Ana Luís Carreira; Diana Catarino; Mariana Lavrador; Lúcia Fadiga

Servico

Nome do Serviço: Serviço de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra

Ano de fundação: 1974

Diretora do Serviço: Isabel Paiva

Número de especialistas: 13

Internos-Especialistas: 2

Número de Internos: 12

Outros profissionais de saúde: 25 enfermeiros, 6 assistentes técnicas, 11 assistentes operacionais

Principais áreas de diferenciação:
Diabetes, nomeadamente a Diabetes Tipo 1 (primeiro centro público de PSCI, tendo atualmente 320 doentes em seguimento) e Diabetes e Gravidez; Patologia Tiroideia (oncologia da tiróide; diferenciação em ecografia e punção aspirativa ecoguiada); Patologia Tumoral Hipofisária; Patologia Tumoral Suprarrenal; Obesidade (integração em Unidade de Tratamento Cirúrgico da Obesidade); Incongruência de género (primeiro centro de referência nacional) e patologias do comportamento alimentar.

Principais desafios no dia-a-dia: Dar resposta atempada aos pedidos de 1ªs consultas, manter a acessibilidade aos doentes em seguimento e conjugar a atividade clínica com a investigação e a docência.

Breve resumo do ano anterior: 2021 caracterizou-se por um início de alto stresse e esforço de realização, motivados pela 3ª vaga COVID: quatro dos nossos Especialistas e duas Internas foram alocados a Enfermarias COVID durante 15 dias cada, de janeiro a março. Em 2021, o Serviço distribuiu a sua atividade pelas diferentes áreas: Internamento com 13 camas (395 doentes internados); Hospital de Dia (2026 sessões), Consulta Externa (19826 consultas, sendo 4200 primeiras), Residência e Prevenção diariamente das 9h-21h. Durante todo o ano, mantendo estreita vigilância das normas da DGS, fomos retomando a atividade clínica normal, com recuperação das consultas presenciais (de cerca de 73% do total em 2020, passaram a 86% em 2021), dos internamentos programados, das ecografias e punções aspirativas da tiroide, e das sessões de Hospital de Dia (dados referidos acima). As Internas retomaram o plano normal de estágios e de atividades clínicas e curriculares, bem como a produção científica. Foram realizadas as 25ªs Jornadas de Endocrinologia e Diabetes de Coimbra e uma edição da Escola de Diabetes de Coimbra (formato virtual).

Projetos para o futuro: Expandir as áreas de especial diferenciação, desenvolver a investigação clínica e translacional e participar nos Centros de Referência Europeus - ERN - em patologia tumoral tiroideia, hipofisária e suprarrenal.

EndocrinArte

Elizabete Geraldes
Ex-Chefe de Serviço no Serviço de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo do Centro Hospitalar Universitário de Coimbra; Responsável pela Consulta de Endocrinologia no Hospital da Misericórdia da Mealhada

Olá amigo Lima Reis,

Foi com estas palavras que respondeste a um e-mail meu sobre uma lista de pinturas caras leiloadas em Londres e Nova York…demonstrando um pendor social (humanista) perante a arte pictórica que nos apaixona e nos tem levado a enriquecedora troca de opiniões.

Arte
Figura – “Avestruzes Bailarinas”, Paula Rego (1995)

“Nenhum deles vale o bem-estar de uma família com filhos e, no entanto, aí estão para lavar dinheiro ou enaltecer o ego. Não dava dez tostões por nenhum deles embora me considere um amante de arte e sobretudo de pintura. Pergunto-me sempre quantas crianças esfomeadas passariam a anjinhos de Rubens e quantos pintores incógnitos que não desdenharia de mostrar nas paredes de minha casa teriam oportunidade de sobreviver?! Vivemos num mundo cão.”

Foi através da pintura que o Lima Reis me falou do contacto com as letras e livros através da mãe que tinha livros ilustrados por Gustave Doré. Foi por seu estímulo que aprofundei o estudo da História da Arte (hoje facilitada pela Net), assistindo virtualmente a excelentes conferências editadas pelos grandes museus mundiais e aulas por historiadores, especialmente brasileiros.  O que leva os médicos a apaixonarem-se pelas artes, nomeadamente a pictórica? Será treinarem a semiologia perante “Las meninas” em que Diego Velázquez apresenta na primeira fila uma mulher acrondoplásica e um rapaz com nanismo hipofisário? Será as “Avestruzes Bailarinas” de Paula Rego sugestivas de hiperplasia da supra-renal? Será um tumor virilizante retratado por José de Ribera “La Mujer Barbuda” em que há referência à morte da personagem retratada passados três meses após a execução da pintura? Será o drama do aborto espontâneo retratado por Frida Kahlo?

Lima Reis, será por isto que a nossa classe adora a pintura?

Mas, além da pintura, sei que adoras as letras como provaste com livros publicados com títulos estimulantes “As Confidências da Bola de Cristal e Outras Histórias Assim”, “O Estranho Caso do Testículo Desautorizado e Outras Histórias Médicas”, “O Estranho Caso da Mulher Assanhada”, “A Lenda do Cavalo Branco E Outras Histórias Médicas” e outros livros sobre Nutrição e crónicas em jornais. Deixo aqui um excerto de uma deliciosa crónica que enviaste:          

“Quando as bocas são mais do que olhos.” (originalmente publicado em 2018)

- Tenho quinze bocas para comer. Quinze!

Eu, à distância, encostado ao tronco da cerejeira velha a ouvir apenas uma.

(…)

Quinze bocas, um monstro, um sorvedouro de almoços, merendas e ceias. Uma criatura atroz e insaciável tirada de pesadelos inimagináveis.

Pensava eu.

Onde esconderia ele as catorze que eu não via, que coro fariam quando pediam pão?

- O mais que posso fazer-lhe é empregar uma e pagar-lhe o que lhe pago a si.

- Empregue-me as gémeas e fique com elas pelo preço de uma.

O pai, que sim, que ficava, que as mandasse na próxima segunda-feira pela manhã

(…)

Quando entrei, sentado num banco e agitando a mão direita como quem rege o discurso, o pai contava a conversa que tivera com o caseiro e a mãe, de pé, encostada à banca ouvia-o com atenção, tanta que, quando tentei tornar-me também objecto dela, encostou o indicador à ponta do nariz dissuadindo-me.

Calado como um rato, fiquei a saber que o caseiro perdera as duas bocas que a mãe ganhara para juntar às que já tinha e que o pai só pagaria o trabalho de uma embora obtivesse mais quatro braços para auxiliar nas tarefas caseiras. Por outro lado o caseiro ficava com treze bocas para dar de comer e o dobro do ordenado para poder fazê-lo.

Como matemático aprendiz concluí através da conversa que, desse modo, as oito sardinhas que o senhor António costumava comprar para o almoço da família e das quais cabiam uma a ele e meia a todos os restantes, poderiam passar agora a ser dezasseis para treze bocas. As outras duas, as da Ana e da Lurdes, nascidas da mesma fornada com escassos minutos de intervalo e muito difíceis de distinguir fisicamente, passaram a comer em nossa casa por alguns anos com fome gémea e alegria tamanha.

Com a presença delas, dos seus relatos sinceros de meninas criadas com fome matada com honradez e do genuíno espanto com que se integravam numa existência diferente, aprendi muito para além do que nos transmite Van Gog na obra que se convencionou designar singelamente por comedores de batatas e percebi também o que significa para um pai ter em casa quinze bocas para comer e um corpo apenas para as sustentar.

As tuas imagens recordam-me o filme de Roberto Benigni “A Vida é Bela”. Um retrato de amor e sobrevivência.

Abraço amigo de Elizabete Geraldes               

EndoQuizz

Jorge Dores, Centro Hospitalar e Universitário do Porto

História da Endocrinologia

Na história da Endocrinologia, existem datas marcantes que revolucionaram o tratamento das pessoas com falência glandular endócrina, melhorando drasticamente a sua qualidade e esperança de vida, justificando a atribuição de diversos prémios Nobel aos seus investigadores. Sobre estes marcos históricos que se associaram aos primeiros sucessos terapêuticos na terapêutica humana de reposição hormonal, encontre a afirmação falsa:

Verdadeira
Verdadeira
Falsa
Verdadeira
Verdadeira

1Benedek TG. History of the development of corticosteroid therapy. Clin Exp Rheumatol 2011; 29 (Suppl. 68): S5-S12.

2Lindholm J Laurberg P. Hypothyroidism and Thyroid Substitution: Historical Aspects. Journal of Thyroid Research Volume 2011,

3Quianzon CC, Cheikh I. History of insulin. Journal of Community Hospital Internal Medicine Perspectives 2012.

4Raben MS. Treatment of a pituitary dwarf with human growth hormone, The Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, Volume 18, Issue 8, 1 August 1958, Pages 901–903.

5Valenti G, Tamma G. History of Diabetes Insipidus. G Ital Nefrol 2016; 33 (S66)

Informações aos Sócios

CONGRESSO NACIONAL DA SPEDM: 73ª Reunião Anual da SPEDM – 3 a 6 de Fevereiro de 2022 (Vilamoura)

Perante tempos difíceis e incertos como os atuais e após uma ponderada reflexão, a SPEDM decidiu manter o seu Congresso presencial e na data previamente agendada. Esperamos contar com a presença de todos os sócios e que seja uma reunião cientificamente enriquecedora.

Calendário de Eventos

Nacionais/Internacionais
Janeiro

31 de janeiro 2022 - Data-limite para submissão de resumos para o European Congress of Endocrinology (ECE 2022).

Fevereiro

3 a 5 fevereiro 2022 - Congresso Português de Endocrinologia/73ª Reunião Anual da SPEDM
Centro de Congressos do Algarve, Vilamoura

https://www.spedm2022.pt/

7 a 19 fevereiro 2022 - International Conference on Fatty Liver (ICFL 2022) Vienna, Austria

https://icfl.kenes.com/

Março

8 a 11 março 2022 - ATTD 2022 - International Conference on Advanced Technologies and Treatments for Diabetes
Early Registration Deadline: 10 Janeiro 2022
Paris, França/ online

https://attd.kenes.com/

10 a 12 Março 2022 - 18º Congresso Português de Diabetes
Centro de Congressos do Algarve, Vilamoura

www.diabetologia2022.com

23 a 26 março 2022 - 45th Symposium on Hormones and Cell Regulation
Topic: Sex and Signaling: The molecular basis of sex and gender medicine.
Deadline para submissão de resumos: 3 Janeiro 2022
Mont Ste Odile, França

https://www.hormones-cell-regulation.eu/

Abril

1 de abril 2022 - Data-limite para submissão de resumos para 58th Annual Meeting European Association for the Study of Diabetes (EASD).