Presidente

Mensagem Presidente SPEDM

Presidente

Queridos colegas e amigos

É com uma enorme satisfação que me dirijo a todos os sócios da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo (SPEDM) através deste novo modo de comunicar entre nós: a newsletter Endocrinologista.

A atual direção da SPEDM a que tenho a honra de presidir identificou como um dos seus objetivos para o mandato 2021 – 2023 envolver mais os sócios... todos os sócios.

Queremos que os sócios se revejam na Sociedade como sendo esta, também, a sua casa. Queremos envolvê-los num projecto comum. Num projeto onde haja lugar para todos.

Para médicos e para não médicos, para clínicos e para investigadores, para internos e para endocrinologistas já retirados do Serviço público, mas com provas dadas e com um capital de sabedoria e conhecimento que é importante destacar e partilhar.

Esta Newsletter que hoje segue para todos vós, sócios da SPEDM, ilustra também um dos outros objectivos da direção para este mandato: o investimento na comunicação, neste caso entre nós.

Espero que seja do vosso agrado este figurino que criámos para o Endocrinologista, que pretende tornar-se numa leitura agradável e da qual comecem a sentir a falta.Uma palavra para agradecer o empenho, a generosidade e a forma tão amável e amiga como todos responderam a este desafio e colaboraram neste projecto.

Falta agora a colaboração de todos vós para que as próximas newsletters sejam ainda melhores e que vão cada vez mais ao encontro de todos.

Acredito que vamos ter um ano fantástico pela frente.

Contamos convosco… contem connosco!

Mensagem Equipa Editorial

Maria Joana Santos, Editora Chefe, Hospital de Braga

Equipa

Caros colegas, é com muito gosto que vos damos as boas-vindas ao 1º número da newsletter Endocrinologista!Nestes tempos de distanciamento físico, queremos ser um espaço de encontro, fortalecer o sentimento de pertença à nossa Especialidade e Sociedade e dar a conhecer quem são, onde estão e o que fazem os endocrinologistas portugueses.

A newsletter terá uma periodicidade trimestral e terá várias secções.

Para primeiro “Tema de Capa” decidimos assinalar o 100º aniversário da insulina, hormona fundamental para todos os endocrinologistas e que tem evoluído muitíssimo nos últimos anos. Quisemos olhar não só para o seu passado mas, acima de tudo, para o que o futuro nos poderá trazer. Para isso, convidámos 2 jovens endocrinologistas que muito têm trabalhado com doentes com diabetes tipo 1, os que mais necessitam e têm usufruído dos avanços científicos nesta área. Quisemos também saber como a ciência portuguesa tem contribuído para o avanço da insulinoterapia, com investigadores do i3S.

A secção “Sugestões de Leitura” pretende reconhecer o trabalho científico da endocrinologia portuguesa, mostrando algumas das suas, felizmente, já muitas, publicações científicas. A escolha é feita por membros da equipa editorial, com base em motores de pesquisa internacionais. Daremos, também, destaque, a 1 artigo publicado na Revista da SPEDM.

A “Endocrinologia e eu” será uma secção dedicada a reflexões por endocrinologistas séniores; a secção “Perfil” tem por objetivo dar a conhecer carreiras e percursos profissionais diferentes e de sucesso e o “Canto do Interno” pretende mostrar estágios ou experiências diferenciadoras dos nossos internos e inspirar os colegas mais novos.

A “Endocrinologia pelo País” é uma rubrica que nos permitirá conhecer melhor o trabalho dos serviços de Endocrinologia, cada vez mais numerosos e mais dispersos pelo país.

Queremos também testar os nossos conhecimentos endócrinos com uma “EndoQuizz” e uma “Pergunta ao especialista” e aumentar a nossa cultura geral no “EndocrinArte”.

Gostaria de agradecer a toda a equipa editorial, pela disponibilidade imediata para se juntarem a este projeto e dar nota de que o Editor Interno, será um cargo de rotação anual, para o qual qualquer interno de Endocrinologia se poderá candidatar.

Um agradecimento especial também a todos os colegas que aceitaram o nosso convite para este primeiro número e, em tão pouco tempo, tornaram possível o arranque deste projeto.

Estamos disponíveis para publicar eventuais Cartas ao Editor, assim como para receber as vossas sugestões e comentários em newsletter@spedm.pt. Contamos convosco! Boas leituras e boas férias!

Equipa Editorial

Da esquerda para a direita, de cima para baixo:

Editora-Chefe: Maria Joana Santos, Hospital de Braga

Editora Representante da Direção da SPEDM: Mafalda Marcelino, Hospital das Forças Armadas

Editora Sénior: Isabel do Carmo, Faculdade de Medicina de Lisboa

Editora Clínica: Raquel Martins, Serviço de Endocrinologia, Instituto Português de Oncologia de Coimbra Francisco Gentil

Editora Investigadora: Paula Soares, Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, I3S - Instituto de Investigação e Inovação em Saúde, Ipatimup - Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto.

Editora RPEDM: Paula Freitas, Centro Hospitalar e Universitário de São João, Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, I3S - Instituto de Investigação e Inovação em Saúde

Editora Interna Endocrinologia: Juliana Marques-Sá. Interna de Formação Específica, Hospital de Braga

Iniciativas SPEDM

Censos na Endocrinologia
A SPEDM tomou a iniciativa de desenvolver uns censos, com o objetivo de conhecer melhor os seus sócios. Apelamos e agradecemos a participação de todos!
Participar
Participação no whitepaper da ESE
A SPEDM juntou-se à ESE na criação do primeiro Livro Branco sobre Endocrinologia intitulado “ESE White Paper Hormones in European Health Policies: How endocrinologists can contribute towards a healthier Europe." Os temas em destaque são os disruptores endócrinos, obesidade, doenças endócrinas raras e cancro e endocrinologia.
Leia mais aqui
Criação de novas plataformas nas redes sociais
A SPEDM decidiu marcar presença em novas redes sociais, de forma a comunicar ativamente com os seus sócios e com a população geral. Para além do facebook, a SPEDM já está no Instagram.
@spedm.pt

Sugestões de Leitura

_Artigo da revista SPEDM:
Novel Clusters of Type 2 Diabetes:
A Tailored Therapeutic Approach

Vitória Duarte, Catarina Ivo, David Verissimo, João Silva, Luís Lopes, Dolores Passos, João Jácome de Castro e Mafalda Marcelino

Rev Port Endocrinol Diabetes Metab. 2020;15(3-4)

A diabetes tipo 2 é uma doença heterogénea, sendo o conhecimento da sua etiopatogenia ainda incompleto e a subclassificação em diferentes clusters baseados em três variáveis (presença de anticorpos GAD, idade ao diagnóstico e IMC) pode permitir uma terapêutica mais personalizada, representando, portanto, um primeiro passo em direção à medicina de precisão nesta complexa doença.

Vitoria
Vitória Duarte, Interna de Formação Específica de Endocrinologia, Hospital das Forças Armadas

_Outras Publicações

1_Increased Hepatic Fat Content in Patients with Resistance to Thyroid Hormone Beta.

Chaves C, Bruinstroop E, Refetoff S, Yen P, Anselmo J.

Thyroid. 2021 Feb 19. doi: 10.1089/thy.2020.0651.


Sabendo-se do papel das hormonas tireoideias no controle do metabolismo lipídico hepático, os autores colocaram a hipótese de que indivíduos com mutações no gene THRB, poderiam ter um aumento esteatose hepática.

O estudo baseou-se numa família com portadores da mutação R243Q do gene THRB (n = 21) e em familiares sem mutação - WT (n = 22) usando elastografia hepática transitória. Verificou-se que o conteúdo de gordura hepática estava aumentado, assim como os níveis circulantes de ácidos gordos, em indivíduos com mutação em comparação com os seus familiares WT. O estudo sugere que deficiências na sinalização intra-hepática do TRβ podem levar à esteatose hepática, e novas abordagens terapêuticas devam ser consideradas.

Carolina
Carolina Chaves, Interna de Formação Específica de Endocrinologia, Hospital do Divino Espírito Santo, Açores

2_ Gut microbiota changes after metabolic surgery in adult diabetic patients with mild obesity: a randomised controlled trial.

Lau E, Belda E, Picq P, Carvalho D, Ferreira-Magalhães M, Silva MM, Barroso I, Correia F, Vaz CP, Miranda I, Barbosa A, Clément K, Doré J, Freitas P, Prifti E.

Diabetol Metab Syndr. 2021 May 21;13(1):56. doi: 10.1186/s13098-021-00672-1.

Neste ensaio clínico randomizado controlado aberto, com 2 braços (cirúrgico e médico), o objetivo foi avaliar a associação entre as alterações da microbiota intestinal e as alterações metabólicas após cirurgia metabólica numa população de pessoas com diabetes tipo 2 e obesidade grau 1. Após 12 meses, a percentagem de perda de peso foi de 25,5%vs4,9% (p<0,001) e A1c foi de 6,2%vs7,7% (p<0,001) para os doentes submetidos a bypass gástrico, comparativamente à otimização do tratamento médico (TM). Observou-se um aumento contínuo da diversidade bacteriana nos doentes submetidos a cirurgia, contrariamente ao grupo TM, em que a diversidade bacteriana foi significativamente menor. Verificou-se uma associação entre melhoria dos biomarcadores antropométricos, metabólicos, inflamatórios e aumento da riqueza microbiana e aumento das linhagens de proteobacterianas. A melhoria fenotípica após a cirurgia ocorreu concomitantemente com alterações na microbiota intestinal.

Eva
Eva Lau, Clinical Research Physician - Departamento Médico Lilly.

3_ Efficacy of a Salt Iodization Program on Iodine Status and Intakes in Schoolchildren of São Miguel Island, Azores, Portugal.

Moniz CS, Carvalho R, Prazeres S, Limbert E, Mendes I, César R.

Eur Thyroid J. 2021 Apr;10(2):109-113. doi: 10.1159/000511055. Epub 2020 Oct 9.

A SPEDM tem-se debruçado sobre a avaliação dos níveis de iodo em segmentos específicos da população, designadamente em crianças e grávidas. Num estudo prévio constatou-se que o nível médio de concentração urinária de iodo (mUIC) em crianças em idade escolar de São Miguel era demasiado baixo, tendo sido implementado um programa de iodação do sal para normalizar os níveis deste micronutriente. No presente estudo avaliou-se o mUIC em 362 alunos de São Miguel e cinco anos após a implementação do programa de iodação do sal, o mUIC aumentou significativamente, confirmando a eficácia das medidas adotadas em populações escolares.

Catarina
Catarina Senra Moniz, Hospital do Divino Espírito Santo Ponta Delgada.

4_Identification of Genetic Variants in 65 Obesity Related Genes in a Cohort of Portuguese Obese Individuals.

Ginete C, Serrasqueiro B, Silva-Nunes J, Veiga L, Brito M.

Genes (Basel). 2021 Apr 19;12(4):603. doi: 10.3390/genes12040603.

A obesidade tem um forte componente genético que se interrelaciona com fatores do ambiente. Vários genes foram implicados na complexa regulação do peso.A identificação de alelos que possam estar associados com a obesidade pode ser um elemento-chave para melhor perceber a etiologia, a patofisiologia e o seu controlo. Neste trabalho numa população portuguesa com obesidade, 65 genes relacionados com a obesidade foram sequenciados para tentar identificar variantes associadas a obesidade monogénica e potenciais fatores de risco. Foram identificadas um total de 429 variantes (129 das quais já previamente associadas ao fenótipo), 23 potenciais variantes de risco e 6 novas variantes em portadores heterozigóticos.

José
José Silva Nunes, Serviço de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo do Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central. NOVA Medical School - Universidade Nova de Lisboa

5_Monogenic diabetes characteristics in a transnational multicenter study from Mediterranean countries.

Vaxillaire M, Bonnefond A, Liatis S, Ben Salem Hachmi L, Jotic A, Boissel M, Gaget S, Durand E, Vaillant E, Derhourhi M, Canouil M, Larcher N, Allegaert F, Medlej R, Chadli A, Belhadj A, Chaieb M, Raposo JF, Ilkova H, Loizou D, Lalic N, Vassallo J, Marre M, Froguel P; MODY-MGSD Study Group.

Diabetes Res Clin Pract. 2021 Jan;171:108553. doi: 10.1016/j.diabres.2020.108553. Epub 2020 Nov 24.

Neste estudo internacional promovido pelo Mediterranean Group for the Study of Diabetes, pretendeu-se identificar, através de sequenciação de exoma, casos de diabetes monogénica entre adultos jovens de países mediterrânicos, e avaliar especificidades dos diferentes países. As taxas de diagnóstico genético variaram entre os vários países (16,7% em Portugal) e foram identificadas 14 novas variantes patogénicas ou provavelmente patogénicas. Menor índice de massa corporal, valores inferiores de HbA1c e tratamento menos frequente com insulina associaram-se ao diagnóstico de diabetes monogénica. Em vários doentes, o diagnóstico genético teve implicações terapêuticas.

Vitoria
João Filipe Raposo, APDP-Diabetes Portugal e Nova Medical School/Faculdade de Ciências Médicas
Aniversário

O futuro da insulinoterapia:
Da prevenção às novas insulinas

(César Esteves, Hospital da Luz)

O futuro da insulinoterapia:
Tecnologia na Diabetes

(Sofia Teixeira, Centro Hospitalar Universitário do Porto)

O futuro da insulinoterapia:
Investigação tecnológica

(Cláudia Azevedo, i3S - Universidade do Porto
Bruno Sarmento, i3S - Universidade do Porto)

O futuro da insulinoterapia:
Da prevenção às novas insulinas

César Esteves, Hospital da Luz

Imagem

A diabetes mellitus é uma das doenças crónicas mais prevalentes a nível global e a sua incidência tem vindo a aumentar.

O enorme impacto social da diabetes motivou a investigação de novas estratégias de prevenção e tratamento.

As estratégias atualmente disponíveis de transplante de pâncreas ou de ilhotas pancreáticas permitem obter remissão, mas com necessidade de imunossupressão para a vida, estando reservado para indivíduos com história de crise hiperglicémica ou hipoglicemia grave recorrentes e que estejam em lista para transplante renal.

Nos últimos anos, o surgimento de novas moléculas de imunoterapia para o tratamento de doenças inflamatórias e autoimunes abriu novas portas para a obtenção de um regime que permita reverter ou atrasar a progressão da diabetes tipo 1.

Podemos classificar as estratégias de prevenção da diabetes mellitus tipo 1 em:

1) prevenção primária, que é aplicada em indivíduos de risco antes do surgimento de autoanticorpos;

2) prevenção secundária, em indivíduos que apresentam autoanticorpos ou nas fases iniciais de disglicemia, nos quais o objetivo é suspender ou atrasar a destruição das células β;

3) prevenção terciária, em indivíduos que já apresentam diabetes, com intuito de induzir e prolongar uma remissão parcial.

A natureza autoimune da diabetes mellitus tipo 1 abre a possibilidade para terapias imunológicas na sua prevenção. Porém, as dúvidas persistentes relativamente às complexas interações genética - ambiente - imunorregulação tornaram a investigação sobre a prevenção da diabetes tipo 1 particularmente complexa. Alguns autores sugerem que a prevenção da diabetes tipo 1 irá passar não por uma intervenção simples mas por um programa de prevenção com várias intervenções. Na prevenção primária, a administração de insulina por via oral continua a prometer algum impacto na prevenção. Na prevenção secundária, a insulina intra-nasal demonstrou impacto no sistema imune, no entanto sem impacto na prevenção da diabetes. É de realçar o potencial que a administração de teplizumab (anti-CD3) tem no atraso da progressão para diabetes.

Mesmo que não seja possível evitar por completo o seu surgimento, o atraso do diagnóstico para uma idade mais avançada permitiria reduzir o enorme impacto que esta doença tem em idade pediátrica. Ainda na prevenção secundária, encontram-se em curso ensaios clínicos com hidroxicloroquina e golimumab (anti-TNF-α). A fase 3 da prevenção é a mais estudada, com documentação de remissão parcial e temporária induzida por imunossupressores como a associação de azatioprina e prednisona ou a ciclosporina, porém com surgimento de eventos adversos. O teplizumab e o abatacept também mostraram benefício na indução de remissão parcial. Obtiveram-se também melhorias na função da célula β com o recurso a globulina anti-timócito e sitagliptina. O uso de estratégias de modulação das células T reguladoras também é uma estratégia em investigação, com o recurso a infusão de células policlonais e aldesleucina (IL-2 recombinante).

Nas últimas décadas, o surgimento dos análogos de insulina revolucionou o tratamento da diabetes, com a entrega mais fisiológica de insulina, melhoria do controlo metabólico e redução do risco de hipoglicemia, particularmente na diabetes tipo 1. Mais recentemente, e na era da monitorização contínua da glicose intersticial, o lançamento dos análogos de insulina ultra-rápida (ie Fiasp e Lyumjev) deram resposta à necessidade de melhorar a variabilidade glicémica, com melhor controlo da glicemia pós-prandial e redução do risco de hipoglicemia. Por outro lado, a maior comodidade na administração dos bólus de insulina integra-se nas necessidades das pessoas com diabetes.

Os análogos de insulina basal de segunda geração (ie Toujeo e Tresiba) também estão a permitir uma maior estabilidade do controlo metabólico e maior comodidade no que diz respeito ao número de administrações e hora da toma. Em 2020, foram publicados os dados relativos a um ensaio clínico de fase 2 que comparou a utilização de insulina glargina com a insulina icodec em pessoas com diabetes tipo 2. Trata-se de uma insulina de administração semanal que, nesta publicação, demonstrou ter um perfil de eficácia e segurança semelhante à glargina. No entanto, as suas características farmacocinéticas tornam-na valiosa para indivíduos que possam ter dificuldade na aceitação ou na execução do tratamento.

Encontram-se em investigação novos análogos de insulina, “inteligentes” e intrinsecamente responsivos à glicose. Esta característica obtém-se através da introdução de motivos proteicos que, na ausência de glicose deixam a molécula inativa e, na presença de monossacarídeos induzem alterações conformacionais que tornam a molécula ativa. Também estão em investigação insulinas complexadas com outras moléculas que afetam a depuração da insulina ou a ligação ao seu receptor. As insulinas «inteligentes» prometem.

Em suma, a investigação sobre a imunoterapia e as novas moléculas de insulina encontra-se numa fase muito ativa e promete melhorar a vida das pessoas com diabetes, tanto pela via da prevenção como pela da redução do fardo associado ao tratamento.

O futuro da insulinoterapia:
Da prevenção às novas insulinas

Sofia Teixeira, Centro Hospitalar Universitário do Porto

Sofia

A descoberta da insulina marcou o início de uma expedição que tem sido repleta de conquistas impactantes para as pessoas com diabetes. O caminho, nestes últimos 100 anos, foi no sentido de desenvolver tecnologia capaz de manter

a normoglicemia de forma automática e independente da pessoa com diabetes ou do seu cuidador, ou seja, reduzindo o impacto que a gestão da diabetes tem no dia-a-dia da pessoa com diabetes e das famílias. E estamos cada vez mais perto.

Em 2021, assistimos, em Portugal, à aprovação do primeiro sistema híbrido de ansa fechada, um modelo de 2a geração de pâncreas artificial. Este sistema combina um dispositivo de perfusão subcutânea contínua de insulina, vulgarmente conhecido, em Portugal, por bomba de insulina, com um sistema de monitorização contínua da glicose intersticial, em tempo real, e um algoritmo que ajusta automaticamente a administração de insulina basal ao longo das 24h e, por isso, a sua designação de sistema de ansa fechada. O algoritmo tem também a capacidade de efetuar bólus de correção automáticos, mas mantém a necessidade de administração manual do bólus prandial, donde advém a sua designação de sistema híbrido.

É interessante notar que a discussão sobre o futuro tecnológico da diabetes está intimamente dependente da região geográfica onde nos encontramos. O primeiro sistema híbrido de ansa fechada foi aprovado, em 2016, nos EUA. Desde então, temos assistido ao desenvolvimento de novos sistemas híbridos de ansa fechada, que diferem pelo tipo de hardware utilizado (bomba de insulina e sensor) e pelo software empregado (algoritmo). Atualmente, estão disponíveis e em comercialização, em várias partes do Mundo, quatro sistemas deste género e todos estão associados a melhoria significativa do controlo glicémico e da qualidade de vida.

Então, o que é que o futuro reserva para as pessoas com diabetes? A automatização completa da administração de insulina e quiçá de outras hormonas. O caminho para lá chegar obrigará ao desenvolvimento de insulinas mais rápidas, administradas por via subcutânea ou por outras vias; de algoritmos mais inteligentes, por exemplo, através da integração de dados obtidos através de wearables, como a frequência cardíaca, permitindo detetar a realização de atividade física mais precocemente; e de sensores mais precisos e com menor tempo de atraso.

Em paralelo, o futuro reserva também menos intrusão para a pessoa com diabetes, através de desenvolvimento de bombas de insulina e de sensores mais pequenos (exemplo, Tandem t:sport®, Freestyle Libre 3® e Dexcom G7®); ampliação do tempo de duração dos conjuntos de infusão e dos sensores; desenvolvimento de dispositivos para administração conjunta de insulina e medição da glicose, reduzindo o número de punções a que a pessoa com diabetes está sujeita; evolução dos sistemas de monitorização da glicose não invasivos (exemplo, tatuagem/penso transdérmico) e dos dispositivos para administração subcutânea de insulina para formas também cada vez menos invasivas (exemplo, microagulhas); evolução dos interfaces permitindo o controlo remoto da administração automática de insulina através de aplicações no smartphone; e ampliação dos dispositivos interoperáveis, permitindo à pessoa com diabetes personalizar o seu próprio sistema de ansa fechada automático.

A meio do caminho para a automatização completa, o futuro trará, para Portugal, as canetas de insulina com conetividade bluetooth, já disponíveis noutras partes do Mundo, mas que, em breve, serão acopladas a algoritmos inteligentes, que permitirão um nível híbrido de automatização; e as aplicações para determinação do conteúdo das refeições através de uma fotografia, nomeadamente, da quantidade de hidratos de carbono presentes no prato, os chamados food scanners, tão úteis na fase de automatização híbrida em que nos encontramos (ou até mesmo antes).

É importante notar que todos os desenvolvimentos tecnológicos esperados para os próximos anos são baseados na premissa da necessidade de administração exógena de insulina. Contudo, a evolução tecnológica também tem seguido um caminho paralelo que visa a independência insulínica através da terapia celular e/ou da terapia génica. Desde 2014, é possível obter, em laboratório, células funcionantes dos ilhéus pancreáticos (células beta, alfa e delta) a partir de células pluripotenciais (embrionárias ou induzidas; estas últimas contornando as questões éticas subjacentes à utilização das células embrionárias) ou transdiferenciar células não beta, por exemplo, através de células do pâncreas, fígado, ou células gastrointestinais, em células produtoras de insulina. No futuro, espera-se garantir a segurança da terapia celular através de: a) criação de linhas celulares seguras, para a qual a terapia génica têm um papel essencial; b) purificação das células obtidas, por exemplo, através da identificação de marcadores celulares que permitam distinguir as células “desejadas” das “não desejadas” antes da transplantação; e/ou c) encapsulação das células transplantadas. Esta última via poderá contornar simultaneamente a questão imunológica subjacente à diabetes tipo 1, sem necessidade de terapia imunossupressora. Contudo, também, a terapia celular e génica terão um papel marcante na restituição da tolerância imunológica.

Em suma, o futuro promete a cura da diabetes!

O futuro da insulinoterapia:
Investigação tecnológica

Cláudia Azevedo, i3S - Universidade do Porto
Bruno Sarmento, i3S - Universidade do Porto

Claudia
Bruno

Diabetes mellitus (DM) é uma doença metabólica, crônica e prevalente. Em Portugal, a taxa de prevalência da Diabetes é superior a 13,5% [1], sendo que este número tem vindo a aumentar ao longo dos últimos anos, e acompanha a tendência mundial [2]. Aproximadamente 10% das pessoas com diabetes estão diagnosticadas com diabetes tipo 1, cujo tratamento se baseia em administração exógena de insulina através de vias invasivas e dolorosas, o que frequentemente dita a baixa adesão do paciente.

Após o início do uso terapêutico da insulina animal na década de 20, nos anos 80 surgiram as formulações de insulina recombinante e dispositivos de administração alternativos às convencionais seringas. A primeira caneta injetora, NovoPen®, foi posteriormente aprimorada pela Novo Nordisk (FlexPen®), e pela Sanofi-Aventis (SoloStar®) [3]. Posteriormente, foram propostos os dispositivos de perfusão subcutânea contínua de insulina, conhecidas como bombas de infusão (Omnipod e V- Go). Contudo, todos os sistemas propostos se baseiam na administração invasiva, com o desconforto inerente. Alternativas para administração bucal, nasal, pulmonar e a oral, têm sido propostas. De entre os produtos inaláveis que chegaram a ensaios clínicos, apenas dois foram aprovados pela FDA: Exubera em 2006 e Afrezza em 2014. O Exubera da Pfizer foi descontinuado em 2007 devido a fracasso comercial. O Afrezza®, produzido pela MannKind, é atualmente usado na clínica nos EUA, mas carece de aprovação na Europa, onde se encontra na fase III de ensaios clínicos. O spray nasal NasulinTM da CPEX Pharmaceuticals, contém bucais, o Oral-lynTM da Generex Biotechnology, foi já aprovado em alguns países fora da Europa e EUA.

Um esforço global tem sido feito, por parte da indústria farmacêutica e grupos de investigação, no desenvolvimento de formulações orais. A NovoNordisk em colaboração com a Merrion Pharmaceuticals, desenvolveram uma tecnologia composta por micelas contendo um análogo de insulina com efeito prolongado. Também a Oramed Pharmaceuticals tem em ensaios clínicos a formulação ORMD-0801, que serve de terapêutica tanto para diabetes tipo 1 como para o tipo 2. Neste caso são utilizadas cápsulas entéricas com inibidores de proteases e promotores de absorção. A Oshadi Drug Administrations desenvolveu uma formulação oral que combina insulina, proinsulina e péptido-C, em fase II de ensaios clínicos.

No nosso grupo de investigação no i3S temos focado o interesse no desenvolvimento de nanoparticulas, transportadores à escala nanométrica com capacidade de incorporar no seu interior quantidades terapêuticas de insulina. Utilizando métodos de produção que podem ser facilmente transpostos para uma escala industrial, as nanoparticulas que desenvolvemos são constituídas por polímeros biocompatíveis, e podem ser revestidas por moléculas com capacidade de reconhecimento por transportadores existentes nas células intestinais. Com a possibilidade de penetrarem através do muco do intestino, e do epitélio, estas nanoparticulas representam uma vantagem adicional de preservar a estrutura da insulina após administração oral e dirigi-la para os locais de absorção [4]. Adicionalmente, as nanoparticulas que desenvolvemos podem ser colocadas no interior de cápsulas convencionais para serem deglutidas.

Tem sido possível validar o potencial das nanoparticulas em melhorar o perfil de absorção intestinal em modelos celulares e em secções de intestino [5] e em modelos animais de diabetes tipo 1 [4]. As nanoparticulas demonstraram uma capacidade de reduzir, até 40%, os níveis de glicemia em animais diabéticos após administração oral, valores que reforçam o potencial e rentabilidade terapêutica desta tecnologia. Estamos a trabalhar no sentido de estabelecer parcerias com indústrias farmacêuticas interessadas na implementação de um estudo clínico.

Os desenvolvimentos da nanomedicina têm, de facto, vindo a abrir novas estratégias usando nanotransportadores eficientes e nanomateriais multifuncionais, com a possibilidade de interagirem especificamente com determinadas células do epitélio absortivo, capazes de ultrapassar as barreiras biológicas e melhorar a biodisponibilidade dos fármacos antidiabéticos.

 

Referências

1. Diabetologia, S.P.d., Diabetes: Factos e Números – O Ano de 2016, 2017 e 2018 - Relatório Anual do Observatório Nacional da Diabetes. 2019.

2. Federation, I.D., IDF Diabetes Atlas 2019. 2019.

3. Easa, N., et al., A review of non-invasive insulin delivery systems for diabetes therapy in

clinical trials over the past decade. Drug Discovery Today, 2019. 24(2): p. 440-451.

4. Azevedo, C., et al., Engineered albumin-functionalized nanoparticles for improved FcRn binding enhance oral delivery of insulin. Journal of Controlled Release, 2020. 327: p. 161- 173.

5. Azevedo, C., et al., The potential of porcine ex vivo platform for intestinal permeability screening of FcRn-targeted drugs. European Journal of Pharmaceutics and Biopharmaceutics, 2021. 162(99-104).

Manuela

A Endocrinologia e Eu

Manuela Carvalheiro, Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra

Em 2021, a comunidade científica celebra o centenário da descoberta da insulina, por Banting e Best, após anos de investigação e envolvimento de múltiplos cientistas.

Em 1921 a insulina foi utilizada em animais (cão) e em 1922 em pessoas com diabetes tipo 1. Durante estes 100 anos, assistimos a várias modificações da molécula de insulina, com vista à sua purificação, redução da antigenicidade e variação e duração de ação. Após 60 anos de insulina de extração animal, é nos últimos 40 anos uma hormona recombinante, que possibilitou a produção de análogos de ação rápida e longa com adaptação ao perfil de tratamento desejado e redução das hipoglicemias. Mais recentemente surgiram biossimilares, com o benefício de preço mais competitivo. Muito se melhorou nos dispositivos de administração. Das seringas às “canetas” na maioria pré-cheias e às “bombas” de perfusão de insulina em circuito aberto, com ou sem sensor acoplado. A tecnologia avança rapidamente com os sistemas híbridos “closed-loop”, que começam a ser comercializados, permitindo através de sensores e algoritmos determinar ao longo do dia, a quantidade de insulina necessária à pessoa com diabetes. Aguarda-se para breve a comercialização dos sistemas duais, com insulina e glucagon ou amilina, que dispondo igualmente de sensores e algoritmos, têm o benefício prevenirem a hipoglicemia.

Com vista a reduzir o número de injeções/dia e os efeitos adversos, espera-se para breve o lançamento da insulina basal semanal (icodec) e futuramente as “smart” insulinas ou insulinas sensíveis a glucose, que permitirão que a insulina injetada fique num reservatório seja lançada na circulação de acordo com os níveis glicémicos. Novas vias de administração, oral e adesivos, continuam em investigação.

Passaram 100 anos, desde que a insulina injetada ao jovem Thompson em 1922, lhe salvou a vida. Os resultados destes 100 anos, têm sido muito positivos para as pessoas com diabetes. Inúmeras vidas se salvaram, a esperança de vida aumentou e as complicações reduziram-se. Mas o crescimento exponencial do número de pessoas com diabetes, o aumento das necessidades em insulina, os custos da sua produção e os preços do mercado, têm gerado outro tipo de problemas, a dificuldade de acessibilidade da população mundial à insulina, nomeadamente nos países em vias de desenvolvimento e até em países ricos sem Serviços de Saúde. Portugal tem sido exemplar e desde há muito que a insulina e os dispositivos de administração são gratuitos para as pessoas com diabetes.

No sentido de facilitar essa acessibilidade, várias organizações a nível mundial (OMS, ADA, IDF. EASD, Endocrine Society), têm-se empenhado de forma ativa. Mas é preciso juntar a este empenhamento, a vontade dosgovernos desses países e da indústria farmacêutica. Só assim a situação será resolvida. Por tudo isto, é premente que mudar o rumo da investigação sobre a insulina. Poucos têm sido os avanços na preservação e incremento da insulina endógena. Para tal, o caminho passará pela prevenção da diabetes tipo 1, pelos mecanismos de regeneração das células β e pelo transplante das células dos ilhéus pancreáticos, a partir das “stem cells”.

Bibliografia: Celebrating 100 years of insulin. Diabetologia: Volume 64, issue 5, May 2021

Perfil

Mariana P. Monteiro, Unidade Multidisciplinar de Investigação Biomédica (UMIB), Instituto de Ciências Biomédicas de Abel Salazar (ICBAS), Universidade do Porto

Mariana

Tenho 49 anos e sou natural do Porto. Fiz o Curso de Medicina na Faculdade de Medicina do Porto e o internato de Endocrinologia no Hospital Geral de Santo António.

Quando acabei o internato pensei que queria enveredar por um percurso profissional que me permitisse contribuir para o progresso do conhecimento médico- científico e não ficar maioritariamente dedicada à aplicação das competências adquiridas nas atividades clínicas de rotina.

Mais tarde apercebi-me que ter sido Research Fellow no Imperial College em Londres e posteriormente enveredado pela carreira académica no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS) da Universidade do Porto foi a opção mais acertada para responder aos desafios que me tinha proposto.

Atualmente sou Diretora da Unidade Multidisciplinar de Investigação Biomédica (UMIB) do ICBAS na qual também lidero um grupo de investigadores básicos e clínicos dedicados ao estudo da Endocrinologia, sou ainda Professora Associada na mesma instituição e exerço atividade clínica como Endocrinologista no Hospital da Luz Arrábida.

O meu dia típico de trabalho caracteriza-se por raramente ser típico, dada a diversidade das funções que exerço e ao facto de não terem uma distribuição homogénea ao longo das diferentes semanas do ano.

O que eu gosto mais na minha profissão é a riqueza humanística que é inerente a todas as suas vertentes da clínica à docência e passando pela investigação. Os meus projetos atuais de trabalho são diversos, mas podem ser resumidos numa frase “promover o reconhecimento internacional do trabalho inovador desenvolvido em instituições nacionais”.

Arrependo-me de muito pouco, o tempo acaba por nos demonstrar que mesmo os esforços que no momento pensamos terem sido desperdiçados tiveram um propósito. No futuro, gostaria de olhar para trás e ter a certeza de ter cumprido a missão que me estava destinada. Gostava de ter mais tempo para fazer de um modo mais pausado tudo o que já faço com menos tempo.

A Endocrinologia portuguesa deveria apostar na formação de mais médicos cientistas com capacidade para formular e testar hipóteses.

Um conselho que dou aos mais novos é que mantenham um espírito crítico, questionando os paradigmas e procurando contribuir ativamente para a obtenção de evidência enquanto motor de progresso e inovação em Medicina.

Espaço do Interno

Ana Elisa Lopes. Interna de Formação Específica, Centro Hospitalar Universitário do Porto

Mariana

Nome: Ana Elisa Lopes

Hospital: Centro Hospitalar Universitário do Porto

Ano de Internato atual: 5º ano

Estágio: Endocrinologia Pediátrica

Ano de internato quando realizou o estágio: 4º ano

Local do Estágio: Departamento de Endocrinologia, Diabetes e Doenças Metabólicas do Hospital Pediátrico do Centro Clínico Universitário de Ljubljana, Eslovénia

Duração: 3 meses

Orientador do Estágio: Professora Doutora Nataša Bratina

A decisão de realizar o estágio de Endocrinologia Pediátrica no Departamento de Endocrinologia, Diabetes e Doenças Metabólicas do Hospital Pediátrico do Centro Clínico Universitário de Ljubljana, dirigido pelo Professor Doutor Tadej Battelino, resultou da sua reconhecida importância na assistência da diabetes mellitus tipo 1, mas também da Endocrinologia Pediátrica em geral.

O Departamento é o único centro de referência para a diabetes e patologia endócrina e metabólica em idade pediátrica na Eslovénia. Na área da diabetologia em particular, é Centro de Referência do projeto SWEET, é um dos membros fundadores da ISPAD, integra o projeto INNODIA e está envolvido em inúmeros ensaios clínicos com agentes farmacológicos e sistemas de administração de insulina e de monitorização da glicose. No âmbito do estágio vocacionado para a diabetologia, observar o acesso generalizado às tecnologias na diabetes tipo 1 foi, sem dúvida, um dos aspetos mais marcantes.

Tive a oportunidade de contactar com um sistema automatizado de administração de insulina de primeira geração, à data em utilização por um número já muito significativo de 43 crianças e jovens. Este contacto, através da participação em sessões dirigidas ao ensino da sua utilização e em consultas médicas individuais, permitiu-me conhecer o sistema e as suas especificidades, observar os benefícios e as dificuldades encontradas pelos utilizadores e apreender aspetos da experiência assistencial dos profissionais de saúde. No centenário da descoberta da insulina, é entusiasmante refletir sobre a aprendizagem que este estágio me proporcionou no percurso até ao pâncreas artificial.

Foi efetivamente uma experiência profissional, mas também pessoal, muito enriquecedora. A barreira linguística, inicialmente desafiante, foi atenuada pelo apoio não só dos profissionais, mas também das crianças e jovens e respetivas famílias.

E é com um sincero agradecimento ao Departamento que termino, pela forma como fui recebida e integrada em todas as atividades. A todos... hvala lepa!

Pergunta ao Especialista

José Silva Nunes, Serviço de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo do Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central. NOVA Medical School - Universidade Nova de Lisboa

“Há lugar para o tratamento com agonistas dos recetores do GLP1 na diabetes tipo 1?”

Na diabetes tipo 2 (DM2), os agonistas dos recetores do GLP-1 melhoram o controlo metabólico, reduzindo peso e doses de insulina. O risco de hipoglicemia varia, consoante a redução da insulina e potenciais efeitos secundários gastrointestinais. Aqueles benefícios tornaram-nos possíveis opções terapêuticas na diabetes tipo 1 (DM1).

Porém, um potencial efeito benéfico na função das células beta não foi evidenciado com albiglutido. Os benefícios metabólicos também não foram demonstrados com o exenatido de ação curta. O liraglutido demonstrou melhorar o controlo metabólico, induzindo perda ponderal, diminuindo doses de insulina e risco de hipoglicemia grave.

Contudo, nestes estudos, foram utilizadas as doses usadas na população adulta com DM2. Mais estudos serão necessários para avaliar o impacto potencial desses agentes nos desfechos da DM1, nomeadamente nas complicações micro e macrovasculares.

Endocrinologia pelo País

Serviço

Legenda (da esquerda para a direita):
Joana Couto, Andreia Martins, Raquel Martins, Fernando Rodrigues, Jacinta Santos, Ana Rita Elvas e Teresa Martins.

Servico

Nome do Serviço: Serviço de Endocrinologia do Instituto Português de Oncologia de Coimbra Francisco Gentil, E.P.E.

Ano de fundação: 1980

Diretor de Serviço: Fernando Rodrigues

Número de especialistas: 5

Número de internos: 2

Outros profissionais de saúde: Enfermeira e secretárias

Principais áreas de diferenciação: Diagnóstico, tratamento e seguimento de patologia oncológica endócrina, em particular da tiróide, tumores neuroendócrinos, tumores da suprarrenal, síndromes hereditárias, patologia das paratiróides e distúrbios endócrinos relacionados com os tratamentos oncológicos (nomeadamente, diabetes mellitus). Cuidados centrados no doente, organizados em Grupos Multidisciplinares por Patologia (GMP), com consultas de Decisão Terapêutica especializadas. Coordenação do GMP de Endocrinologia, do GMP de Tumores Neuroendócrinos e integração do GMP de Onco-sexologia. Realização de ecografia e citologia ecoguiada no Serviço, por vários elementos do mesmo. Colaboração na formação de internos de várias especialidades (Endocrinologia, Patologia Clínica, Medicina Geral e Familiar). Realização de investigação relacionada com as áreas de diferenciação.

Principais desafios no dia-a-dia: Prestação de cuidados de saúde de elevada qualidade, eficiência e segurança do doente, de acordo com as melhores práticas clínicas, em simultâneo com a realização de atividades inovadoras e com carácter diferenciador, apesar do quadro médico insuficiente, e das limitações no número de gabinetes disponíveis.

Breve resumo do ano anterior: O ano de 2020 e o início de 2021 foram marcados pelos grandes constrangimentos decorrentes da pandemia de COVID-19 que condicionaram todas as vertentes da atividade do Serviço. Destacou-se a transição digital implementada, nomeadamente para a realização das consultas multidisciplinares de Decisão Terapêutica e o início da realização de consultas de telemedicina por videochamada utilizando a plataforma RSE Live. O Serviço contribuiu ainda, em colaboração com o Serviço de Medicina Nuclear, para a implementação da terapêutica com análogos da somatostatina radiomarcados (PRRT).

Projetos para o futuro: Criação da Consulta de sobreviventes de doenças oncológicas. Iniciar a realização de biópsia por agulha grossa e escleroterapia de quistos tiroideus com etanol. Participação em novos projetos de Investigação. Organizar o 2º Simpósio de Oncologia Endócrina.

EndocrinArte

Francisco Sobral do Rosário, Serviço de Endocrinologia e Nutrição do Hospital da Luz de Lisboa.Investigador em Humanidades Médicas na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

A riqueza da expressão artística reside precisamente na multiplicidade de interpretações que permite. A pintura alia à fruição plástica e cromática a dimensão simbólica e narrativa, num conjunto que é isso mesmo – arte, o mistério que a acompanha e que conduz ao encantamento.

No retrato de D. Sebastião por Cristóvão Morais, realizado em 1571 para ser oferecido ao papa Pio IV, o rei português surge de rica armadura como importante combatente da cristandade. Seria esse o objectivo. Talvez a parecença com o tio Filipe II, o mais poderoso monarca.

Arte

Mas a fragilidade de um jovem solitário e pouco saudável também lá se encontra. O drama de um país que dele dependia para manter a independência. E a situação que a isto conduziu, com a morte precoce dos nove filhos do avô D. João III, sendo ele o único neto – o Desejado.

Simboliza a morte do pai, príncipe D. João de Portugal, aos 17 anos, numa descrição clássica de Diabetes juvenil – “torturado por uma insaciável sede (...) abre a janela e embebe em lenços a água da chuva para saciar a sede antes de entrar em coma”.

O segundo participante, o cão, é o símbolo clássico da lealdade. Para Sebastião, seria talvez uma companhia fiel nos desportos da caça que tanto apreciava. Não saberia, contudo, que mais de três séculos após a sua morte, serão os cães os símbolos da conquista científica que foi a descoberta da insulina – a fazer um século nos dias de hoje.

Tarde de mais para o seu pai, para a Dinastia de Avis e para a independência do país.

Mais um exemplo da descoberta que a arte permite – Quantos Alcácer Quibir poderão ter sido evitados pela descoberta da insulina?
Se...

EndoQuizz

Jorge Dores, Centro Hospitalar e Universitário do Porto

As insulinas basais têm caraterísticas diferentes de acordo com o mecanismo que induz o atraso na absorção. Sobre os diferentes mecanismos assinalar a afirmação correta:

Falsa
Falsa
Falsa
Verdadeira
Falsa

Informações aos Sócios

Bolsas para Investigação:

1. Bolsa Projeto de Investigação

Prazo para candidaturas até 30/09/2021.

Regulamento:
https://www.spedm.pt/wp-content/uploads/2018/10/regulamento-bolsa-projecto-investigacao.pdf

2. Bolsa Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo / HRA Pharma Iberia na área de Síndrome de Cushing

Prazo para candidaturas até 30/09/2021.

Regulamento:
https://www.spedm.pt/wp-content/uploads/2020/02/Regulamento-BOLSA-SPEDM-HRA-FINAL.pdf

3. Bolsa Edward Limbert

Prazo para candidaturas até 30/09/2021.

Regulamento:
https://www.spedm.pt/wp-content/uploads/2021/01/REgulamento2017-BOLSA-SPEDM_MERCK.pdf

Calendário de Eventos

Nacionais
Setembro

16 de Setembro de 2021
(Centro de Congressos Porto Palácio Hotel) - XXVI

Curso Pós-Graduado de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo

Internacionais
Setembro / Outubro

13 a 5 de setembro - ESE Young Endocrinologists and Scientists (EYES) Annual Meeting 2021 (reunião virtual)

Inscrições antecipadas: até 16 de agosto 2021
Inscrições taxa normal: até 2 de setembro 2021

4 a 7 setembro 2021 - 43rd Annual Meeting of the ETA (reunião virtual)

8 a 10 de setembro de 2021 - 13th European Congress on Menopause and Andropause (reunião virtual)

Submissão de resumos de última hora: até 15 de agosto 2021
Inscrições taxa normal: até 7 de setembro 2021

10 a 12 de setembro 2021 - Clinical Endocrinology Update (CEU) 2021, Endocrine Society (reunião virtual)

Inscrições antecipadas: até 30 de julho 2021
Inscrições taxa normal: até 12 de setembro 2021

22 a 24 de setembro 2021 - Endocrine Board Review 13th Edition (2021), Endocrine Society (reunião virtual)

Inscrições antecipadas: até 30 de julho 2021
Inscrições taxa normal: até 24 de setembro 2021

27 de setembro a 1 de outubro 2021 - 57th EASD Annual Meeting (reunião virtual)

Inscrições antecipadas: até 27 julho 2021
Inscrições taxa normal: até 1 de outubro 2021

30 de setembro a 3 de outubro 2021 - 90th annual meeting of the American Thyroid Association (ATA)(reunião virtual)

Submissão de resumos última hora: até 4 de agosto 2021
Inscrição antecipada: até 29 de agosto 2021Inscrições taxa normal: depois de 30 de agosto 2021