Presidente

Mensagem Presidente SPEDM

Presidente

João Jácome de Castro

Caros Colegas e Queridos Amigos,

Cá estou eu a apresentar o segundo número do “Endocrinologista”, a newsletter da nossa Sociedade.

Mais uma vez procurámos um modelo interessante, diversificado e de leitura agradável. Com temas actuais, com notas históricas, partilhando o que os nossos endocrinologistas publicam por esse mundo fora, traçando retratos da endocrinologia nacional e dando espaço aos internos.

Não posso deixar de agradecer as amáveis mensagens recebidas a propósito do primeiro número da newsletter e peço a todos, uma vez mais, que nos ajudem com ideias e projectos. Para a newsletter e para a Sociedade que afinal são de todos nós.

Um abraço amigo com orgulho de pertencer a esta fantástica equipa!

Mensagem
Equipa Editorial

Isabel do Carmo, Editora Sénior, Faculdade de Medicina de Lisboa

Equipa

AS HORMONAS E O PENSAMENTO COMPLEXO

Pode colocar-se a hipótese de que é na endocrinologia que melhor se observam as mudanças de paradigma do conhecimento da biologia humana. Sendo a endocrinologia a ciência das hormonas, ou seja, das moléculas que são mensageiras através do sangue, é através delas que vamos encontrar as novas formas de pensar e compreender o funcionamento do organismo.

O século XX foi o século das arrumações, das classificações, do estabelecimento dos critérios, da descoberta de moléculas fundamentais para perceber funcionamentos e tratamentos. Assim tinha que ser quando se transpunha a época do higienismo, das observações através da prática empírica. Foi mais longe o impulso para conhecer aquilo que era mais profundo e mais invisível. No último quartel do século XX e na sua transição para o século XXI começou-se a perceber que a realidade biológica era algo mais que os desenhos do Netter e que os esquemas bidirecionais com os quais se explicavam mecanismos. Mecanismos sim… Mecanicismo. Percebeu-se que a realidade era dinâmica, que não se podia tirar “retratos” fixos e que o pensamento complexo, que implica a admissão do movimento contínuo e conjugado de vários factores é a única forma de ir conhecendo a realidade. As técnicas vieram ao encontro. Viu-se mais de perto o invisível, como quando Erasmo inventou lentes que antecederam o Iluminismo. A informática permitiu transformar em algoritmos aquilo que foi sendo do conhecimento humano e que já não era bidimensional.

Afinal os grandes mensageiros do sangue, as hormonas, que permitem em cada momento a homeostasia, já não têm só um órgão produtor e receptores apenas nas células – alvo. Descobriu-se mesmo que o sistema que é o maior produtor de hormonas é o tubo digestivo. Nada de admirar se percebermos que na evolução, longe, lá longe no tempo, ele foi, tal como a capa externa (e daí a vitamina D) a grande superfície de limite entre o meio próprio e o meio exterior, simultaneamente aproveitamento e defesa. E a partir daí, ou muito antes, só estes mensageiros, as hormonas, tornaram possível a homeostase, a vida, a evolução.

Equipa Editorial

Da esquerda para a direita, de cima para baixo:

Editora-Chefe: Maria Joana Santos, Hospital de Braga

Editor Representante da Direção da SPEDM: Jorge Dores, Centro Hospitalar Universitário do Porto

Editora Sénior: Isabel do Carmo, Faculdade de Medicina de Lisboa

Editora Clínica: Raquel Martins, Instituto Português de Oncologia de Coimbra Francisco Gentil, Faculdade de Medicina da Universidade do Porto

Editora Investigadora: Paula Soares, Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, I3S - Instituto de Investigação e Inovação em Saúde, Ipatimup - Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto.

Editora RPEDM: Paula Freitas, Centro Hospitalar e Universitário de São João, Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, I3S - Instituto de Investigação e Inovação em Saúde

Editora Interna Endocrinologia: Juliana Marques-Sá, Interna de Formação Especializada, Hospital de Braga

Iniciativas SPEDM

Mapa Europeu de Centros de Endocrinologia
Colaboração com Sociedade Europeia de Endocrinologia (ESE) na elaboração de um Mapa Europeu de Centros de Endocrinologia. O objetivo deste projeto visa aumentar a visibilidade dos centros endócrinos em toda a Europa, a comunicação entre os países vizinhos e as oportunidades de intercâmbio para endocrinologistas jovens e estabelecidos.
Leia mais aqui

Sugestões de Leitura

_Artigo RPEDM
Plant-based Diets in Type 2 Diabetes Management:
Perception of Healthcare Professionals.

Helena Urbano Ferreira, Davide Carvalho, Paula Freitas. 

Rev Port Endocrinol Diabetes Metab. 2021;16(1-2)

Estudo observacional que avaliou o conhecimento e prática clínica dos profissionais de saúde portugueses relativamente ao uso das dietas vegetarianas como parte do tratamento da diabetes mellitus tipo 2 (DMT2). O estudo mostrou de 52% dos profissionais de saúde nunca tinham ouvido falar do uso das dietas vegetarianas no tratamento da DMT2 e 53% pontuou o seu próprio conhecimento ≤2, numa escala de 1 a 5. O conhecimento sobre o uso das dietas vegetarianas no tratamento da DMT2 entre participantes traduziu-se numa probabilidade 2.5 vezes superior de recomendar este padrão alimentar aos doentes (p<0,05). As principais barreiras à recomendação das dietas vegetarianas identificadas pelos participantes foram a falta de apoio aos doentes, a falta de evidência científica, e a não aceitação/não cumprimento da dieta pelos doentes.

Helena
Helena Urbano Ferreira, Centro Hospitalar Universitário de São João

_Outras Sugestões

1_Thyroid Hormones within the Normal Range and Cardiac Function in the General Population: The EPIPorto Study.

Neves JS, Fontes-Carvalho R, Borges-Canha M, Leite AR, Martins S, Oliveira A, Guimarães JT, Carvalho D, Leite-Moreira A, Azevedo A.

Eur Thyroid J. 2021 Apr;10(2):150-160. doi: 10.1159/000508407. Epub 2020 Jul 8.


No estudo EPIPorto (estudo de base populacional representativo da população adulta da cidade do Porto), variações da função tiroideia dentro do intervalo de referência associaram-se de forma significativa à função cardiovascular. Um aumento da função tiroideia (TSH inferior, T4 livre superior ou T3 livre superior) associou-se a frequência cardíaca superior, tensão arterial diastólica mais baixa e aumento do volume do ventrículo esquerdo (VE). Por outro lado, a espessura da parede do VE e a fração de ejeção do VE apresentaram uma associação não linear com a função tiroideia, com valores mais elevados próximos dos extremos de normalidade da função tiroideia.

João Sergio
João Sérgio Neves, Centro Hospitalar Universitário de São João; Faculdade de Medicina da Universidade do Porto

2_Genetic Determinants for Prediction of Outcome of Patients with Papillary Thyroid Carcinoma.

Póvoa AA, Teixeira E, Bella-Cueto MR, Batista R, Pestana A, Melo M, Alves T, Pinto M, Sobrinho-Simões M, Maciel J, Soares P. 

Cancers (Basel). 2021 Apr 23;13(9):2048. doi: 10.3390/cancers13092048. PMID: 33922635; PMCID: PMC8122921

A doença agressiva é rara no carcinoma papilar da tireoide (PTC), uma neoplasia que geralmente apresenta um excelente prognóstico. Os genes BRAF, RAS e TERT (TERTp) estão frequentemente alterados em PTC e o seu impacto no prognóstico dos doentes permanece controverso. Estudamos estes genes numa serie de 241 PTCs e avaliámos a sua relação com a presença de doença recorrente / persistente, doença estrutural e mortalidade específica por doença. Os tumores BRAFmut / TERTpwt mostraram estar associados à agressividade local, enquanto os tumores TERTpmut se associaram á presença de doença estrutural e à mortalidade específica por doença. Os nossos resultados indicam que diferentes marcadores moleculares desempenham papéis distintos na previsão do prognóstico de doentes com PTC.

Antónia
Antónia Póvoa, Serviço de Cirurgia Geral, Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia / Espinho; Investigadora, i3S/ IPATIMUP no Grupo de Sinalização e Metabolismo do Cancro

3_How Relevant is the Systemic Oxytocin Concentration for Human Sexual Behavior? A Systematic Review.

Cera N, Vargas-Cáceres S, Oliveira C, Monteiro J, Branco D, Pignatelli D, Rebelo S.

How Relevant is the Systemic Oxytocin Concentration for Human Sexual Behavior? A Systematic Review.  Sex Med. 2021 Aug;9(4):100370. doi: 10.1016/j.esxm.2021.100370. Epub 2021 Jun 9. PMID: 34118520

A ocitocina é uma hormona hipotalâmica que tem papel importante no desencadear do parto, iniciação da lactação, criação da forte ligação entre mãe e filho na altura do nascimento, prazer sexual incluindo o orgasmo, e possivelmente no desenvolvimento de relações afetivas e na diminuição da ansiedade. Quando libertada a nível cerebral, está envolvida na promoção de relações fortes entre progenitores e descendência e nas ligações monogâmicas. Embora tenha um papel fundamental na cognição social e nas emoções. Apenas 13 estudos investigaram a variação dos níveis de ocitocina perante as fases da resposta sexual humana.  sobretudo durante a auto-excitação sexual. Os estudos mostraram altos níveis de ocitocina em relação com a excitação e orgasmo. A ocitocina poderá ter um papel relevante também no desejo sexual que representa um conjunto de pensamentos e processos que podem, ao longo do ato sexual, favorecer a aproximação, o sentido de prazer, a excitação e o orgasmo. Será isso que diferencia o sexo com e sem amor?

Duarte
Duarte Pignatelli, Faculdade de Medicina da Universidade do Porto

4_Avidity and outcomes of radioiodine therapy for distant metastasis of distinct types of differentiated thyroid cancer.

Simões-Pereira J, Mourinho N, C Ferreira T, Limbert E, Cavaco BM, Leite V. 

J Clin Endocrinol Metab. 2021 Jun 16:dgab436. doi: 10.1210/clinem/dgab436. 

As recomendações para terapêutica com iodo radioactivo no contexto de doença metastática são baseadas sobretudo na experiência com os carcinomas papilares da tiroide (CPT), não tendo em conta as particularidades de cada tipo histológico. Neste sentido, quisemos investigar a associação entre a histologia e a resposta à terapêutica e avidez do iodo. Realizámos um análise retrospectiva em que incluímos 42 (33,3%) CPT clássicos (CPTvc), 45 (35,7%) papilares variantes foliculares (CPTvf), 17 (13,5%) carcinomas foliculares (CFT) e 22 (17,5%) carcinomas de células de Hürthle (CCH). Observámos que a histologia influenciou a avidez, sendo superior nos CFT e CPTvf, e a sobrevivência livre de progressão. Concluímos que a histologia permite definir quais os doentes que mais beneficiarão desta terapêutica.

Joana
Joana Simões Pereira, Serviço de Endocrinologia, Unidade de Investigação em Patolobiologia Molecular, Instituto Português de Oncologia, Francisco Gentil. Nova Medical School, Faculdade Ciências Médicas, Universidade Nova de Lisboa.

5_Outcomes of Thyrotropin Alfa Versus Levothyroxine Withdrawal-Aided Radioiodine Therapy for Distant Metastasis of Papillary Thyroid Cancer.

Simões-Pereira J, C Ferreira T, Limbert E, Cavaco BM, Leite V. 

Thyroid. 2021 Jul 21. doi: 10.1089/thy.2021.0013. Online ahead of print. 

A tirotropina alfa (rhTSH) não se encontra actualmente aprovada pela FDA ou EMA para preparação da terapêutica com iodo radioactivo no contexto de doença metastática. Neste estudo quisemos comparar este métodos de preparação com a suspensão de levotiroxina, em termos de resposta à terapêutica e avidez. Para tal, realizámos uma análise retrospectiva de 95 doentes com carcinoma papilar da tiroide com metastização à distância – 27 (28.4%) foram submetidos a terapêutica com iodo radioactivo após suspensão da levotiroxina e 68 (71.6%) após injecção de rhTSH. Não observámos diferenças entre os dois métodos de preparação. Concluímos, assim, que a rhTSH constitui um método alternativo à suspensão da levotiroxina no contexto metastático, com resultados clínicos semelhantes e com bom perfil de segurança.

Joana
Joana Simões Pereira, Serviço de Endocrinologia, Unidade de Investigação em Patolobiologia Molecular, Instituto Português de Oncologia, Francisco Gentil. Nova Medical School, Faculdade Ciências Médicas, Universidade Nova de Lisboa.
Aniversário

Kisspeptina

Adriana de Sousa Lages, Hospital de Braga

Elabela e Apelina

Vera Fernandes, Hospital de Braga

Asprosina

Nuno Vicente Rodrigues, Hospital de Santo André, Leiria

Lipocalina-2 (LCN2)

Fernanda Marques. Investigadora Auxiliar, Escola de Medicina, Instituto de Investigação em Ciências da Vida e Saúde (ICVS), Universidade do Minho

Kisspeptina

Adriana de Sousa Lages, Hospital de Braga

Imagem

Desde 1996, o gene KISS1 localizado no cromossoma 1q32 e os seus produtos de transcrição, têm assumido crescente interesse em diversas áreas desde a reprodução ao metabolismo glucídico. A sua designação é inspirada nos chocolates Hershey’s Kisses, uma vez que foi descoberto por um grupo de investigação de Hershey, na Pensilvânia. (Roseweir AK, et al; 2009)

O percursor inicial consiste num polipéptido de 145 aminoácidos (Kp-145) codificado pelo gene KISS1. Após clivagem enzimática pela furina, origina um péptido de 54 aminoácidos (Kp-54) e, posteriormente, origina 3 fragmentos truncados de 14 (Kp-14), 13 (Kp-13) e 10 aminoácidos (Kp-10), coletivamente designados por “kisspeptinas”. (Okleay AE et al, 2009)

A primeira descrição do gene KISS1 foi efetuada no contexto de linhas celulares de melanoma metastizado, originando a hipótese da sua ausência de expressão ser útil na distinção da extensão tumoral. (Lee et al. 1996)

Apesar do início da sua investigação focar-se na área oncológica, a evidente expressão do gene KISS1 na placenta, hipotálamo e tecido gonadal intensificou a sua aplicabilidade na área da saúde reprodutiva sobretudo na regulação no início do desenvolvimento pubertário. (Lee et al. 1996, Muir et al. 2001; Guillamon, A et al, 2011) 

É assim reconhecido o seu papel crucial no controlo do eixo hipotálamo-hipófise-gonadal (HHG) pela relação íntima dos neurónios kisspeptina hipotalâmicos e os neurónios produtores de gonadoliberina (GnRH). Esta população distinta de neurónios kisspeptina são a chave fundamental no sistema de retrocontrolo do eixo HHG uma vez que expressam recetores para hormonas esteróides sexuais e integram inputs de múltiplos neurocircuitos, tais como, os provenientes do núcleo supraquiasmático. (Robertson JL et al,2009; Smarr BL et al, 2012)

Pode ser dividida, no humano, em 2 subpopulações funcionais com diferentes localizações hipotalâmicas e resposta oposta aos esteróides sexuais: no núcleo arqueado (retrocontrolo negativo) e na área pré-ótica (retrocontrolo positivo que antecede a onda de LH pré-ovulatória). (Matsui et al., 2004)

Mais recentemente, a expressão do gene KISS1 e KISS1R foi identificada em folículos, ovócitos e corpo lúteo, bem como, no tecido trofoblástico vilositário (KISS1 e KISS1R) e extra-vilositário (KISS1R) sugerindo uma potencial ação autócrina e parácrina durante a fase inicial de implantação embrionária. (D’Occhio MJ et al, 2020) Assim, o seu interesse clínico tem sido explorado enquanto biomarcador promissor para a identificação precoce de complicações na gravidez (especialmente, no contexto de perda gestacional), adicionando capacidade diagnóstica à interpretação do valor de βhCG isolado. (Phylactou M et al., 2020)

A evidência de elevada expressão de KISS1 nos ilhéus pancreáticos e em diferentes leitos vasculares no humano (como a aorta, artérias coronárias e veia umbilical) tem expandido o seu interesse também à doença metabólica e cardiovascular (Hauge-Evans et al., 2006; Mead et al., 2007, (Dudeck M et al, 2018; Andreozzi F et al,2017).

Elabela e Apelina

Vera Fernandes, Hospital de Braga

Sofia

A Elabela é uma hormona peptídica, descrita pela primeira vez em 2013 como essencial ao desenvolvimento cardíaco. Este peptídeo é um ligando do receptor da Apelina, descrito em 1993 e cujo primeiro ligando descoberto foi a Apelina. O gene Elabela encontra-se expresso no tecido embrionário e em alguns tecidos adultos, como o endotélio cardíaco, vasos sanguíneos, rim, próstata e placenta. Tanto a Elabela como a Apelina circulam na corrente sanguínea e ambas têm sido estudadas em diferentes cenários clínicos.

A Elabela tem um papel crucial na embriogénese precoce, nomeadamente na cardiogénese, vasculogénese e formação óssea. Já a Apelina desempenha funções na embriogénese tardia, nomeadamente na angiogénese, e tem também efeitos na homeostasia energética. 

Vários estudos têm avaliado a relevância deste eixo na gravidez, nomeadamente quando complicada com pré-eclâmpsia (PE) ou diabetes gestacional (DG).

Os níveis de Apelina estão aumentados em mulheres com PE. Relativamente à Elabela, modelos animais com níveis diminuídos apresentam manifestações clínicas de PE, porém os resultados de estudos clínicos são controversos. Assim, permanece por esclarecer se esta hormona contribui para a patofisiologia da PE. 

Tem sido também avaliado o papel da Apelina e Elabela na DG. A Apelina aumenta o uptake de glicose e a sensibilidade à insulina, e os seus níveis encontram-se aumentados em indivíduos com diabetes mellitus tipo 2 e obesidade. Estudos realizados em modelos animais mostraram níveis elevados de Apelina no termo da gravidez em mães obesas ou com insulinorresistência. Porém, as investigações efetuadas em humanos não apoiam a associação entre os níveis de Apelina e a DG. Um estudo recente de Che Y. et al, apresentado no 57th EASD Annual Meeting, avaliou os níveis de Elabela em mulheres com DG e mulheres saudáveis, e a sua associação com indicadores metabólicos e inflamatórios. Os autores concluem que a Elabela poderá ser um biomarcador de DG, dado que níveis diminuídos se associam significativamente a aumento dos níveis de glucose e de insulinorresistência na DG, e tal poderá ocorrer através de mediadores inflamatórios como a IL-1β.

Há várias limitações nos, ainda escassos, estudos publicados. Investigações futuras poderão esclarecer o real impacto destas hormonas na PE e DG e avaliar o potencial terapêutico das mesmas.

Asprosina

Nuno Vicente Rodrigues, Hospital de Santo André, Leiria

Claudia

Esta hormona foi descoberta em 2016, durante o estudo de doentes com Síndroma Progeróide Neonatal. Estes doentes apresentam-se em euglicemia (apesar de níveis baixos de insulinemia), com baixo consumo de alimentos e extremamente magros. Caracteristicamente, não produzem asprosina, devido a uma mutação do gene FBN1. Este gene codifica uma pré-proteína, cuja clivagem origina fibrilina-1 (um componente da matriz extra-celular, alterado na síndroma de Marfan) e a asprosina.

Esta adipocina é produzida sobretudo em adipócitos brancos e atinge concentrações séricas máximas em jejum. As funções mais conhecidas até ao momento ocorrem a nível central, no hipotálamo (após atravessar a barreira hemato-encefálica) e a nível periférico, no fígado, músculo, coração e pâncreas.

No hipotálamo, atua no núcleo arcuato estimulando os neurónios orexigénicos AgRP, que por sua vez inibem a atividade dos neurónios anorexigénicos POMC, favorecendo a ingestão de alimentos e regulando a homeostasia energética.

No fígado, vai atuar em vários recetores promovendo a produção e libertação de glicose para a circulação.

No tecido muscular esquelético, bem como na célula beta pancreática, favorece o aumento da inflamação e do stress oxidativo, originando insulinorresistência e apoptose, respetivamente. No coração, parece proteger as células mesenquimais cardíacas deste mesmo stress oxidativo.

Parecem haver algumas associações entre a asprosina e algumas doenças endócrinas e cardiovasculares. Na Diabetes, níveis séricos de asprosina são mais elevados do que em controlos, parece haver uma associação direta com insulino-resistência e especula-se que a asprosina possa servir de biomarcador para o diagnóstico de DM2. Da mesma forma, na Obesidade, níveis séricos também são mais elevados em adultos do que em controlos. Tanto na Diabetes, como na Obesidade, o uso de anticorpos neutralizantes seletivos para a asprosina, ao diminuírem os seus níveis séricos, parecem ser armas terapêuticas promissoras. Na síndroma do ovário poliquístico, frequentemente associada a insulino-resistência, também já se documentaram níveis elevados de asprosina. Ainda não é certo se se tratará de uma correlação ou se será possível a sua utilização como biomarcador para o diagnóstico. Na doença cardiovascular, níveis séricos de asprosina já mostraram correlação positiva com sistemas de pontuação de alterações angiográficas, levantando a hipótese de podermos estar perante um biomarcador para diagnóstico de angina instável. Por outro lado, parece haver um papel protetor na cardiomiopatia diabética e após enfarte agudo do miocárdio.

Com pouco mais de 5 anos de existência, com certeza que haverá ainda muito a descobrir e esclarecer, nomeadamente quanto à aplicação clínica do conhecimento que vai surgindo sobre esta hormona, mas salvaguardando serem necessários estudos de melhor qualidade e em larga escala, o que se vai descortinando deixa boas perspetivas para o tratamento destas doenças.

Lipocalina-2 (LCN2)

Fernanda Marques. Investigadora Auxiliar, Escola de Medicina, Instituto de Investigação em Ciências da Vida e Saúde (ICVS), Universidade do Minho

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A lipocalina-2 (LCN2), também conhecida como lipocalina associada à gelatinase de neutrófilos (NGAL), oncogene 24p3 ou siderocalina, é uma proteína segregada. Foi identificada pela primeira vez em 1989 como sendo um “produto” que se encontrava aumentado em células de rim de ratinho em resposta à infeção com o vírus da imunodeficiência símia. Em 1993, foi identificada a proteína análoga humana como sendo uma proteína armazenada nos grânulos dos neutrófilos em associação com a proteína metaloproteinase-9, uma gelatinase que promove a degradação da matriz extracelular. 

Diversos fatores e condições têm sido descritos como sendo capazes de induzir a síntese LCN2 em vários tecidos e tipos celulares. Em particular, a sua expressão foi amplamente estudada, em tecidos que são mais propensos à infeção, sendo que, a sua principal função se prende com a resposta imune inata. Neste contexto, a LCN2 é capaz de limitar o crescimento bacteriano através de estratégias de depleção de ferro. Para tal, a LCN2 tem a capacidade de se ligar a sideróforos bacterianos (que são moléculas com alta afinidade para o ferro do hospedeiro) carregados com ferro, ficando assim as bactérias impedidas de o capturar. No entanto, dada a descoberta de sideróforos endógenos mamíferos, bem como, de recetores na superfície celular capazes de ligar LCN2 (nomeadamente o 24p3R e a megalina), foram atribuídas novas funções a esta proteína. Assim, mesmo na ausência de infeções, a LCN2 é igualmente produzida e é capaz de interagir com os sideróforos endógenos e ligar-se aos seus recetores na superfície celular, e mediar processos celulares através do transporte de ferro. Por exemplo, foi proposta uma via de aquisição de ferro por parte das células mediada pela LCN2, e consequentemente foi identificado o seu papel na proliferação celular, desenvolvimento e proteção de tecidos, assim como na apoptose. Provavelmente, nesse sentido, a LCN2 surge associada a diferentes tipos de carcinomas e dano celular como é o caso da lesão renal aguda, sendo nestes casos usada como biomarcador de doença e de prognóstico.

Alguns estudos foram feitos para tentar desvendar o papel da LCN2 no cérebro. A título de exemplo, com o nosso trabalho mostramos que, a deleção da LCN2 induz uma diminuição na proliferação das células estaminais neuronais, com impacto em tarefas cognitivas dependentes do hipocampo. Esta diminuição, na proliferação devem-se ao fato das células se encontrarem estagnadas no estado G0/G1 do ciclo celular, induzida pelo aumento dos níveis de stress oxidativo endógeno. Estes achados foram corroborados pela observação de que, a suplementação dos ratinhos que não expressam LCN2, com um quelante de ferro resgata do stresse oxidativo e promove a progressão das células no ciclo celular revertendo os deficits cognitivos.

Recentemente a LCN2 foi também identificada como sendo uma hormona. Neste contexto, foi mostrado em ratinhos que, a LCN2 segregada pelos osteoblastos é capaz de manter a homeostasia da glicose, através da indução da secreção de insulina. Além disso, a LCN2 dos osteoblastos mostrou ser capaz de inibir a ingestão de alimentos uma vez que, quando em circulação, atravessa a barreira hematoencefálica, liga-se ao recetor de melanocortina 4 (MC4R, um novo recetor para a LCN2) nos neurónios paraventriculares e ventromediais do hipotálamo e ativa uma via anorexigênica dependente de MC4R (supressora do apetite).

Luís

A Endocrinologia e Eu

Novas hormonas. Nova endocrinologia

Luis Gonçalves Sobrinho, ex-Diretor do Serviço de Endocrinologia do I.P.O., Lisboa

Podemos situar muito esquematicamente as origens da endocrinologia nos trabalhos pioneiros de Claude Bernard (1813 – 1878) que estabeleceu entre muitas outras coisas que o fígado tinha uma secreção externa (a bílis) e uma secreção interna (a glicose) e de Bayliss e Starling que (em 1905) demonstraram que injectando extracto de intestino exposto a HCl estimulavam a secreção pancreática. A substância responsável por este efeito foi chamada de secretina. E é a propósito desta substância que pela primeira vez é usado o nome de hormona. Alguns órgãos (glândulas endócrinas) têm como exclusiva função a produção de hormonas

O conceito de que o sistema endócrino é constituído por estas glândulas é claramente reductor. Sabe-se hoje que praticamente todos os órgãos produzem factores reguladores que actuam localmente ou lançam em circulação substâncias que actuam a distância, como verdadeiras hormonas. O tubo digestivo, como vimos, segrega a secretina e muitas outras hormonas, o tecido adiposo segrega a leptina e dezenas de outras adipocinas, o músculo segrega, entre muitas outras miocinas, a miostatina, a irisina, o osso segrega a osteocalcina e o FGF 23, o coração segrega péptidos natriuréticos, etc. 

Assim, enquanto que a Endocrinologia como especialidade médica mantem, em linhas gerais, a sua identidade apoiada na tradição e nas estruturas profissionais entretanto criadas, a endocrinologia como ramo da fisiologia dilui-se no conceito mais geral de regulação. Este novo olhar sobre a endocrinologia/regulação requere que sejam consideradas as seguintes situações:

1 – A endocrinologia expandiu-se à custa da facilidade de acesso aos factores circulantes. Grande parte da regulação depende também da actividade de factores autócrinos e parácrinos e do sistema nervoso autónomo, muito menos acessíveis a estudos funcionais. Esta é a “face oculta” da regulação.

2 – A expansão da biologia molecular acrescentou um nível adicional de complexidade ao estudo da regulação que agora inclui também a regulação dos mecanismos intracelulares.

3 – Para além do número crescente de hormonas que vão sendo descritas, os “genome wide studies” revelam a existência de numerosos “loci” associados a características fenotípicas como o índice de massa corporal, a tensão arterial, concentrações de lípidos, de adipocinas, etc. implicando  a existência de uma rede muito diversificada de factores reguladores não identificados. As revistas de endocrinologia actuais estão recheadas de artigos em que são correlacionados os mais diversos factores (de risco ou de protecção) metabólicos, psicológicos e sociais com diversos “outcomes”. Nestas correlações está implícita alguma causalidade mas são omissos os mecanismos eventualmente implicados.

O raciocínio dedutivo a partir do conhecimento de uma fisiopatologia que envolvia duas ou três variáveis continua a dar frutos em algumas situações mas torna-se cada vez menos praticável à medida que o número de variáveis aumenta. 

Assim, paradoxalmente, agora que dispomos de um capital enorme de conhecimentos básicos, a eficácia das modalidades terapêuticas apoia-se sobretudo na sua validação empírica em estudos controlados e  randomizados. Tudo se passa como numa “caixa negra”. Cada modalidade terapêutica é validada, ou não, conforme o seu resultado final, independentemente dos mecanismos supostamente envolvidos.

Perfil

Leone Duarte, Hospital Cantonal de Olten, Suíça

Leone

Tenho 43 anosFiz o Curso de Medicina na FCML e o internato de Endocrinologia no Hospital Curry Cabral. 

Quando acabei o internato queria continuar a trabalhar na prática clínica em Lisboa. Trabalhei durante 11 anos na APDP e 6 anos no Hospital da Luz. Não queria emigrar ou trabalhar na indústria farmacêutica. 

Mais tarde apercebi-me que por vezes temos que fazer escolhas pessoais e profissionais nem sempre fáceis ou programadas. Em 2016, por motivos profissionais do meu companheiro, emigrámos para Zurique. Apesar de ter obtido as equivalências profissionais, não trabalhei logo na prática clínica por não falar alemão. Trabalhei durante 4 anos na Roche Diagnostics International, onde aprendi muito sobre os testes laboratoriais em Endocrinologia e cresci muito como pessoa ao trabalhar com pessoas de diferentes áreas e culturas. 

Após muitas aulas de alemão (que língua esta!!), atualmente sou endocrinologista no Kantonsspital Olten (um hospital regional suíço). 

O meu dia típico de trabalho envolve as consultas, apoio ao internamento, apoio às consultas de enfermagem e nutrição e o trabalho administrativo. Infelizmente o trabalho administrativo, nomeadamente a redação de relatórios, ocupa quase 50% do nosso horário. 

O que eu gosto mais na minha profissão é o contacto com os doentes e o intercâmbio de conhecimentos com os colegas.  Os meus projetos atuais de trabalho são a melhor integração no sistema de saúde e prática clínica na Suíça, aperfeiçoar a comunicação em alemão/dialeto suíço, fazer a minha “promoção” (Dr. med.) através de um projeto de investigação clínica e trabalhar para a Roche Diagnostics como consultora. 

No futuro, gostaria de um dia regressar a Portugal e à endocrinologia portuguesa e participar em projetos de voluntariado.  Gostava de ter mais tempo para a minha família e viajar. 

A Endocrinologia portuguesa deveria continuar a apoiar a formação de qualidade dos internos e apoiar projetos de investigação de qualidade e inovadores.  

Um conselho que dou aos mais novos é abrirem os seus horizontes. Durante o tempo de formação reunirem o máximo de experiências e conhecimentos possíveis, a nível nacional e internacional, pois ser-vos-á certamente extremamente útil para o vosso futuro como clínicos e/ou investigadores.

Espaço do Interno

Joana Lima Ferreira, ULS Matosinhos - Hospital Pedro Hispano

Estágio de Tumores neuroendócrinos, hipófise e metabolismo fosfocálcico no Serviço de Endocrinologia, Erasmus MC, Roterdão, Holanda

Joana

Nome: Joana Lima Ferreira

Hospital: ULS Matosinhos - Hospital Pedro Hispano

Ano de Internato atual: recém-especialista

Estágio: tumores neuroendócrinos, hipófise e metabolismo fosfocálcico

Ano de internato quando realizou o estágio: 4º ano (2019)

Local do Estágio: Serviço de Endocrinologia, Erasmus MC, Roterdão, Holanda

Duração: 3 meses

Orientador do Estágio: Prof. Dr. Richard Feelders

Este estágio teve o objetivo de aprofundar conhecimentos, adquirir experiência e acompanhar peritos em Endocrinologia num serviço de renome internacional. A escolha pelo Serviço de Endocrinologia do Erasmus MC prendeu-se por ser um centro terciário altamente diferenciado e de reconhecida experiência na abordagem diagnóstica e terapêutica das áreas da patologia hipotálamo e hipofisária, tumores neuroendócrinos, doenças da suprarrenal e metabolismo fosfocálcico.

Erasmus MC é o maior hospital dos Países Baixos e um dos mais reputados centros universitários do mundo (10º lugar no QS World University Rankings 2019). O centro apresenta muito boas condições e instalações modernas para assistência clínica e investigação. O Serviço dispõe de espaço físico na consulta externa, internamento, hospital de dia, centro de preparação clínica e centro de investigação.

Durante os três meses, participei na consulta externa, internamento, reunião de Serviço e reuniões multidisciplinares, que na presença de um elemento estrangeiro decorrem exclusivamente em inglês. Embora a maioria das consultas tenha decorrido em holandês, todos os casos foram discutidos em inglês com o especialista antes da chamada de cada doente, para além destes casos terem sido apresentados e discutidos previamente nas reuniões multidisciplinares.

Pergunta ao Especialista

Gustavo Rocha, Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho

COVID-19: Um ano depois, o que sabemos sobre as sequelas endócrinas?

A COVID-19, doença provocada pelo vírus SARS-CoV-2 trata-se, na verdade de uma doença multissistémica. O recetor para a entrada do vírus nas células, ECA2, tem uma distribuição ubiquitária, nomeadamente em diversos tecidos do sistema endócrino como os ilhéus pancreáticos, hipotálamo e hipófise, tiróide, córtex adrenal e gónadas. As repercussões sobre o sistema endócrino surgem por efeito citotóxico direto e pela resposta inflamatória sistémica que se observa nesta infeção. Assim, estão descritos agravamentos ou novos casos de Diabetes Mellitus, hiper e hipotiroidismo, hipopituitarismo, insuficiência supra-renal e hipogonadismo que podem ser precoces no curso da infeção ou surgir tardiamente. Algumas patologias endócrinas que já de si cursam com um quadro inflamatório sistémico como a Diabetes Mellitus e a obesidade podem contribuir para um aumento da morbimortalidade associada à COVID 19. É importante reduzir as complicações na doença endócrina, melhorando o prognóstico dos doentes com COVID-19.

Endocrinologia
pelo País:
Região Autónoma da Madeira

Serviço

Legenda (da esquerda para a direita):
Margarida Ferreira, Silvestre Abreu, Pedro Gouveia, Maritza Sá, Mariana Ornelas (ausente: Eduarda Resende)

Servico

Nome do Serviço: Serviço de Endocrinologia do SESARAM, EPERAM (Região Autónoma da Madeira)

Ano de fundação: 1999 (Unidade de Endocrinologia desde 1973)

Diretor de Serviço: Silvestre Abreu

Número de especialistas: 5

Número de internos: 1

Outros profissionais de saúde: 5 enfermeiros na Consulta Externa exclusivos do Serviço, 1 Nutricionista, 1 Podologista, 1 Psicólogo em tempo parcial, Secretária.

Principais áreas de diferenciação:
• Consulta Externa: Consulta de Endocrinologia Geral, Endocrinologia e Gravidez; Endocrinologia Pediátrica e Bombas Infusoras de Insulina.
• Internamento com 6 camas..
• Reuniões Multidisciplinares: Consulta de Decisão Terapêutica com a Cirurgia, Oncologia, Medicina Nuclear e outras Especialidades quando necessário.
• Formação: Formação de Internos Endocrinologia e colaboração da formação de outras especialidades, e alunos de Medicina nacionais e internacionais ao abrigo do Programa Erasmus.
• Investigação nas áreas de diferenciação.
• Responsabilidade do Programa de Prevenção e Controlo da Diabetes Mellitus na Região.

Principais desafios no dia-a-dia: Resposta atempada à lista de espera, sobretudo às situações urgentes e chamadas telefónicas de todos os colegas das diferentes Unidades de Saúde da Região. O maior constrangimento são as condições físicas da Consulta em vias de reestruturação.

Breve resumo do ano anterior: A Pandemia de COVID-19 condicionou a realização das Consultas presenciais de Março até Maio de 2020. Durante este período, as Consultas de primeira vez foram adiadas; as consultas de seguimento foram realizadas por telefone. Em Junho 2020 o Serviço voltou ao modo presencial para todas consultas: primeiras e seguimento. Em 2020, o Serviço fez 9.061 consultas (com 996 de primeira vez) e 1124 teleconsultas durante o período de confinamento. No âmbito da Prevenção foram atendidas 821 chamadas.

Projetos para o futuro: Reforçar a qualidade dos cuidados a prestar aos doentes que recorrem ao Serviço, implementar novas técnicas e participação em novos projectos de investigação. Continuar a liderar o Programa de Prevenção e Controlo de Diabetes na Região, no qual se insere o Rastreio Sistemático da Retinopatia Diabética e implementar na Região a iodação do sal alimentar.

EndocrinArte

Francisco Carrilho, ex-Diretor do Serviço de Endocrinologia e Diabetes do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (2014-2019); Presidente da SPEDM (2016-2018)

Botero: "Eu não pinto pessoas gordas”

Fernando Botero (19.04.1932) é um pintor colombiano cujas obras se caracterizam pela presença de figuras gordas e voluptuosas. Botero é um pintor figurativo e não realista. Não se preocupa em pintar coisas especiais, por exemplo, homens e mulheres gordos, mas sim em utilizar a transformação ou deformação para tornar a realidade em arte.

Cena Familiar Cena Familiar

A sua deformação surge sempre do desejo de acentuar a sensualidade das suas imagens. O volume corresponde a uma predileção formal pelos valores plásticos da arte clássica. Botero descobriu que era a presença sensual dos antigos mestres italianos que o atraía, reconhecendo que esta arte latina afirmativa, com os seus elementos formais louvando a glória de Deus e da Vida era também a sua visão das coisas e das suas ideias artísticas. A opulência formal é desenvolvida de forma bastante deliberada. Na América Latina genuína a gordura é associada a qualidades positivas como a saúde, boas condições de vida, alegria de viver e as pessoas gordas associadas à boa disposição, aos prazeres dos sentidos e a um fácil relacionamento. Tratando-se de um povo cujo espírito se alimenta de mitos e lenda, que adora símbolos e alegorias, possui também as qualidades criativas do exagero, da extravagância e do excesso. Eu não pinto pessoas gordas diz Botero. O exagero nos tamanhos é apenas uma escolha de estilo, da forma como ele apresenta sua arte. E mesmo na deformação está presente o desejo de mostrar a sensualidade das suas figuras.

As pinturas e esculturas de Botero dão-nos uma perspetiva diferente na sensualidade e beleza da pessoa obesa, mas também o conhecido carácter familiar de muitos obesos e a associação da obesidade com sucesso e bem-estar na vida.

EndoQuizz

Jorge Dores, Centro Hospitalar Universitário do Porto

Relativamente à função atribuída às seguintes hormonas, desafiamo-lo a encontrar a afirmação verdadeira:

Falsa
Falsa
Verdadeira
Falsa
Falsa

Informações aos Sócios

1. Save the Date SPEDM 2022: 3 a 6 de Fevereiro de 2022!

Período de submissão de abstract entre 15 Outubro e 22 de Novembro 2021

2. Apoio à formação (prazos de submissão)

• Bolsas de Estágio para 2022 até 31.12.2021

• Bolsas para Congressos até 15 dias antes do Congresso

Calendário de Eventos

Nacionais/Internacionais
Outubro

25 a 29 de outubro - 28th ESE Postgraduate Training Course in Clinical Endocrinology, Diabetes and Metabolism 2021 online (Evento digital)

https://www.ese-hormones.org/events-deadlines/ese-events/europit-2021-1/

28 a 30 de outubro - 9th Seoul International Congress of Endocrinology and Metabolism in conjunction with the 40th Annual Scientific Meeting of the Korean Endocrine Society (Evento híbrido)

https://www.sicem.kr/

29 e 30 de outubro - 11º Congresso da Associação Luso Galaica de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo, Hotel Crowne Plaza, Porto (Evento presencial)

https://11algedm.admeus.pt/

Novembro

4 a 6 de novembro - 25º Jornadas de Endocrinologia e Diabetes de Coimbra (Evento virtual)

https://jornadasendocrinologiaediabetes.pt/

5 e 6 de novembro - 1º curso Neoplasias Neuroendócrinas (Reunião virtual)

11 e 12 de novembro - SPEDP 2021 - Reunião Anual – HYBRID EDITION,Vila Foz Hotel & Spa, Porto (Evento híbrido)

https://www.spedp.pt/meetings/reuniao-anual-2021---hybrid-edition

12 e 13 de novembro - Escola de Outono da Sociedade Portuguesa de Diabetologia (Evento digital)

https://www.spd.pt/#/escola-de-outono-spd

12 e 13 de novembro - 15.º Congresso da Sociedade Portuguesa de Ciências da Nutrição e Alimentação e 7º Congresso Low Cost de Nutrição, Hospital das Forças Armadas - Porto

12 e 13 de novembro - 12ªs Jornadas Nortenhas de Diabetologia - Viana do Castelo

19 e 20 de Novembro - 25.º Congresso Português de Obesidade (Evento híbrido)

21 de novembro - Reunião de Outono do Grupo de Estudo da Tiróide em conjunto com o Grupo de estudo de Cirurgia Endócrina (A definir formato e local)

23 de novembro - Deadline para submissão de resumos para o ATTD 2022

https://attd.kenes.com/abstract-submission-guidelines/

27 de novembro - REUNIÃO DE OUTONO DO GE TUMORES DA HIPÓFISE, Conimbriga, Hotel do Paço