Presidente

Mensagem Presidente SPEDM

Presidente

João Jácome de Castro

Caros Sócios da SPEDM.

Queridos Colegas e Amigos,

 

Mais uma Newsletter. Mais um passo em frente na aproximação entre os membros da nossa sociedade.

O espírito de partilha, que desde o início nos anima, está mais uma vez presente neste número da Newsletter. Que testemunhos tão interessantes, neste mundo em evolução. Que excelentes oportunidades para refletirmos.

Que bom sentir (e assistir) à aproximação, nestas páginas, entre diferentes gerações, entre endocrinologistas e associados com diferentes perfis. Afinal a nossa sociedade é isso mesmo: diversidade. E é essa diversidade que nos enriquece.

Que bom haver espaço para todos.

Que bom caminharmos de braço dado.

Parabéns a todos os que partilharam as suas experiências de vida nesta Newsletter.

Parabéns aos autores dos excelentes artigos aqui divulgados.

Muito obrigado a todos os que nos lêem e estimulam a melhorar.

Muito obrigado à equipa da Newsletter e à equipa que comigo serve na direção da nossa Sociedade. Muito obrigado pela dedicação, pelo espírito de serviço público, pela amizade e pela boa disposição. Que bom trabalhar convosco!

Sigamos em frente, juntos em prol da endocrinologia portuguesa!

Um abraço amigo e até breve.

 

João Jácome de Castro

Mensagem
Equipa Editorial

Afiliação: Mafalda Marcelino, Hospital das Forças Armadas, Secretária Geral da SPEDM

Equipa

Endocrinologista, Diferentes Perspetivas

A Newsletter da SPEDM está agora consolidada e com vida própria. Este projeto, de carácter lúdico e informativo, traduz a vontade de aproximar os sócios, estabelecendo pontes entre a ciência e o quotidiano. A alma deste projeto resulta do entusiasmo e da diversidade das participações dos associados, enriquecendo o conteúdo da mensagem com diferentes perspetivas sobre os temas propostos.

O presente e o futuro dos médicos Endocrinologistas é hoje bastante distinto do que era no passado. A carreira tradicional revela-se cada vez menos atrativa e impele os jovens médicos a questionar o seu trajeto e a procurar novas oportunidades. A opção pela área clínica ou de investigação; na indústria ou no ensino; em Portugal ou no Estrangeiro, pesa hoje de modo semelhante na escolha de uma carreira médica. Nesta edição procuramos partilhar diferentes testemunhos de Endocrinologistas, que destacam as particularidades desses percursos alternativos.

Boa leitura!

Equipa Editorial

Da esquerda para a direita, de cima para baixo:

Editora-Chefe: Maria Joana Santos, Hospital de Braga

Editora Representante da Direção da SPEDM: Mafalda Marcelino, Hospital das Forças Armadas, Secretária Geral da SPEDM

Editora Sénior: Isabel do Carmo, Faculdade de Medicina de Lisboa

Editora Clínica: Raquel Martins, Instituto Português de Oncologia de Coimbra Francisco Gentil, Faculdade de Medicina da Universidade do Porto

Editora Investigadora: Paula Soares, Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, I3S - Instituto de Investigação e Inovação em Saúde, Ipatimup - Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto.

Editora RPEDM: Paula Freitas, Centro Hospitalar e Universitário de São João, Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, I3S - Instituto de Investigação e Inovação em Saúde

Editora Interna Endocrinologia: Juliana Marques-Sá, Interna de Formação Especializada, Hospital de Braga

Iniciativas SPEDM

Serviço de Medical Writing para todos os Sócios
A SPEDM com o apoio da Boehringer Ingelheim irá iniciar um Serviço de Medical Writing para todos os Sócios, para um total de 7 artigos durante o período máximo de um ano. Estarão abertas as candidaturas para usufruir deste serviço no site da SPEDM.
Congresso Português de Endocrinologia/74ª Reunião Anual da SPEDM
Recordamos que a submissão de resumos para o Congresso Português de Endocrinologia/74ª Reunião Anual da SPEDM, que terá lugar de 2 a 5 de Fevereiro de 2023, no Centro de Congressos do Algarve em Vilamoura, termina no próximo dia 22 de Novembro de 2022

Sugestões de Leitura

1_"Use of Thyroid Hormones in Hypothyroid and Euthyroid Patients: A THESIS Questionnaire Survey of Portuguese Endocrinologists"

Francisca Marques Puga, Helder Simões, Miguel Melo, Roberto Attanasio, Laszlo Hegedüs, Endre V. Nagy, Enrico Papini, Petros Perros, Cláudia Freitas

Rev Port Endocrinol Diabetes Metab. 2022;17(1-2)


Este estudo fez parte do estudo Europeu THESIS (Treatment of Hypothyroidism in Europe by Specialists: an International Survey) e pretendia investigar a utilização de hormonas tiroideias pelos endocrinologistas portugueses. Em diversas condições que podem interferir com a absorção de LT4, a maioria afirmou preferir a formulação em comprimidos e não esperar diferenças significativas entre as várias formulações, ainda não existentes em Portugal. A combinação de LT4 e LT3 foi considerada pela maioria, em caso de persistência de sintomas, embora raramente seja utilizada. Contrariamente à evidência atual, alguns endocrinologistas considerariam a prescrição de LT4 em mulheres inférteis em eutiroidismo e em doentes eutiroideus com bócio simples em crescimento.

Sugestão 1
Francisca Marques Puga, Centro Hospitalar Universitário do Porto

_Outras Publicações

2_"Postpartum reclassification test in gestational diabetes: can the test be reduced to 1 hour?"

Barbosa M, Moreira Gomes P, Monteiro AM, Matos C, Lopes Pereira M, Fernandes V.

Hormones (Athens). 2022 Jun;21(2):287-293. doi: 10.1007/s42000-022-00359-w.


Na Diabetes Gestacional (DG) recomenda-se a realização de uma prova de tolerância oral à glicose no pós-parto (PTOGr). Contudo, está descrita uma baixa adesão à mesma, sendo o tempo necessário para a sua realização um dos motivos. No nosso estudo, que incluiu 769 mulheres, a história de DG prévia e o valor de glicemia à 1hora na PTOGr foram preditores independentes de alteração na prova às 2horas. A glicemia à 1hora permitiu prever alterações às 2horas com excelente acuidade diagnóstica, e o ponto de corte ≥142 mg/dL apresentou elevada sensibilidade. Estes achados poderão contribuir para uma possível redefinição da PTOGr.

Sugestão 2
Mariana Barbosa, Unidade Local de Saúde do Alto Minho

3_"Non-thyroidal second primary malignancy in papillary thyroid cancer patients"

Borges Duarte D, Benido Silva V, Assunção G, Couto Carvalho A, Freitas C.

Eur Thyroid J. 2022 Jul 19;11(4):e220018. doi: 10.1530/ETJ-22-0018."


Neste artigo foi estudada a prevalência e fatores de risco de segundas neoplasias primárias não tiroideias em 773 doentes com carcinoma papilar da tiroide. A incidência de segundas neoplasias primárias foi de 15,5% e o risco de desenvolvimento foi superior ao da população portuguesa. A história de malignidade em familiares de 1º grau revelou ser o fator de risco independente mais importante (Hazard-ratio 2,06), seguido da idade mais jovem ao diagnóstico (HR 1,04). O tratamento com iodo radioativo não se associou a incremento de risco. Os autores concluem que o desenvolvimento de múltiplas neoplasias primárias está aumentado nesta população e que o "background" genético é um forte determinante na sua incidência."

Sugestão 3
Diana Duarte, Centro Hospitalar e Universitário do Porto

4_Characterisation of an Atrx Conditional Knockout Mouse Model: Atrx Loss Causes Endocrine Dysfunction Rather Than Pancreatic Neuroendocrine Tumour.

Gaspar TB, Macedo S, Sá A, Soares MA, Rodrigues DF, Sousa M, Mendes N, Martins RS, Cardoso L, Borges I, Canberk S, Gärtner F, Miranda-Alves L, Sobrinho-Simões M, Lopes JM, Soares P, Vinagre J.

Cancers (Basel). 2022 Aug 10;14(16):3865. doi: 10.3390/cancers14163865.


Alterações em genes modeladores da cromatina são identificadas frequentemente em neoplasias endócrinas do pâncreas. Com o objetivo de compreender o papel de um destes genes, o Atrx, foi gerado um modelo de perda condicional em células beta do murganho. Com a remoção deste, o principal achado foi a presença de inflamação pancreática. Nos primeiros anos, verificou-se ainda que murganhos Atrx-knockout apresentavam disglicémia, acompanhada por pesos maiores, intolerância à glucose e com frações endócrinas inferiores. Este é o primeiro estudo a reportar disfunção endócrina após a perda do Atrx.

Sugestão 4
Tiago Gaspar e João Vinagre, Ipatimup, i3S e FMUP

5_"Maternofetal outcomes in early-onset gestational diabetes: does weight gain matter?"

Monteiro SS, Santos TS, Fonseca L, Saraiva M, Pereira T, Vilaverde J, Pichel F, Pinto C, Almeida MC, Dores J.

J Endocrinol Invest. 2022 Jul 11. doi: 10.1007/s40618-022-01855-x.


Este estudo multicêntrico demonstrou que mais de dois terços das grávidas com diabetes gestacional precoce apresentaram um ganho de peso inadequado durante a gravidez. O ganho de peso excessivo ou insuficiente durante a gravidez associou-se de forma significativa a resultados materno-fetais adversos. Os autores sublinham que o ganho ponderal adequado é fundamental na redução das complicações materno-fetais, mesmo na presença de um bom controlo glicémico. Assim, este estudo reforça a importância da vigilância e controlo apertados da evolução ponderal na gravidez para além do controlo glicémico das grávidas com diabetes gestacional.

Sugestão 5
Sílvia Santos Monteiro, Centro Hospitalar Universitário do Porto

6_"Impact of pharmacological treatment of gestational diabetes on the mode of delivery and birth weight: a nationwide population-based study on a subset of singleton pregnant Portuguese women."

Ramalho D, Correia S, Realista R, Rocha G, Alves H, Almeida L, Ferreira E, Monteiro S, Oliveira MJ, Almeida MC;Diabetes and Pregnancy Study Group of the Portuguese Society of Diabetology.

Acta Diabetol. 2022 Oct;59(10):1361-1368. doi: 10.1007/s00592-022-01931-x.


Este estudo retrospetivo pretendeu avaliar o impacto do uso incremental recente de metformina, face à insulina, nas taxas de cesariana e de recém-nascidos grandes para a idade gestacional (RN-GIG), em mulheres com gestação única, sob tratamento farmacológico para a Diabetes Gestacional, durante os anos 2011 a 2019. Utilizaram-se os dados do Registo Nacional da Diabetes Gestacional. Foram incluídas 5038 mulheres, 3027 (60,1%) sob insulina (g1), 1366 (27,1%) sob metformina (g2) e 645 (12,8%) sob terapêutica dupla (g3). Constatou-se que o uso isolado de metformina não se associou a taxas de cesariana mais elevadas (g1:36.9% vs. g2:37%, p=0.982), ao invés, foi demonstrado um efeito protetor nas taxas de RN-GIG (g2:4.1% vs. g1:5.4%, p=0.044; g2 vs. g1: OR=0.596, IC95%=0.428-0.832, p<0.001).

Sugestão 6
Diogo Ramalho, Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia / Espinho
Tiroide

Claudia da Matta Coelho

Guy's and St Thomas' NHS Foundation Trust

Pedro Marques

Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Norte (CHULN); Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa (FMUL); Centre for Endocrine Tumors, Leiden University Medical Centre (LUMC)

Joana Menezes Nunes

Hospital da Luz, Clínica Allure e Clínica Uffizi

João Conceição

MSD Europa

Claudia da Matta Coelho

Guy's and St Thomas' NHS Foundation Trust

Capa 1

Sou especialista em Endocrinologia, Obesidade e Diabetes em Londres, no Guy’s and St Thomas’ NHS Foundation Trust.

Durante o internato, fiz um estágio de três meses em Endocrinologia Geral em Londres, com a Professora Barbara McGowan. O contacto inicial foi facilitado pela Professora Mariana Monteiro, a quem muito agradeço. Terminei a especialidade no Hospital de Braga em 2019. Após concluir a especialidade, voltei para o Guy’s and St Thomas’ como Obesity Clinical Research Fellow. Durante três anos, trabalhei exclusivamente em obesidade em três áreas:

- Investigação. Fui sub-investigadora em vários ensaios clínicos. O serviço de Endocrinologia tem um centro clínico académico integrado, cujo portfolio é exclusivamente composto por estudos em diabetes, endocrinologia e obesidade, além de uma equipa permanente dedicada à investigação;

- Médica num programa online estruturado para a perda e manutenção de peso, que inclui low-calorie diets e farmacoterapia para os doentes elegíveis (Saxenda® e, a partir de 2023, Wegovy®). Faço parte de uma equipa multidisciplinar que inclui nutricionistas, fisioterapeutas, psicólogos e médicos. O programa tem a duração de 24 meses e decorre numa plataforma digital em grupos de quinze participantes. Mais de 1250 participantes fazem parte do programa anualmente;

- Médica em contexto hospitalar na avaliação de doentes pré e pós-cirurgia bariátrica.

No Reino Unido, a formação de um endocrinologista demora sete anos (três anos de tronco comum médico e quatro anos de formação específica em Endocrinologia, Diabetes e Medicina Interna). São especialistas em Endocrinologia, Diabetes e Medicina Interna. Após a especialidade, podem trabalhar como Clinical Fellow numa determinada área temática antes de se tornarem Consultant (especialista). Enquanto especialistas, geralmente trabalham nas enfermarias de Medicina Interna três meses por ano.

Comparativamente a Portugal, as grandes diferenças são as áreas de especialização vincada, o trabalho e reuniões multidisciplinares, e o constante feedback formal e informal. Há mais flexibilidade – mesmo durante a formação – para fazer investigação, participar noutras atividades ou ter um horário reduzido por motivos pessoais. Também desde cedo motivam a formação em liderança e gestão de equipas.

Para trabalhar no Reino Unido, mesmo num estágio observacional, é necessária a inscrição no General Medical Council, o que inclui um exame de inglês. Após o Brexit, a transição de Portugal para o Reino Unido tornou-se mais difícil por não haver um reconhecimento automático da formação em Endocrinologia.

Logo após o fim da especialidade, decidi emigrar pela experiência de trabalhar no NHS e viver em Londres, ter a oportunidade de me subespecializar em obesidade, e pela flexibilidade. O reverso é a instabilidade dos contratos temporários e as oportunidades mais limitadas pela minha falta de formação em Medicina Interna.

Planeio continuar no Reino Unido, agora como Consultant, porque sou profissionalmente muito realizada e Londres é agora casa.

Pedro Marques

Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Norte (CHULN); Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa (FMUL); Centre for Endocrine Tumors, Leiden University Medical Centre (LUMC)

Capa 2

Terminei o meu internato de Endocrinologia em 2016, e rumei depois a Londres para me diferenciar em patologia hipotálamo-hipofisária. Entre 2016 e 2019 fiz o meu doutoramento no laboratório da Professora Márta Korbonits na Queen Mary University of London (QMUL), financiado por duas bolsas que me foram atribuídas por instituições britânicas após processos de seleção competitivos. Durante esses 3 anos em Londres, participei também na consulta externa e nas diferentes reuniões clínicas e multidisciplinares no St Bartholomew’s Hospital como Clinical Fellow. Em 2019 mudei-me para Leiden onde realizei um estágio clínico e de investigação financiado por uma bolsa da UEMS no Centro de Tumores Endócrinos na Leiden University Medical Center (LUMC) sob orientação do Professor Alberto Pereira. Posteriormente, estive em Malta sensivelmente 1 ano a trabalhar num projeto médico para uma agência da União Europeia. Regressei a Portugal no ano passado.

Sem dúvida que o marco principal nesta “epopeia” foi a realização do doutoramento na QMUL, feito que considero determinante na minha carreira pois desenvolvi uma série de novas capacidades e competências, e conheci muitas pessoas, locais (viajei imenso!) e diferentes realidades e métodos de trabalho. Foi verdadeiramente inspirador trabalhar com a Professora Márta Korbonits, uma das grandes referências mundiais em patologia hipofisária, e tê-la como mentora ao longo desta viagem. Beneficiei muito da sua sabedoria, e por seu intermédio, vi-me envolvido num vasto leque de projetos aliciantes, dos quais destaco o International FIPA Consortium (estudo que inclui mais de 3000 doentes com tumores hipofisários provenientes de mais de 60 países), e a contribuição a convite para várias revistas (como o The Journal Clinical of Endocrinology & Metabolism) e outras fontes bibliográficas de relevo em Neuroendocrinologia (por exemplo a 5ª Edição do Livro The Pituitary, ou o Endotext). Destaco ainda a sensação de realização pessoal com o término do doutoramento, cujo início foi marcado por uma autêntica “saída da zona de conforto”, não só relacionada com a mudança de país e língua, mas também com a mudança de ambiente de trabalho (literalmente do hospital para a bancada do laboratório). Paralelamente, mantive atividade clínica no St Bartholomew’s Hospital e na LUMC essencialmente dedicada a doentes com tumores hipofisários, tumores neuroendócrinos e tumores da suprarrenal/paragangliomas, o que me permitiu ganhar experiência clínica e conhecimentos em patologia endócrina mais complexa.

Esta experiência além-fronteiras, em diferentes países e muito diversificada, foi extremamente enriquecedora do ponto de vista profissional e pessoal, tendo alargado imenso os meus horizontes e a minha rede de contactos a nível europeu. Por outro lado, este percurso dotou-me de um conjunto de competências que considero muito relevantes para a minha atividade clínica, académica e científica como médico endocrinologista e investigador em Portugal. Esta experiência ajudou-me também na redefinição dos meus objetivos profissionais, bem como na minha capacitação para os atingir, que passam agora por desenvolver a minha atividade clínica dedicada especialmente a doentes com patologia hipofisária, bem como manter a minha atividade académico-científica na área da Neuroendocrinologia, e ainda contribuir na educação e formação médica pré- e pós-graduadas.

Atualmente, trabalho como médico endocrinologista no Serviço de Endocrinologia do Hospital de Santa Maria, e faço investigação clínica e básica na área de Neuroendocrinologia potenciadas pela recente angariação de 2 bolsas de investigação (uma nacional e outra americana). Leciono também na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, colaboro como revisor em várias revistas científicas, sou consultor para a Agência Europeia do Medicamento (EMA), e recentemente fui admitido como membro da direção do ENEA Young Researchers Committee (EYRC). Em termos de perspetivas futuras no SNS, pretendo continuar a dar o meu contributo sobretudo para a melhorar os cuidados médicos prestados aos doentes com patologia endócrina, mas também na formação de internos da especialidade não só em termos clínicos assistenciais, mas também na vertente científica e académica.

Joana Menezes Nunes

Hospital da Luz, Clínica Allure e Clínica Uffizi

Capa 2

No dia a seguir a ter feito o exame final do internato médico de endocrinologia, apresentei a minha carta de despedida do SNS, escrita à mão, datada de 29 de outubro de 2015, que ainda guardo e guardarei, uma espécie de sentimento agridoce. “Agri”, porque sempre me imaginei a trabalhar e envelhecer na minha “segunda casa” e teria ficado, se as condições fossem diferentes (ainda hoje tenho saudades do frenesim, da amizade e do companheirismo, das reuniões de serviço, da resistência e da resiliência, algo que estranhamente se entranha e que nos faz querer voltar). E “doce” porque tinha projetos, ideias e planos de uma medicina “melhor” do ponto de vista de qualidade de vida. E quando falo em qualidade de vida desengane-se o que acha que se tratava apenas de cifrões (porque, trabalhando na privada sem contrato e com a mesma dita qualidade de vida, que é o meu caso, com a carga fiscal, os descontos salariais, o seguro de acidentes de trabalho e outros custos inerentes, sobra sim uma verba mais alta e merecida mas com o custo da ausência da segurança contratual de um funcionário público e com o esforço acrescido de “estar sozinho”, a trabalhar sozinho, sem um Serviço e, como tal, com a necessidade constante de busca de atualizações e novidades científicas porque, estando cada um por si, a atualização científica dependerá obviamente de cada um – e na medicina, não nos atualizarmos é pura e simplesmente ficarmos para trás). Tratava-se disso mesmo, qualidade de vida, tempo para nós, tempo para a família e amigos, tempo para estudar, tempo para trabalhar, tempo para viver, tempo para ir mais devagar e com mais calma no dia-a-dia, sem a sensação de corda sempre esticada e sem o excesso de trabalho que acaba sempre por sobrar para os que mais se preocupam. Além disso, mais tempo para os doentes, na consulta e à distância, mais tempo para ouvir e ser ouvido, mais tempo para fazer uma medicina como acredito que deva ser (porque quantidade não é qualidade e porque tratamos pessoas e não exames, nem ecrãs de computadores, e as pessoas trazem com elas na bagagem dúvidas, receios e anseios).

Comecei sem contrato, em hospitais privados, com uma consulta que me dava gozo fazer, com tempo de qualidade para mim e para quem me procurava (estipulei o meu horário e os meus tempos de consulta). Ouvi muito os meus doentes, fui fazendo material para a minha consulta, elaborando textos informativos para as dúvidas mais frequentes (sim, tinha tempo para isso e ainda para responder a emails com dúvidas). Depois veio o facebook/instagram para contactar melhor com as pessoas à distância e depois o site. Fui crescendo sem ter traçado uma rota específica para isso, foi algo que foi fluindo, naturalmente.

Quando parámos devido à pandemia covid-19, aproveitei a pausa para criar mais textos e conteúdos digitais e percebi que tinha material para um livro com respostas às questões que me foram colocando ao longo de todos estes anos. E assim surgiu “do XL ao S”. Enviei o rascunho do livro para a Bertrand e no mesmo dia tive a resposta positiva do meu Editor Rui Couceiro que estava deveras entusiasmado, o que me deu ainda mais alento e propósito.

Hoje, tenho ainda mais projetos, planos e ideias. Tenho tantos que não cabem neste pequeno texto, desde centros de consulta multidisciplinar, aplicações para telemóveis, podcasts, tudo no sentido de melhor informar, melhor tratar e melhor cuidar – enfim, uma medicina com melhor qualidade de vida, para mim e para o doente. Bem feitas as contas, ao fim destes 5 anos, posso dizer que o balanço foi positivamente agridoce. “Doce” pelos frutos e pela realização, pelo reconhecimento dos meus doentes e dos pares, pela sensação de dever cumprido

e pelos novos projetos que vão surgindo. “Agri” pela saudade dos tempos no SNS e pelo declínio a que assisto, impávida e tristemente, a cada dia que passa.

João Conceição

MSD Europa

Capa 3

Em 2009, como jovem especialista de Endocrinologia, foi-me proposto ir trabalhar para a indústria farmacêutica para dar apoio científico a um novo inibidor da DPP4 que tinha acabado de ser lançado.

Aceitei este desafio pelo desejo de estar envolvido nos últimos avanços científicos na minha área médica de eleição, pela possibilidade de ter acesso fácil a reuniões científicas internacionais e pela oportunidade de trabalhar com peritos, internos e externos, que eram líderes na sua área. Não seria honesto deixar de fora os incentivos financeiros e, sobretudo, a possibilidade de não fazer turnos na urgência geral, noturnos e em dias descanso, que na altura representavam uma sobrecarga significativa para mim. Naquela altura, o que fechou a minha decisão foi a possibilidade que a companhia me deu (e que continua a dar a muitos colegas), de manter para além de atividade privada, a minha atividade clínica hospitalar em, pelo menos, um período por semana. 

Aquilo que começou como uma experiência de 6 meses, rapidamente se tornou algo pelo qual eu me apaixonei! Tive a oportunidade de trabalhar em proximidade com um colega da estrutura internacional que foi um dos co-investigadores que identificaram a função da enzima DPP4 (di-peptidil peptidase 4) na homeostasia glicémica. Foram anos de trabalho produtivo em que aprendi muito. Este foi o melhor exemplo, mas não o único, do que foi viver e respirar a mais recente ciência na minha área. Por outro lado, como endocrinologistas, o nosso trabalho tende a ser mais solitário, individual do que alguns dos nossos colegas. Na minha companhia, todos os dias trabalhava com colegas de outras áreas, farmacêuticos, especialistas em marketing e vendas, especialistas em assuntos regulamentares, relações públicas, advogados, etc. O trabalho era intenso, mas sempre em grupo e sempre a “remar para o mesmo lado”. Havia verdadeiramente um espírito de equipa e um espírito de missão.  

Trabalhar na indústria como médico não é diferente do trabalho assistencial no seu aspeto mais central de ajudar pessoas a viverem vidas mais longas, mais saudáveis e com maior qualidade de vida. Ao longo dos anos estive envolvido no desenvolvimento e execução de estudos, divulgação e educação de profissionais de saúde não só acerca de fármacos, mas também de aspetos importantes da área médica como o diagnóstico, avaliação e estratificação de risco. Educação e “empowerment” (capacitação) de pessoas portadoras de doença e dos seus familiares foi algo que me orgulhei de fazer. 

Em 2016, tive a oportunidade de trabalhar numa área geográfica distinta de Portugal, que incluía a maior parte da Ásia e Oceânia. Mudei-me para Singapura e durante os anos seguintes tive a experiência extraordinária de vivenciar culturas muito diferentes da nossa. Posteriormente, acabei por voltar para a Europa e abraçar um novo desafio numa nova área: primeiro nas doenças respiratórias e, mais recentemente, na COVID-19. Atualmente, sou responsável por medicamentos que foram desenvolvidos pela minha companhia para a COVID-19 para parte da Europa, África e Médio-Oriente.  

Não seria justo terminar sem confessar que sinto e sempre senti falta da interação com os doentes e outros colegas num contexto puramente clínico. Mesmo naqueles “infernais” turnos no serviço de urgência havia o sentimento de ajudar pessoas de uma forma muito direta e imediata.  

A vida é cheia de surpresas como Carlos da Maia disse no final d’Os Maias: “falha-se sempre na realidade aquela vida que se planeou na imaginação. “Vou ser assim porque a beleza está em ser-se assim”. E nunca se é assim, é-se invariavelmente assado (…). Ás vezes melhor mas sempre diferente” 

A minha vida é de facto muito diferente daquela que eu imaginei quando acabei a faculdade, mas diferente não é de todo pior: simplesmente diferente!

Luís

A Endocrinologia e Eu

Maria Helena Cardoso, Centro Hospitalar e Universitário do Porto; Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar

Queridos Sócios da SPEDM,

Recebi da SPEDM um convite para escrever um texto sobre “A Endocrinologia e eu.” Como prévia presidente da SPEDM, presidente do Colégio de Endocrinologia da Ordem dos Médicos e Editora chefe da RPEDM, não podia deixar de aceitar. Aproveito esta oportunidade para partilhar conceitos que fui aprendendo e que considero poderem ser úteis não só para IFEs e jovens endocrinologistas mas também para qualquer médico em início de carreira.

O caminho faz-se andando. As oportunidades e os desafios vão surgindo, apenas temos que estar atentos, curiosos, entusiasmados e ser resilientes. Haverão contrariedades, momentos de desânimo e de grande stresse. Mas as pedras no nosso caminho podem fazer-nos dar grandes saltos para a frente. Aparentes oportunidades perdidas ou portas fechadas são oportunidades para seguir outros rumos, talvez muito mais desafiantes e compensadores.

O conceito de locus de controlo interno vs externo foi algo que gostei muito de aprender. A proporção controlo interno/controlo externo varia de pessoa para pessoa e pode alterar-se ao longo do tempo. É útil conhecer este conceito e perceber a importância de fazer dominar o locus de controlo interno. Quando domina o locus de controlo externo sentimo-nos à mercê dos imponderáveis externos; quando domina o locus de controlo interno, tendemos a encontrar estratégias de resposta à adversidade. É algo que ensino aos meus doentes e é de particular importância nas doenças crónicas.

A insegurança de saber tão pouco não afeta apenas médicos no início de carreira. Eu não sei tudo, nem poderia saber. A quantidade imensa de informação e o acesso a publicações diárias sobre os mais variados assuntos são um desafio enorme e podem dar ao médico um sentimento de insegurança, mas a solução é mais simples do que poderíamos pensar. É preciso assumir que não sabemos tudo, mas que temos um curso e um ensino pós graduado que nos deu as competências para avaliarmos os sintomas e sinais, integrá-los, estudarmos e refletirmos sobre as situações menos claras, tentarmos conseguir um diagnóstico, encontrarmos a terapêutica mais adequada para a doença e para o doente e finalmente conseguirmos a adesão ao tratamento. Este último passo é essencial para a eficácia do tratamento, apesar de ser frequentemente descurado. É a este passo que eu dedico mais tempo na consulta. O que o doente mais precisa é do nosso tempo, atenção e cuidados. Nunca nenhum meu doente ficou preocupado por eu dizer que tenho que refletir sobre o seu problema, falar com outros colegas e decidir quais são os exames prioritários. Apesar de não ter conseguido dar-lhe uma resposta imediata, ele sabe que pode contar com todo o meu empenho e cuidado. Esta postura tira-nos o peso que representa assumir a posição do «dono da verdade».

A propósito da pressa de dar uma resposta, é importante falar do perigo dos rótulos. Quando somos novos e vemos pela primeira vez um doente, sentimos muita pressa em fazer um diagnóstico. Nada mais errado. O importante é iniciar o caminho para a avaliação correta dos sinais e sintomas, na procura da melhor solução. Um diagnóstico errado pode colar-se a uma pessoa e limitar a investigação de outras possibilidades. Temos que ter consciência que os diagnósticos podem não ser definitivos e o cuidado em reclassificar deve estar sempre presente na nossa mente. Quantas vezes, com o avanço da ciência, se descobrem novas entidades nosológicas.

E para terminar quero falar da maravilhosa aventura dos novos desafios. Há o encanto dos primeiros passos, dados com muito cuidado e atenção. Mas é importante sabermos que um escorregar, um pequeno acidente pode comprometer o caminho e levar a retrocessos. Para o sucesso é essencial o trabalho em equipa e a colaboração entre todos. Uma equipa unida, que se respeita, em que as características e qualidades de cada um são valorizadas e aproveitadas tem uma força enorme. Somos todos diferentes e essa diversidade, quando bem aproveitada, é uma enorme fonte de riqueza.

E pareço esquecer as minhas atividades como Professora de Endocrinologia. De modo algum, pois para mim partilhar, fazer perguntas, procurar respostas e ensinar faz parte da minha maneira de ser!

Perfil

João Sequeira Duarte

Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental

Maria

Tenho 66 anos e sou natural de Torres Novas. Fiz o Curso na FCM Lisboa e o internato de Endocrinologia no Hospital Egas Moniz. Quando acabei o internato pensei que queria continuar na casa e não iria emigrar. Essa hipótese foi colocada previamente durante o internato geral que durou 5 anos. Fui prestar provas a Louvain, mas como obtive colocação com vínculo aqui, segui o percurso profissional com muito gosto, sem sobressaltos, em regime de exclusividade. A progressão na carreira foi lenta e a remuneração de base baixa. Atualmente sou diretor do serviço e cheguei a sénior aos 66 anos, com o dobro da idade do meu filho, que passou a engenheiro sénior aos 33 anos. Ele recebe prémios de desempenho da entidade patronal, mas eu sempre recebi o reconhecimento de muitos e muitos doentes. O meu dia típico de trabalho começa às 08.30h no hospital na consulta externa que se estende diariamente até as 17h. Levo de casa o almoço, que como entre 2 consultas. Até às 18:30 trato dos assuntos do serviço. Ao serão ocupo-me da Sociedade Portuguesa de Aterosclerose, leio, preparo ou revejo trabalhos e ainda arranjo tempo para um voluntariado. O que eu gosto mais na minha profissão é melhorar ou devolver o bem-estar às pessoas.  Os meus projetos atuais de trabalho são contribuir para fazer crescer o serviço e as pessoas que nele trabalham, numa perspetiva de cooperação multidisciplinar. Arrependo-me de poucas coisas a nível profissional. Poderia ser menos conciliador quando surgem conflitos. No futuro, gostaria que os cuidados de saúde garantam a acessibilidade, a qualidade e contem com profissionais satisfeitos. Gostava de ter mais tempo para a família. Assim será se a saúde permitir, pois a aposentação não estará longe.  A Endocrinologia portuguesa deveria continuar a apostar na formação e na cooperação entre instituições nacionais e internacionais. É esse o conselho que dou aos mais novos.

Espaço do Interno

Vitória Duarte, Hospital Beatriz Ângelo

Mariana

Nome: Vitória Duarte

Hospital: Hospital Beatriz Ângelo

A visão de uma recém-especialista

Terminei o meu internato em dezembro 2021, com aprovação em exame final em março 2022. No momento de escrita desta rubrica, ainda me encontro a trabalhar no Hospital onde realizei o internato, aguardando o novo concurso para médicos especialistas. Este hiato de tempo fez-me pensar nas minhas perspetivas futuras. Antigamente, era certo que a grande maioria dos internos que terminavam a especialidade ficavam no seu Hospital de origem. Hoje, a escolha do local onde vou iniciar a minha carreira como especialista já não é tão linear. As gerações anteriores tiveram circunstâncias bem diferentes da minha. Em 2009 acabaram os contratos de médicos em exclusividade, que permitiam um salário suficiente com total disponibilidade do profissional. Agora, a sobrecarga horária e burocrática, associada a baixos salários faz-me ponderar novas oportunidades de carreira. Estou longe de ser a única, pois as condições no público têm vindo a deteriorar-se e os novos especialistas desertam. A culpa não é dos Serviços, que tentam ao máximo recrutar novos internos com a perspetiva de se estabelecerem ali no futuro. No entanto, após o exame de especialidade, vários colegas escolhem caminhos alternativos. Muitos aceitam convites de hospitais privados, porém, contratos a tempo inteiro começam a escassear. Alguns entram na indústria farmacêutica. Contudo, a maioria requer alguma experiência de investigação ou em medical affairs. Outros, os que sonham mais alto, emigram. Após o meu exame, decidi participar numa feira de emprego com várias agências de recrutamento. O Dubai oferece salários incomparáveis, ideal para pessoas solteiras com espírito aventureiro. O Reino Unido e a Escandinávia também parecem opções atrativas. No entanto, devo relembrar que na maioria dos países europeus um Endocrinologista é primariamente um internista, tendo a seu cargo enfermarias de Medicina, o que pode não cativar a todos. O meu futuro ainda é incerto. Por agora, fico por cá, mas tenho a certeza de que quero sonhar mais alto.

Pergunta ao Especialista

Pedro Souteiro, Instituto Português de Oncologia do Porto Francisco Gentil

"Quais as principais diferenças entre ser Endocrinologista num hospital oncológico e num hospital generalista?"

Trabalhar como endocrinologista num hospital oncológico implica uma mudança substancial de paradigma, sobretudo pelo tipo de patologia abordada. Entidades habitualmente consideradas raras, tais como os tumores neuroendócrinos e os carcinomas da supra-renal, tornam-se frequentes quando se trabalha neste contexto. Similarmente, neoplasias endócrinas que são habitualmente observadas em estadios iniciais nos hospitais generalistas, como os carcinomas da tiróide e os feocromocitomas/paragangliomas, são geralmente seguidas nos IPOs em fases mais avançadas.

Ser o principal médico responsável pelo seguimento do doente em situações de progressão da doença, implicando decisões terapêuticas difíceis, comunicar más notícias e gerir expectativas, é também um desafio adicional com o qual somos confrontados mais frequentemente do que num hospital geral. A complexidade e gravidade das patologias oncológicas ensinam-nos a saber priorizar o que é mais relevante e a evitar exames e tratamentos potencialmente fúteis. Todas estas especificidades culminam na imposição de uma maior disponibilidade por parte do médico e de uma capacidade de adaptação constante para acomodar estas exigências.

Certamente os desafios são grandes mas, no meu caso, largamente compensados pelo interesse que a patologia oncológica oferece.

Endocrinologia pelo País – Hospital da Luz, Lisboa

Serviço

Em cima, da esquerda para a direita:

Dr. Carlos Tavares Bello, Enf. Artur Lé, Dr. Francisco Sobral do Rosário, Dr. Carlos Fernandes, Dr. Daniel Macedo.

Em baixo, da esquerda para a direita:

Secretária Cláudia Fernandes, Dra. Ana Filipa Martins. Dra. Anabela Martins, Dra. Ana Wessling.

Na fotografia não se encontram os restantes elementos do Serviço: Dra. Laura Guerra, Dra Rute Ferreira, Dr. Francisco Sousa Santos.

Servico

Nome do Serviço: Serviço de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo – Hospital da Luz, Lisboa

Ano de fundação: 2006 (como Unidade de Endocrinologia)

Diretor de Serviço: Francisco Sobral do Rosário

Número de especialistas: 9

Número de internos: 0

Outros profissionais de saúde : 2 Enfermeiros, 2 nutricionistas, 1 psicóloga, 1 secretária de unidade, 2 assistentes administrativas. ,

Principais áreas de diferenciação: Procuramos abarcar todas as áreas da Endocrinologia. Como áreas de especial diferenciação: Oncologia Tiroideia (com 2 quartos de internamento para terapêuticas com Iodo 131), Diabetes (com apoio de Consulta de Enfermagem, Nutrição e Podologia), Endocrinologia da Gravidez (Protocolo com Obstetrícia), Andrologia (com apoio de Sexologia), Obesidade (com ligação a Cirurgia Bariátrica, Nutrição e Psicologia), Metabolismo Fosfo-cálcico, Patologia hipofisária, Patologia Neuroendócrina, Patologia da Supra-Renal, Unidade de Provas Endocrinológicas Dinâmicas (com apoio de Hospital de Dia – onde também realizamos terapêuticas de ambulatório). Coordenamos a Consulta Multidisciplinar de Patologia do Pescoço e participamos nas Consultas Multidisciplinares de Patologia Neuroendócrina, Patologia Hipofisária e Orbitopatia Tiroideia. Além da atividade ambulatória e de internamento próprias, mantemos uma importante atividade de apoio a internamento de outros Serviços.

Principais desafios no dia-a-dia: Prestar cuidados clínicos de melhor qualidade e contribuir para a melhoria científica contínua dos elementos do Serviço.

Breve resumo do ano anterior: O ano de 2021 foi um ano particularmente importante, pois foi concedida Idoneidade parcial para a formação de Internos em Endocrinologia. Além do reconhecimento do esforço organizativo e científico do Serviço, corresponde a um desafio para a melhoria e desenvolvimento profissional. A formação será sempre um fator de exigência. Outro acontecimento relevante do ano que passou foi o início da Faculdade de Medicina da Universidade Católica de Lisboa, em que vários elementos do Serviço se encontram integrados e que também nos estimula em termos científicos e organizativos. O ano de 2021 foi um ano de expansão do Serviço em termos de atividade assistencial e progressão organizativa. Incentivou-se, como tem sido filosofia do Serviço, a atividade científica.

Projetos para o futuro: Manter a dinâmica do presente, o que implica desenvolver os projetos iniciados e iniciar novas valências que reforcem a importância da Endocrinologia como Especialidade Hospitalar e com vocação central na ligação de diferentes especialidades. Acentuar a importância de uma correta organização e nunca esquecer o foco na atividade científica clínica e translacional. Contribuir para a formação de especialidade de forma eficaz.

EndocrinArte

Jorge Portugal, Ex-Diretor do Serviço de Endocrinologia e Diabetes do Hospital Garcia de Orta

Arte
Jorge Portugal, Ex-Diretor do Serviço de Endocrinologia e
Diabetes do Hospital Garcia de Orta

Acabo de sair de um excelente dia; comemoraram-se os 100 anos de Agustina na Gulbenkian; debates, teatro e fado (a Mísia – “Garras de Sentidos” de Agustina). Sala cheia (auditório 2). Gente muito bonita a discutir Agustina (Maria João Seixas, António Feijó, Clara Ferreira Alves, etc).

Pergunto-me? Para que serve tudo isto? “Que importância terá tudo isto”? (fala final de “Três Irmãs” de Tchekov).

É a cultura, meus senhores, que faz crescer as pessoas e as comunidades.

Sempre gostei de ler; “Os cinco” e o Emílio Salgari fizeram-me sonhar na minha infância. Os “Meninos Diabólicos” – Cocteau e “L´Etranger” – Camus, aos 15 anos, marcaram a passagem para os livros de adultos.

Apetecia-me dizer-vos quais os meus escritores favoritos mas é tarefa árdua. Flaubert, Faulkner, Virginia Woolf e Jorge Luís Borges são alguns deles.

Tenho sempre em mão um romance e um livro de poesia; ensaios mais raramente.

É pois essa grande paixão pelos livros que me levou, a mim e 2 amigos, a organizar desde à quatro anos, sessões mensais de discussão de livros. Chamamos-lhes “Que livro(s) levarei para Pasárgada”? (do poema de Manuel Bandeira). Para isso convidamos pessoas de que gostamos de áreas científicas, literárias e artísticas.

Começamos em novembro de 2018 com Jorge Vaz de Carvalho (“Sinais de Fogo” – Jorge de Sena). Nas sessões seguintes estiveram Isabel do Carmo (“O Vermelho e o Negro” – Stendhal), Maria João Seixas (“Bartleby” – Melville), Jorge Silva Melo (dois textos de Arthur Miller – “Debaixo da Ponte” e “Morte de um Caixeiro Viajante”), Fernando Rosas (“As Benevolentes” – Litten), entre outros.

Em setembro de 2019 recomeçamos com Luís Miguel Cintra, Irene Pimentel, João Barrento, Lia Gama e Diana Andringa. Encerramos as sessões em março de 2020 devido ao confinamento. Retomamos em setembro de 2020, na livraria da Cinemateca – Linha de Sombra, com João Botelho (excelente apresentação de “Palmeiras Bravas”- Faulkner). Seguiu-se Alexandre Quintanilha e em novembro Sobrinho Simões (que nos deu, com grande entusiamo da assistência, uma belíssima lição que confirmou a sua capacidade de comunicação).

Saliento ainda a magnífica sessão do arqueólogo de Mértola, Cláudio Torres, de quem fiquei amigo. Em outubro de 2021 tivemos Daniel Sampaio.

Para 2023 vamos manter sessões mensais, onde iremos ouvir diferentes vozes representativas de diferentes áreas da cultura, procurando também manter a paridade homem/mulher.

EndoQuizz

Jorge Dores, Centro Hospitalar e Universitário do Porto

Existem diversos orgãos e tecidos que mimetizam glândulas endócrinas com secreção para o plasma de substâncias que se comportam como hormonas e cuja anomalia constitui potencialmente uma área de intervenção para o endocrinologista. Assinale a afirmação falsa relativamente aos órgãos ou tecidos que segregam substâncias que se comportam como hormonas:

Falsa
Falsa
Verdadeira
Falsa
Falsa

Informações aos Sócios

BOLSAS PARA APRESENTAÇÃO DE TRABALHOS

A SPEDM subsidia a participação de membros da SPEDM em Congressos Internacionais para apresentação de trabalhos científicos. O regulamento da Bolsa pode ser consultado aqui https://www.spedm.pt/wp-content/uploads/2022/04/Regulamento-Bolsa-Ap-Trabalhos-2022.pdf

Bolsas para Investigação

Calendário de Eventos

Nacionais/Internacionais
Novembro

1 a 4 de Novembro - “ObesityWeek San Diego”

OnDemand Sessions: November 1-December 31

https://obesityweek.org/

3 de Novembro - “ESE Spotlight on Science: Novel biomarkers in endocrine cancer”

Evento online

https://www.ese-hormones.org/ese-courses/ese-spotlight-on-science/registration

3 a 5 de Novembro - “DIABETES and Its COMPLICATIONS”

Curso online organizado pela Harvard Medical School

https://hmsdiabetescourse.com/

4 a 5 de Novembro - Reunião GE Tumores Neuro-endócrinos, Porto

11 de Novembro - Reunião anual do GREDIS (GE Dislipidemia), Secção Regional do Norte da Ordem dos Médicos, Porto

12 de Novembro - 2º Curso de Dislipidemia, Secção Regional do Norte da Ordem dos Médicos, Porto

14 de Novembro - EUGOGO Webinar (November) - Ocular surface disease in Graves' Orbitopathy

Evento online

https://www.ese-hormones.org/events-deadlines/external-events/eugogo-webinar-november-ocular-surface-disease-in-graves-orbitopathy/

15 a 19 de Novembro - prazo de submissão de resumos para ENDO 2023

26 de Novembro - Reunião GE de Tiróide, Hotel D. Luís, Coimbra

29 de Novembro - “ESE Talks... Rare Diseases: MEN-1 - a joint webinar from ESE, Endo-ERN and ESPE”

Evento online

https://www.ese-hormones.org/events-deadlines/ese-events/ese-talks-2rare-diseases-a-joint-webinar-from-ese-endo-ern-and-espe/

Janeiro

10 a 12 de Janeiro - ESE Clinical Update on Obesity and Female Reproduction 2023

Online

https://www.ese-hormones.org/events-deadlines/ese-events/early-bird-deadline-ese-clinical-update-on-obesity-and-female-reproduction/

- Data limite registo antecipado: 12 December 2022

- Data limite submissão de casos: 12 Dezembro 2022