Sabia que as paratiróides foram inicialmente descritas num rinoceronte?
Em 1834, a Sociedade Zoológica de Londres adquiriu um exemplar de rinoceronte-indiano por um valor equivalente a 125 000 dólares atuais, por recomendação de Richard Owen, um dos mais influentes anatomistas comparados do século XIX. O animal foi colocado na área dos elefantes e, a dada altura, começou a ser atacado por um deles. Cerca de 4 meses depois do início dos ataques e 15 anos depois da sua compra, a 19 de novembro de 1849, o rinoceronte morreu devido a ferimentos traumáticos, provavelmente secundários aos ataques do elefante. Owen passou vários meses a dissecar o animal. Durante esse processo, acabou por descrever, pela primeira vez, as glândulas paratiroides: ‘‘The thyroid gland consisted of two elongate, subtriangular lobes extending from the sides of the larynx to the fourth tracheal ring. The structure of this body is more distinctly lobular than is usually seen; a small compact yellow glandular body was attached to the thyroid at the point where the veins emerge’’. No entanto, a descoberta das glândulas paratiroides, publicada em 1852, passou despercebida durante várias décadas e só foi devidamente reconhecida muito tempo após a sua morte. Mais tarde, em 1923, Hanson conseguiu isolar o primeiro extrato funcional de paratiroides animais. Num dos vários entrecruzamentos da História, James Bertram Collip, que tinha desempenhado um papel fundamental no isolamento da insulina, isolou, em 1925, a hormona da paratiroide, à qual chamou "paratirina". Nesse mesmo ano, em conjunto com Leich, tratou com sucesso um doente com tetania, marcando um avanço fundamental nesta área da endocrinologia clínica.