Existirá uma vantagem adaptativa para atletas com diferenças no desenvolvimento sexual e outras endocrinopatias?
Pessoas afectadas por diferenças no desenvolvimento sexual (DSD), causadas por doenças como síndrome de insensibilidade aos androgénios (SIA), hiperplasias congénitas da supra-renal e disgenésias gonadais, têm alcançado algumas vantagens ao concorrerem como atletas em provas femininas1. Esta questão esteve em destaque nas últimas olimpíadas, em que a pugilista argelina Imane Khelif venceu facilmente o ouro da competição feminina, tendo sido alvo de suspeitas de se tratar, na realidade, de um atleta masculino afectado por DSD. Khelif tinha sido desqualificada pela federação de Box Mundial que revelou que a atleta não cumpria os requisitos quanto aos resultados genéticos. Segundo algumas fontes, nomeadamente a publicação Le Correspondant, os testes terão revelado um cariótipo XY e um defeito na 5-alfa-reductase. A atleta contesta esta informação e refere que sempre foi uma mulher...
Nos jogos asiáticos de 2006, a atleta Santhi Soundarajan, que vivera toda a sua vida como mulher, e que mais tarde se percebeu poder sofrer de SIA, viu a sua medalha de prata dos 800m ser-lhe retirada numa sessão humilhante. Um caso mediático envolvendo uma tentativa de suicídio da atleta indiana.
A questão não é nova. O comité olímpico tem revisto as suas regras devido a casos similares em diversas modalidades e delegou parcialmente a elegibilidade de atletas nas autoridades locais e internacionais regulatórias de cada modalidade.