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#9 Sabia que...?

Sabia que...?
Ed.
Julho 2026

A menopausa não é exclusiva dos humanos?

A menopausa, i.e. a cessação permanente dos ciclos ovulatórios antes da senescência somática, não é exclusiva dos humanos. Apesar de rara na Natureza, a biogerontologia comparativa identificou como outros exemplos robustos de longevidade pós-reprodutiva em espécies como a Baleia-piloto-de-barbatana-curta (Globicephala macrorhynchus) e a Orca (Orcinus orca). Nestes cetáceos sociais, as fêmeas cessam a reprodução por volta dos 40 anos de idade, mas sobrevivem em comunidade mais 20 a 30 anos. Actualmente duas hipóteses de biologia evolutiva pretendem explicar porque é que a menopausa surgiu nestas espécies. A “Hipótese da Avó”, onde se assume que fêmeas mais velhas aumentam o seu sucesso reprodutivo por ajudarem a criar os netos em vez de continuarem a gerar os seus próprios descendentes. E a “Hipótese do Conflito Reprodutivo”, onde estas fêmeas mais velhas deixam de se reproduzir para assim reduzirem a competição com as fêmeas mais jovens (e potencialmente as suas filhas) do grupo. Porém trabalhos recentes de endocrinologia comparativa encontraram um padrão de senescência homóloga do eixo hipotálamo-hipófise-ovárico noutras espécies que, apesar de não evoluírem para menopausa, sugerindo uma ancestralidade mamífera mais antiga. A presença da menopausa nestes animais parece assim demonstrar que a cessação reprodutiva existe não como uma “patologia” do envelhecimento, mas antes como uma característica adaptativa do ciclo de vida de várias espécies sociais onde as fêmeas mais velhas exercem uma grande influência como matriarcas e detentoras de conhecimento adaptativo, mais do que como reprodutoras diretas.