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Perfil - Anabela Giestas

Perfil
Ed.
Janeiro 2024

O meu percurso na Medicina começou em 1999, quando ingressei no Curso de Medicina no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS) da Universidade do Porto. Em 2007 iniciei o internato de Endocrinologia no Serviço de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo do Centro Hospitalar Universitário de Santo António.

Após a conclusão do internato tinha a intenção de regressar às minhas origens e trabalhar no hospital local de referência em Viana do Castelo, para ficar perto da família e amigos. No entanto, devido a mudanças nas vagas do concurso acabei por ficar colocada no Centro Hospitalar de Entre o Douro e Vouga (CHEDV) em 2013.

Ao concorrer à vaga de Assistente de Endocrinologia no CHEDV deparei-me com a mudança de instituição. Saí de um hospital central com um serviço bem organizado de Endocrinologia, com várias valências e pessoal médico e de enfermagem, para um hospital periférico com menos recursos e sem um serviço autónomo de Endocrinologia. Por esse motivo, fiquei inicialmente integrada no serviço de Medicina Interna.

Desde então, gradualmente, e acompanhando o aumento das necessidades de consultas especializadas de Endocrinologia, pequenas vitórias de autonomização foram conseguidas e foram contratadas mais especialistas de Endocrinologia, o que contribuiu para que o serviço de Endocrinologia se tornasse num serviço autónomo. Desde a sua formação que sou a diretora do serviço de Endocrinologia do CHEDV.

A autonomia do serviço permitiu melhorar a qualidade do atendimento e os cuidados oferecidos aos utentes com patologia endócrina, incluindo a criação de consultas mais especializadas e diferenciadas (diabetes, perfusão subcutânea contínua de insulina, ecografia/citologia da tiroide, tratamento cirúrgico da obesidade, consultas multidisciplinares em colaboração com Obstetrícia e Pediatria).

O serviço foi criado de raiz, sendo fundamental uma articulação estruturada com outras especialidades para poder criar todas estas valências e atividade assistencial.

Existem vantagens em trabalhar num hospital periférico, nomeadamente a possibilidade de desenvolver novos projetos. No entanto, a falta de certas especialidades, como Neurocirurgia e Medicina Nuclear, e a incapacidade de realização de algumas provas ou exames (ex: cateterismos) obrigam à referenciação dos doentes para outros centros hospitalares. O facto de ter sido a única endocrinologista durante bastante tempo implicou uma elevada sobrecarga de consultas e atividade assistencial, o que diminuiu o tempo disponível para desenvolver outros projetos ou atividade científica.

Tem sido um percurso exigente do ponto de vista profissional, e também a nível pessoal, mas simultaneamente é muito gratificante poder acompanhar os resultados do trabalho de toda a equipa. De todas as atividades desenvolvidas realço o trabalho assistencial e a experiência da relação com os doentes, esforçando-me por viver cada momento de forma genuína, numa responsabilidade médica empenhada no tratamento do doente e não apenas da doença.