Newsletter da SPEDM

Pergunta ao Especialista - Eva Lau

Pergunta ao Especialista
Ed.
Janeiro 2024

Que interação existe entre nutrição e microbiota intestinal?

O intestino humano contém trilhões de bactérias que desempenham um papel central na biologia do hospedeiro, incluindo o fornecimento de nutrientes essenciais provenientes da dieta. A comida é uma fonte importante de precursores para a produção de metabólitos e, de fato, a dieta modula a microbiota intestinal, regulando não só o seu ecossistema, mas também o perfil metabólico microbiano. A alteração na sua composição pode contribuir para o início ou progressão de doenças, incluindo distúrbios imunológicos, inflamatórios, metabólicos, como a obesidade e ainda cancro. Compreender a interação entre a microbiota intestinal e os nutrientes permitirá aumentar o conhecimento sobre como a dieta afeta a saúde e a doença do hospedeiro, possibilitando assim o desenvolvimento de terapias e nutrição personalizadas.

Sabe-se atualmente que o padrão alimentar influencia, a longo prazo, a composição e atividade da microbiota intestinal. No entanto, permanece ainda incerto o quão rápido, de que forma e a reprodutibilidade da microbiota intestinal humana responder a mudanças de curto prazo à alteração da composição de macronutrientes.

A fermentação sacarolítica ocorre principalmente no cólon proximal, onde as bactérias optam por utilizar preferencialmente hidratos de carbono, em vez de proteínas. Por outro lado, a fermentação proteolítica ocorre no cólon distal, produzindo ácidos gordos de cadeia ramificada (AGCR) e metabólitos potencialmente prejudiciais, como amônia (a partir da desaminação de aminoácidos e hidrólise de ureia), indóis e fenóis (da carboxilação de aminoácidos). Assim sendo, a ingestão de alimentos compostos inteiramente por ingredientes de origem animal ou vegetal altera a comunidade microbiana.

Uma dieta rica em gordura, especialmente rica em gorduras saturadas, e a inflamação crónica de baixo grau determinam um desequilíbrio na comunidade microbiana, levando à disbiose intestinal e produzindo um perfil metabólico alterado no lúmen do cólon.

Por outro lado, uma dieta baseada em plantas, rica em grãos, legumes, frutas e vegetais, parece ser benéfica para a saúde humana, promovendo o desenvolvimento de ecossistemas microbianos diversos e estáveis. A dieta baseada em plantas está associada a um aumento produtos da fermentação de hidratados de carbono e a menor fermentação de aminoácidos. Pode, assim, resultar no aumento da razão Bacteroidetes/Firmicutes, perda de peso consequente, associado a menor ganho de peso, pela redução da capacidade de extração energética da dieta.