Sugestão de leitura da Endocrinology Insights
Metabolic Dysfunction - associated Steatotic Liver Disease and Heart Failure with Preserved Ejection Fraction: a bidirectional relationship with clinical and therapeutic implications.
Ana Rita Leite; João Dias; Tiago Godinho; Joana Correia-Chaves; Marta Canha; Inês Mariana Lourenço; Adelino Leite-Moreira; João Sérgio Neves. Endocrinol Insights 2024; https://doi.org/10.1159/000541442
A doença hepática associada à disfunção metabólica (MASLD) é uma das principais causas de hepatopatia crónica, sendo a doença cardiovascular a principal causa de morte. A insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada (HFpEF) parece ser uma complicação da MASLD e, por sua vez, agrava a mesma. Esta revisão explora a associação fisiopatológica MASLD/HFpEF, abordando as implicações clínicas e terapêuticas. O rastreio de MASLD deve ser feito em doentes com HFpEF usando o índice FIB-4, enquanto o de HFpEF na MASLD poderá ser inicialmente realizado através do doseamento dos peptídeos natriuréticos. Inibidores do SGLT2 e incretinomiméticos apresentam efeitos benéficos sinérgicos.

Ana Rita Leite, ULS São João
Liraglutide in the management of obesity: real world data (Portugal).
Tavares Bello C, Redondo Carvalho I, Martins A, Martins AF, Wessling A, Macedo D, Martins D, Fernandes C, Sobral DO Rosário F.Minerva Endocrinol (Torino). 2024 Jul 16. doi: https://doi.org/10.23736/S2724-6507.24.04161-7.
A Obesidade é uma doença prevalente, crónica e grave. A farmacoterapia, designadamente os agonistas dos recetores da GLP1, mudou a forma como os doentes são tratados. O nosso trabalho retrata a realidade de um Serviço de Endocrinologia no que respeita o tratamento de doentes com obesidade com liraglutido. Os dados revelam segurança e eficácia do fármaco, documentando-se uma perda de peso média de 7.9% em 13 meses. Que saibamos, trata-se da primeira publicação nacional a documentar a experiência de um Serviço Português no tratamento farmacológico da obesidade

Carlos tavares bello, hospital da luz lisboa
Papillary thyroid carcinoma: the impact of histologic vascular invasion.
Fonseca L, Borges Duarte D, Brandão JR, Alves Pereira C, Amado A, Gouveia P, Couto Carvalho A, Borges F, Freitas C. Minerva Endocrinol (Torino). 2024 Mar;49(1):69-75. doi: 10.23736/S2724-6507.22.03749-6. Epub 2022 Oct 17. PMID: 36251020
O valor prognóstico da presença da invasão vascular (IV) no carcinoma papilar da tiróide ainda não está totalmente definido. Neste estudo observacional e retrospectivo foram incluídos 275 doentes, dos quais 51 (18,5%) apresentavam IV. Estes tinham um maior diâmetro, uma maior taxa de invasão extraglandular, de invasão ganglionar regional e de metastização á distância ao diagnóstico. A IV mostrou ser um preditor independente de metastização ganglionar regional e/ou metastização á distância ao diagnóstico (OR 2,93 [IC 95% 1,16-7,41, p=0,008]). Após um seguimento mediano de 68,5 meses os doentes com IV apresentaram uma maior taxa de recorrência regional e ganglionar. Estes resultados sugerem que a IV deve ser considerada como um fator de prognóstico adverso justificando terapêuticas mais agressivas e um seguimento mais apertado.
Liliana Fonseca, ULS Santo António; Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, Universidade do Porto
Maternal Hypertriglyceridemia in Gestational Diabetes: A New Risk Factor?
Marques Puga F, Borges Duarte D, Benido Silva V, Pereira MT, Garrido S, Vilaverde J, Sales Moreira M, Pichel F, Pinto C, Dores J. Nutrients. 2024 May 23;16(11):1577. doi: 10.3390/nu16111577. PMID: 38892511 Free PMC article.
O estudo visou investigar o impacto do perfil lipídico materno das grávidas com diabetes gestacional (DG) no risco de nascimento de recém-nascidos grandes para a idade gestacional (GIG). Foram incluídas 100 mulheres (gravidez única) com diagnóstico de DG e avaliação de perfil lipídico no 3º trimestre, seguidas em consulta de Endocrinologia entre Maio de 2021 e Maio de 2022 na ULS Santo António. A hipertrigliceridemia materna (cut-off 295mg/dL) do 3º trimestre demonstrou ser um preditor independente para o risco de GIG (OR 7.6), de forma independente da idade, multiparidade, IMC pré-gravidez e controlo glicémico e terapêutica farmacológica (metformina ou insulinoterapia) das grávidas.
Francisca Puga, ULS Santo António | Diana Borges Duarte, ULS Braga
Treatment of metastatic paraganglioma: experience of a single center
Veríssimo D, Regala C, Damásio I, Santos S, Donato S, Leite V. Endocrine. 2024 Jun;84(3):1250-1257. doi: 10.1007/s12020-024-03700-y. Epub 2024 Feb 1. PMID: 38296912
Os paragangliomas são tumores neuroendócrinos raros, sendo metastáticos em apenas 10-20% dos casos. O objetivo deste estudo foi avaliar o comportamento destes tumores e resposta aos diferentes tratamentos ao longo de um seguimento médio de 9 anos. A cirurgia, foi o tratamento mais eficaz, alcançando resposta completa e duradoura na maioria dos casos - 69 meses após remoção de tumor primário e 35.1 meses após cirurgia dirigida às metástases. Outras opções terapêuticas como 131I-MIBG, inibidores de tirosina-quinase, quimioterapia, radioterapia e quimioembolização permitiram apenas a estabilização da doença. Concluímos que a cirurgia deverá ser o tratamento de primeira linha nestes doentes.
David Veríssimo, Hospital das Forças Armadas, Lisboa
Caso clínico: An incidental intrapericardial paraganglioma followed up for 11 years.
Brito Marques F, Simões de Carvalho F, Marques AP. Ann Endocrinol (Paris). 2024 Jul;85(4):317-318
Os paragangliomas intrapericárdicos são excecionalmente raros e o seu comportamento e seguimento a longo prazo não estão estabelecidos. Descrevemos uma mulher de 24 anos sem antecedentes relevantes, com diagnóstico de tumor neuroendócrino muito peculiar: paraganglioma intrapericárdico adjacente à aurícula direita, localizado, não secretor e esporádico, descoberto incidentalmente em ecocardiograma transtorácico. O tumor foi excisado sob bloqueio adrenérgico e evoluiu sem recorrência nos primeiros meses. A doente abandonou o seguimento, mas sete anos depois regressou para aconselhamento pré-concecional, tendo a gravidez decorrido sem intercorrências. Está em remissão após 11 anos desde o diagnóstico, e mantém-se sob vigilância clínica, bioquímica e imagiológica.
Francisca Marques, ULS Matosinhos



