Fisiologia da Menopausa
A menopausa caracteriza-se pela cessação definitiva da função reprodutiva ovárica, resultante da depleção folicular progressiva. Ocorre, em média, aos 51 anos nos países europeus. A fase entre o período reprodutivo e o primeiro ano pós-menopausa intitula-se perimenopausa, sendo caracterizada por flutuações hormonais marcadas, com impacto multissistémico.
A redução progressiva de inibina B e consequente perda do feedback negativo sobre a secreção hipofisária de FSH leva a um aumento compensatório das gonadotrofinas. Inicialmente ocorre um aumento irregular da produção de estradiol, mas com o tempo o ovário torna-se menos responsivo e a produção diminui. A estimulação de LH é insuficiente para desencadear a ovulação. A anovulação leva a uma perda da produção de progesterona, mantendo-se preservada a produção de testosterona, à qual acrescenta um aumento transitório de androgénios adrenais.
Flutuações acíclicas nos níveis de estrogénio parecem ter implicações no sistema nervoso central, com mudanças consequentes nas vias noradrenérgica e serotoninérgica, bem como a atividade opióide no hipotálamo, perturbando a termorregulação corporal e contribuindo para os sintomas vasomotores, potencialmente exacerbados por disfunção do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal e ativação simpática. Alterações na sinalização neuronal tornam a mulher susceptível a ansiedade, depressão, alteração do sono, enxaqueca e perturbação da memória.
A maior biodisponibilidade androgénica relaciona-se com um aumento da adiposidade visceral, risco cardiovascular e disfunção endotelial, bem como a ocorrência de queda de cabelo, hirsutismo e disfunção sexual. O hipoestrogenismo prolongado induz atrofia epitelial vaginal e uretral e envelhecimento da pele. Está ainda associado a perda de massa óssea por desequilíbrio entre formação e reabsorção óssea, bem como diminuição da massa muscular.
Assim, mais do que um evento isolado na vida da mulher, a menopausa trata-se de um fenómeno multissistémico resultante de interações complexas entre o eixo hipotálamo-hipófise-ovário, sistema nervoso central e tecidos periféricos, apresentando-se com heterogeneidade clínica e individual.