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Nota de Pesar pelo falecimento do Doutor Camilo Alves de Morais

5 ago. 2026

Falecimento do Doutor Camilo Alves de Morais-Nota de Pesar da Direção da SPEDM

É com o mais profundo pesar que comunicamos que faleceu ontem, dia 04 de Agosto de 2026, o Doutor Camilo Alves de  Morais, sócio da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo desde 1978.

A Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo apresenta as condolências à família, amigos e colegas do Doutor Camilo Alves de Morais a quem prestamos uma sentida homenagem.

Nota de Pesar do Colega e Amigo, Dr. Rui César a pedido da Direção da SPEDM

"Conheci o Dr. Camilo Alves Morais no Congresso da EASD em 1986, em Roma. Eu descia as escadas do hotel quando, ao cruzar-me com ele, perguntei, com a espontaneidade de quem lança um desafio: «Boh, então não se bebe uma grappa?». Ele, que eu não conhecia, respondeu de imediato: «Então tu és de Mirandela!». Importa dizer que o Dr. Camilo Morais tinha mais treze anos do que eu , na altura já era Diretor do Serviço de Endocrinologia do Hospital Militar do Porto, e até àquele momento, nunca nos tínhamos encontrado, nem pessoal nem profissionalmente. À sua pergunta respondi, naturalmente: «Pois claro que sou!». Ele era do Vilar de Ledra , a 7 km de Mirandela. E assim, de forma tão inesperada quanto genuína, começou uma amizade que duraria quarenta anos.

O Dr. Camilo Morais tinha profundamente enraizado o espírito transmontano. Era um homem sério, íntegro e leal, daqueles com quem sabíamos poder contar em qualquer momento da vida, mas que também sabia apreciar uma boa conversa, uma boa mesa e rir de uma boa piada. Essa combinação de rigor e humanidade, de seriedade e sentido de humor, acompanhou-o sempre.

Foi, ao longo de toda a vida, um endocrinologista de mão-cheia, profundamente dedicado à sua profissão e à Diabetologia. Orgulhava-se, justamente, de ter sido um dos sócios fundadores da Sociedade Portuguesa de Diabetologia, cuja primeira sede oficial foi, durante algum tempo, a sua própria residência, um pormenor que diz muito sobre o seu compromisso pessoal com a construção e afirmação desta área da Medicina em Portugal.

Durante muitos anos fez parte do grupo de convidados das Jornadas de Diabetologia e, mais tarde, do Congresso de Endocrinologia e Nutrição dos Açores. Foi sempre com enorme gosto e particular orgulho que o convidei e recebi nos Açores. No nosso isolamento insular e arquipelágico, Camilo Morais foi também um porto seguro: alguém a quem podíamos recorrer, com quem podíamos discutir um caso, partilhar uma dúvida ou simplesmente pedir um conselho, sabendo que encontraríamos sempre disponibilidade, experiência e uma palavra amiga.

Ao longo de tantos anos partilhámos inúmeros momentos, científicos e profissionais, mas também muitos outros da vida pessoal, todos eles atravessados por uma amizade genuína, feita de cumplicidade, respeito e afeto.

O Dr. Camilo Morais deixou-nos. Mas gostamos de acreditar que continua, de alguma forma, a velar por uma área da Medicina portuguesa à qual dedicou grande parte da sua vida e que continua a dar cartas e a contribuir decisivamente para a saúde da sociedade portuguesa.

É com profunda tristeza, e já com uma enorme saudade, que deixo estas breves palavras sobre um médico que muito respeitei e um amigo que tive o privilégio de ter durante quarenta anos.

Bem-haja à sua memória, ao seu familiar e aos seus amigos

Até sempre, Camilo.

Ponta Delgada, 5 de agosto de 2026

Rui César"s